Cidades
�nibus geladinhos parados por press�o de concorrentes
FÁTIMA ALMEIDA Os termômetros públicos de Maceió marcam temperaturas de até 36o nos últimos dias. No interior dos coletivos, o calor chega aos 40º nos horários de pico, segundo medidores de temperatura instalados pela empresa de transportes urbanos Real Alagoas, dentro de alguns ônibus. Contrastando com essa situação, 33 ônibus ?geladinhos? novos, adquiridos pela empresa para as linhas urbanas de Maceió, estão parados há 10 meses na garagem, impedidos de rodar porque têm ar-condicionado. A empresa, que tinha intenção de colocar 40 ?geladinhos? em circulação em Maceió, chegou a conseguir autorização da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) para implantar o equipamento, por meio da Portaria 328, de novembro de 2003, mas pediu renovação em março do ano passado, e até agora não obteve resposta. Para completar o quadro de dificuldade, a portaria foi revogada no final do ano passado, por pressão das empresas concorrentes, segundo denúncia da diretoria da Real Alagoas. ?Os ônibus estão sem circular por força da concorrência. Temos conhecimento de que as outras empresas querem, inclusive, que sejam suspensos os ônibus com ar-condicionado da linha José Tenório-Iguatemi, a única que ainda mantém o equipamento?, diz José Antônio Nascimento, assessor da diretoria da Real. A situação não é nova, mas a informação deixou usuários perplexos. ?É inacreditável!? ? espantou-se Edson Françoso, enquanto esperava no ponto de ônibus. ?Onde já se viu impedir um prestador de oferecer qualidade e conforto ao usuário? Isso é postura de quem só pensa no próprio umbigo?, comenta ele. ?É uma proibição absurda e descabida. Se o argumento é que isso prejudica a concorrência, deveria, ao contrário, estimular todos a também investir na melhoria do serviço, oferecendo mais conforto?, reforça a estudante universitária Fernanda Maria dos Santos Granja. De acordo com o assessor da Real, os estudos realizados mostram que a utilização dos ônibus com ar-condicionado aumenta em apenas 3,1% a planilha de custos, o que significaria R$ 0,046 por passagem, mas, segundo ele, esse valor não precisaria ser repassado para o usuário, porque é compensado com o aumento de passageiros. A passagem cobrada é a mesma do ônibus comum, e este é um dos principais questionamentos da concorrência. ?As outras empresas insinuam que a passagem do ônibus com ar-condicionado deveria ser de R$ 1,60, para criar um diferencial, mas isso nós não aceitamos, porque perderíamos passageiros?, diz o assessor da Real, Antônio Nascimento. O superintendente da SMTT, Leonardo Loureiro, não quis falar sobre o assunto. Ele informou apenas que ?já encontrou a situação como está? e que está ?agendando uma reunião com as empresas para discutir a questão?. A reunião, a princípio, deve ser realizada amanhã, mas depende ainda da agenda do prefeito Cícero Almeida.