Cidades
PM pressiona governo por sal�rio e amea�a parar
FÁTIMA ALMEIDA A insatisfação dos policiais militares alagoanos com a falta de expectativa de aumento salarial começa a criar, dentro da corporação, um clima de aquartelamento (tropas recolhidas aos quartéis). A proposta de radicalização não foi colocada na ordem do dia, mas já está sendo comentada em reuniões de mobilização que começam a ocorrer. Ontem pela manhã, representantes das associações dos oficiais, dos subtenentes e sargentos, dos cabos e soldados, e mais inativos e viúvas pensionistas da Polícia Militar reuniram-se no Clube dos Oficiais para discutir estratégias que forcem o governo a conceder a principal reivindicação da classe: 24% de reajuste salarial. ?Aumento ridículo? ?Na pauta, entregue em dezembro do ano passado, pedimos esse percentual, sendo 8% imediatos e 2% a cada mês, até completar os 24%. Já se passaram três meses e a resposta do governo, por meio da Secretaria de Administração, foi de 5% retroativo a janeiro e 5% em junho. Nós não vamos aceitar, é um aumento ridículo!? ? afirmou o presidente da Associação dos Oficiais, major Eduardo Lucena. Eles também estão propondo uma ação judicial coletiva contra o Estado, pedindo a extensão para toda a categoria dos benefícios pagos aos policiais militares que trabalham no Palácio. ?Vamos lutar pela isonomia para todos os policiais militares na ativa?, explicou o advogado Anaxímenes Marques Fernandes, representante das associações nessa causa. Hoje, de acordo com o major Lucena, a tropa concentra 8 mil policiais militares e 2.500 inativos, que recebem um piso médio de R$ 700, para os soldados, até R$ 5.000, que é o soldo de um coronel da ativa. A reunião de ontem marcou o início do processo de mobilização da categoria e estava agendada há mais de um mês, mas, na opinião dos representantes das associações, houve uma tentativa de desmobilizar. Várias reuniões de comandos e setores foram marcadas para o mesmo horário. Mesmo assim, foi definido para a próxima segunda-feira um encontro dos presidentes das associações militares com os comandantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, os secretários da Administração, Valter Oliveira, e de Defesa Social, Robervaldo Davino, e o juiz auditor militar James Magalhães, numa tentativa de avançar nas negociações. ?A pressão é muito grande sobre os representantes das associações e ninguém aceita o aumento proposto pelo governo. A insatisfação é total e já se fala até na possibilidade de aquartelamento. Esperamos que não seja necessário chegar a isso. Estamos tentando negociar e acreditamos que o governo pode avançar e evitar esse clima?, afirmou o major Lucena. Última greve A última manifestação dos policiais militares foi em julho de 2001, quando a maioria da tropa decidiu cruzar os braços. Mulheres de PMs ficaram em frente aos batalhões onde eles se aquartelaram. Na época, os policiais militares também recusaram proposta apresentada pelo governo de reajuste de 20% para cabos e soldados, 10% para sargentos e subtenentes e 5% para os oficiais. O governador Ronaldo Lessa chegou a pedir tropas federais ao então presidente Fernando Henrique Cardoso. Esta seria a segunda intervenção militar do Exército no Nordeste ? em Salvador as tropas da PM também estavam amotinadas. Os oficiais da PM de Alagoas decidiram aderir à greve de seus subordinados. Com o aval dos superiores, os grevistas se entusiasmaram e fizeram manifestações. O quartel central do Corpo de Bombeiros chegou a ser invadido pelos manifestantes, que comemoraram com rojões. A greve só durou cinco dias, com o enfraquecimento da mobilização tanto em Maceió como no interior do Estado. *** Comando descarta motim na corporação O comandante-geral da Polícia Militar de Alagoas, coronel PM Edmilson Cavalcante, informou que não tinha, oficialmente, tomado conhecimento do resultado da assembléia realizada pela manhã, no Clube dos Oficiais. Mas descartou de modo veemente a possibilidade de haver aquartelamento na corporação. ?Nem pensar. Não há a mínima possibilidade de isso ocorrer porque a Polícia Militar de Alagoas é hoje uma instituição amadurecida?, disse o comandante. Ele alegou haver um bom relacionamento entre o comando da corporação e a direção das entidades que representam a tropa. Como argumento, citou o fato de ter mantido contato com o presidente do Clube dos Oficiais, ontem mesmo, logo após a reunião. ?Além disso, foi marcada uma reunião com os representantes dos oficiais e com a presença do secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino?, informou o comandante. A reunião está confirmada para segunda-feira. De acordo com o coronel Edmilson Cavalcante, as audiências entre o comando e os dirigentes das associações que representam a tropa são rotina em sua gestão; prova, segundo ele, de que há uma ?nítida opção pelo diálogo? na corporação. Sem pressão Ainda assim, o oficial reiterou, de modo também veemente, que ?nem sequer se cogita? uma medida drástica para pressionar o governo a atender às reivindicações de ordem salarial da tropa. Segundo o comandante-geral, os episódios recentes envolvendo medidas dessa natureza deixaram marcas profundas: ?Ainda há processos em andamento na Corregedoria da corporação, por causa de atitudes impensadas por parte de alguns militares?.