Cidades
Servidores do Hospital Jos� Carneiro denunciam aumento de �bitos na UTI
BLEINE OLIVEIRA Nos últimos quatro meses, sete pacientes morreram a cada semana na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital José Carneiro (HJC). Mesmo sendo a UTI o local de pacientes em situação de grave risco, o número é considerado alto e tem assustado funcionários do hospital. Eles denunciam alguns dos problemas que podem estar provocando as mortes. Um deles seria a falta de fisioterapeuta, profissional que somente há um mês foi integrado ao quadro de funcionários, mesmo assim em número insuficiente. Sem um profissional para submeter os pacientes da UTI aos exercícios de fisioterapia motora e respiratória, o resultado é o crescimento dos índices de mortalidade. Outro problema grave é a falta de um gerador de energia elétrica. O Hospital José Carneiro não dispõe desse equipamento e usa, em caso de corte no fornecimento normal, o gerador instalado no Hemocentro de Alagoas (Hemoal), localizado nas proximidades. Os funcionários revelam que, recentemente, por problemas na rede de distribuição da Companhia Energética de Alagoas (Ceal) o fornecimento ao HJC foi interrompido e os pacientes tiveram que ser transferidos para a UTI da Unidade de Emergência Armando Lages. No trajeto, pelos corredores internos que ligam os dois hospitais, dois dos quatro pacientes transferidos faleceram. ?A situação é absurda. Em muitos casos o paciente morre e a família ignora os motivos?- diz um funcionário que trabalha na UTI e que pede para não ser identificado por estar ainda em estágio probatório, ou seja, foi aprovado em concurso público mas tem que esperar os dois anos que antecedem a estabilidade do cargo. A denúncia de irregularidades na administração do HJC é de um grupo que afirma representar os cerca de 180 funcionários daquela unidade da rede estadual de saúde. Os funcionários pedem que a situação seja analisada pelo Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal). O presidente do Conselho, médico Emanuel Fortes, afirma que a entidade está acompanhando o processo de consolidação da UTI, mas desconhece que esteja havendo problemas além dos que justificam a internação e que estes coloquem em risco a vida dos pacientes. O médico afirma que a disponibilização de mais leitos para o atendimento de emergência em Maceió é uma das medidas propostas para reduzir a superlotação na Unidade de Emergência Armando Lages. ?O conselho vem tentando ajudar a estabelecer a ponte do José Carneiro com a UE?, acrescenta Emannuel Fortes. Dos 8 leitos anunciados pelo governo como reforço à UE, apenas quatro estão ativos e mesmo assim em condições precárias. Três deles são usados exclusivamente para a internação de pacientes vindos da Unidade de Emergência. E um fato grave, os internos só são medicados se a direção da UE enviar os remédios. A medicação fica armazenada na farmácia do HJC, que não funciona à noite. Eles denunciam, ainda, irregularidades na administração dos recursos financeiros do Hospital José Carneiro, dizendo que estão há três meses esperando o pagamento de um adicional extra, e não recebem adicional noturno e nem produtividade. Outra reclamação é quanto à existência de prestadores de serviço, boa parte ligada à direção. A reportagem esteve no hospital ontem à tarde e procurou o diretor-geral, Carlos José Neto Lôbo, e o diretor-administrativo financeiro, Antônio Everaldo, mas eles não estavam na unidade. O presidente da Universidade de Ciências de Alagoas (Uncisal), instituição à qual o HJC é vinculado, médico Telmo Henrique, também não foi encontrado.