Cidades
Mobiliza��o paralisa derrubada�da Casa Rosa na orla de Paju�ara
REGINA CARVALHO Por determinação da Prefeitura de Maceió e mobilização de diversas entidades, entre elas o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-AL), está paralisada a obra de demolição da ?Casa Rosa?, a mansão histórica na praia da Pajuçara onde funcionaram uma agência do Produban e a Secretaria Estadual de Turismo (Setur). Para garantir o embargo provisório da demolição, ontem, a Guarda Municipal foi acionada pela prefeitura. Com alvará concedido pela Prefeitura de Maceió, em junho do ano passado, a Construtora MPB, localizada em Cruz das Almas, iniciou, há poucos dias, a demolição do prédio. Segundo os pedreiros que estavam no local, Paulo de Tarso é o engenheiro responsável pela obra, mas não estava presente no momento do embargo provisório. ?Agora vamos verificar se essa empresa tem registro?, afirmou o fiscal do Crea, Genival de Farias. De posse da notificação, segundo o secretário da SMCCU, Edinaldo Melo, o processo de embargo administrativo da obra é rápido. ?Temos que apurar com calma tudo que envolve essa obra?, afirmou Melo. Tombamento Em 2001, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) deu entrada no processo de tombamento do prédio, mas até agora o Conselho Estadual de Cultura não se pronunciou sobre o assunto. Sem declarar uma posição favorável ou não ao tombamento, as obras de demolição seguiram. ?Como o Conselho de Cultura não se manifestou a tempo, o prédio pode ser até demolido, pois o tombamento depende desse parecer?, afirmou o arquiteto Mário Aloísio Melo, que estava no local no momento em que a obra foi paralisada. Há aproximadamente vinte anos o industrial Humberto Paiva vendeu a residência ao Banco do Estado, e depois de o Produban ser liquidado, o prédio foi a leilão, sendo adquirido pelo empresário italiano Dino Tilito. A secretária municipal de Infra-estrutura, Lourdinha Lyra, vice-prefeita de Maceió, alertou para o fato de que não consta no prédio a placa da construtora responsável pela obra, reforçando a tese de que o trabalho estava sendo feito ?sem querer chamar a atenção?. ?Parece que essa obra estava sendo executada em silêncio, na surdina mesmo, sem que ninguém soubesse?, disse. Estrutura danificada Localizada na praia da Pajuçara, numa esquina da Avenida Antônio Gouveia, a ?Casa Rosa? data de 1946 e levou cerca de quatro anos para ser construída. Apesar de manter a estrutura externa quase intacta, a parte interna do prédio já foi danificada. Portas, janelas e a escadaria foram arrancadas. O historiador e escritor Douglas Apratto e o artista plástico Pierre Chalita sugeriram que fosse feito um abaixo-assinado para impedir que as obras continuem. O arquiteto Mário Aloísio lamentou o fato de o prédio estar sendo destruído. ?Infelizmente, o prédio já foi muito descaraterizado?, concluiu o arquiteto.