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Batalh�o apreende 20 redes de pesca predat�ria

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FÁTIMA ALMEIDA Cerca de 20 redes de candango apreendidas nas lagoas Mundaú e Manguaba pelo Batalhão de Polícia Ambiental foram entregues ontem, ao Ibama, para incineração. Elas estavam sendo usadas de forma predatória para capturar camarão. A malha, muito fina (menos de 20 milímetros entre os nós), acaba pegando espécies ainda em fase de crescimento ou de reprodução, prejudicando o ecossistema e a atividade pesqueira. A entrega das redes apreendidas, segundo o tenente-coronel Newton Bóia, comandante do Batalhão Ambiental, simboliza a intensificação da fiscalização contra a pesca irregular, que conta com o apoio da Federação dos Pescadores. A rede de candango é um dos instrumentos mais utilizados na pesca predatória. Ela tem forma de funil e é aberta contra a corrente, formando uma espécie de barreira dentro d?água. ?O que entra, morre. Até uma pessoa, se entrar, não consegue sair?, explica o tenente Vieira, do Batalhão. Segundo o presidente da Federação dos Pescadores, Benedito Roque, o ?Bida?, alguns peixes que são capturados e mortos com menos de 10 centímetros, poderiam chegar a mais de um metro de tamanho e até 25 quilos na idade adulta, a exemplo do camurim. A pesca com redes de malha inferior a 20mm é proibida pela Portaria 001/2002 do Ibama, e pode dar de 1 a 5 anos de reclusão para quem praticá-la. A polícia reconhece que um flagrante é muito difícil, porque é um trabalho de espera: o pescador deixa a rede e volta para recolhê-la em outro momento. Mas, segundo o comandante Newton Bóia, pelo menos três pessoas foram presas no mês passado. Uma delas passou 10 dias recolhida à Polícia Federal e foi liberada mediante o pagamento de fiança. A pesca predatória também rende multa administrativa, que chega a R$ 750,00 em caso de rede de candango. Fiscalização contínua Segundo o comandante do Batalhão Ambiental, a fiscalização nos canais das lagoas Mundaú e Manguaba é permanente e o alvo não é apenas a rede de candango, mas toda a pesca que infringe a legislação. Ele inclui a pesca com produtos químicos, com explosivos ou com compressores de ar, e ainda as redes de náilon utilizadas para capturar o caranguejo uçá. ?Essas redes acabam matando as fêmeas e caranguejos que ainda não estão em idade de consumo?, diz ele. Segundo Benedito Roque, esse tipo de pesca geralmente é por encomenda. ?A rede de candango é um instrumento caro. Custa mais de R$ 600,00. É um custo alto para o pescador artesanal. Geralmente tem gente grande por trás: políticos, donos de restaurantes e até policiais?, denuncia ele. Na sua avaliação, ainda não existe consciência entre os pescadores sobre os prejuízos da pesca predatória para a própria atividade. ?É uma luta antiga, mas muita gente insiste nessa prática. Só que esse tipo de pesca emprega 10 pescadores e desemprega 90?, diz ele.

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