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Mulheres sem-terra pressionam por desapropria��es no campo

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FÁTIMA ALMEIDA Mulheres ligadas aos principais movimentos de sem-terra bloquearam, ontem pela manhã, a AL-101 Sul, em Jacarecica, em frente ao centro administrativo do governo, para reivindicar ações da Secretaria Especializada da Mulher voltadas para as camponesas. Elas vieram de várias regiões do Estado, marcando a mobilização do campo em torno do Dia Internacional da Mulher. Após o bloqueio, foram recebidas pela secretária Vanda Menezes, a quem entregaram uma pauta de reivindicações, integrada às questões da mulher na reforma agrária. ?Queremos o apoio da secretária em ações para a mulher do campo e nas nossas lutas pela desapropriação das terras quilombolas na Serra da Barriga; pela demarcação das terras indígenas; pela infra-estrutura nos acampamentos e assentamentos. Alguns não têm energia elétrica e as estradas, em vários locais, não permitem o escoamento da produção nem a cavalo. Também queremos mais educação no campo, para que nossos filhos não tenham que ir até a cidade estudar?, defendeu Maria Cavalcante, líder do Movimento Mulher Camponesa (MMC), ligado à Pastoral da Terra. ?Trazemos a luta conjunta de todos os movimentos em nossa pauta. É a primeira vez que as mulheres camponesas vêm a Maceió conhecer a Secretaria da Mulher. E quisemos fazer isso na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher?, destacou Vânia Silva, do Movimento dos Sem-Terra (MST). Governo A secretária Vanda Menezes classificou como legítima a mobilização das mulheres, destacando que não existe governo socialista sem movimentos sociais. ?Temos uma meta estabelecida para começar: que toda trabalhadora camponesa tenha a sua documentação. De 21 a 23 deste mês estaremos em Santana do Mundaú, nos acampamentos, realizando esse trabalho, que inclui Registro de Nascimento, Carteira de Identidade, CPF e Carteira de Trabalho?, anunciou a secretária. MLST apóia Incra O superintendente regional do Incra, Gino César, recebeu, ontem pela manhã, a declaração de apoio e solidariedade dos líderes do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST), com quem esteve reunido na sede da Secretaria Executiva de Assistência Social. Deste a semana passada Gino tem sido alvo de uma mobilização do MST, que acampou com mais de dois mil trabalhadores na Praça Sinimbu, em Maceió, e ocupou a sede do Incra, pedindo a sua destituição do cargo. Na reunião com o MLST, Gino anunciou sua intenção de continuar trabalhando, embora esteja sem acesso ao seu local de trabalho, na sede do Incra. Ele informou que tem contado com o apoio da diretoria nacional do órgão. ?Nenhum Incra no Brasil conseguiu os números que atingimos nos 57 dias de 2005. Estamos, hoje, com cinco escrituras prontas, em cartório, para entregar e cerca de 800 famílias para assentar, com dinheiro na conta. Isso é quase o que conseguimos assentar durante todo o ano de 2004?, argumenta. A manifestação de solidariedade do MLST foi apresentada com uma pauta de reivindicações que, segundo o líder do movimento, Marcos Antônio da Silva, o ?Marrom?, já vem sendo discutida há alguns dias. ?Na semana passada fizemos bloqueios em quatro rodovias estaduais e amanhã (hoje) às10h, teremos uma reunião com o prefeito, o juiz e o promotor de União dos Palmares, para discutir o movimento no Vale do Mundaú e a reivindicação de desapropriação de cinco áreas pertencentes ao INSS para fins de reforma agrária?. Na declaração de apoio ao superintendente do Incra, Marrom destacou, em nome do MLST, que ?nunca se fez tanto pela reforma agrária em Alagoas, quanto na atual gestão?.

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