Cidades
Incra e MST: queda-de-bra�o continua em AL
BLEINE OLIVEIRA Apostando no fim do impasse com os sem-terra, o superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Gino César Menezes, não impetrou ontem ação de desocupação da sede do órgão, tomada por agricultores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Sem- Terra (MST). Ontem, Gino se reuniu com a comissão de negociação formada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) de Alagoas, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AL), Conselho Estadual de Direitos Humanos e Polícia Militar, para discutir o fim da ?guerra? com o MST que desde a última segunda-feira, 28, não lhe dá um minuto de trégua. O movimento exige a saída do atual superintendente e de seus assessores, acusando Gino César de fomentar divergências entre as organizações que atuam em defesa da reforma agrária no Estado. Gino contesta a crítica do MST e reafirma o compromisso de trabalhar para que o projeto agrário do governo federal se efetive em Alagoas. Referendado por uma nota oficial da direção nacional do Incra, o superintendente reafirma que não vai discutir questões políticas com as lideranças do MST. ?Da mesma forma que o governo federal não interfere na administração dos movimentos, esperamos que eles tenham essa mesma postura?. Gino César insiste que a retomada do diálogo depende da desocupação dos prédios onde funcionam o gabinete, na Praça Sinimbu, e os setores técnicos, no edifício Walmap, na Rua do Livramento, Centro. ?Queremos discutir uma pauta técnica, recursos para infra-estrutura nos assentamentos, como oferecer melhores condições para os acampamentos, cestas básicas?, disse o superintendente. Brasília Já os principais dirigentes do MST-Alagoas retornaram de Brasília ontem de madrugada, sem novidades quanto a sua principal reivindicação política. Eles foram recebidos pelo presidente nacional do Incra, Rolf Hackbart, de quem ouviram o que menos esperavam: o Incra não discute com os movimentos a substituição de dirigentes ou a administração de suas representações nos estados. ?Diante dessa posição, não aceitamos discutir a pauta técnica e a reunião foi encerrada?, disse José Roberto Silva, da coordenação nacional do movimento. Ele integrou a comissão que foi a Brasília, e voltou a Maceió com novas orientações para a batalha política que o MST trava com a atual direção do Incra-AL. Governador Segundo José Roberto, os trabalhadores se sentem ?desrespeitados?, pois foram a Brasília para uma audiência no Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Essa reunião, inicialmente marcada para a manhã de ontem, foi transferida para a tarde e em seguida adiada para hoje. A comissão do MST não concordou com o adiamento, pois tem audiência marcada para hoje, às 16 horas, com o governador em exercício, Luis Abílio de Sousa. Para o comando estadual do MST, esta audiência é mais importante, ?pois está pertinho de nós, enquanto o governo federal fica muito longe?, como ressalta José Roberto Silva. Ele rebate a afirmação de que está ocorrendo uma briga entre os movimentos. ?Temos um problema político que pode se transformar em violência e a responsabilidade será do PT, do Ministério e do governo do Estado?, avisou o dirigente sem-terra. Na reunião com o governo do Estado, o comando do MST vai pedir a interferência direta do governador Ronaldo Lessa no impasse com a direção do Incra. ?Queremos que ele [Lessa] peça a Lula que afaste o superintendente, sob risco de agravamento do clima de tensão que já vivemos hoje?. Para José Roberto, a situação é ruim para todos, agricultores e sem-terra, mas a saída ?depende exclusivamente deles [PT, MDA e governo]?.