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Nº 5718
Cidades

Canal do Sert�o d� preju�zo de R$ 80 milh�es

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Por | Edição do dia 28/04/2002 - Matéria atualizada em 28/04/2002 às 00h00

ROBERTO VILANOVA Delmiro Gouveia – Pelos 13 quilômetros de tubos de aço, com um metro de diâmetro, no lugar de água, passará o vento. O Canal do Sertão ainda não verteu uma gota d ’agua sequer, mas a conta já é alta – o Estado acumula desde 1995 o prejuízo que chega hoje a 80 milhões de reais com a paralisação da obra, o sucateamento de peças e a alteração do projeto. E o governo federal disponibilizou no Orçamento da União, este ano, apenas 11 milhões e 800 mil reais, que não podem ser usados para saldar dívidas vencidas. Batizado inicialmente de Canal do Moxotó, o projeto foi iniciado no governo Geraldo Bulhões e paralisado no governo Suruagy. Orientado pelo Ministério da Integração Nacional, o governador Ronaldo Lessa entregou a obra à Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), que trocou o nome para Canal do Sertão e alterou o projeto, estendendo-o a Pernambuco, mas não sabe quando reiniciará os trabalhos - ou se o projeto será executado em toda a sua extensão, para levar água destinada ao abastecimento urbano e à irrigação pública até Arapiraca. Sucatas As conseqüências da situação insólita de Alagoas, que é o único Estado banhado pelo Rio São Francisco sem irrigação pública no semi-árido, agravam-se com a elevação brusca do custo da obra. O engenheiro pernambucano Mário Penido Guerra admite que o dinheiro que a Codevasf dispõe para a obra eqüivale a 14% da dívida acumulada, ou seja, não dá sequer para pagar aos credores (empreiteira Queiroz Galvão, a Barbará, fornecedora dos tubos de aço e vergalhões, entre outros). A Codevasf informou que está tentando captar dinheiro no exterior, para complementar a disponibilidade do tesouro federal. Estão disponibilizados no Orçamento da União para este ano apenas 11 milhões e 800 mil reais. “Para quem está devendo mais de 80 milhões de reais, é melhor nem mexer nesse dinheiro”, recomenda o engenheiro, para quem o projeto do Canal do Sertão depende hoje muito mais de Pernambuco, do que de Alagoas, embora originalmente o projeto seja alagoano. A Codevasf transferiu a tomada d’agua para Petrolândia-PE, abandonando no Povoado Caixão, pertencente ao município alagoano de Delmiro Gouveia, 13 quilômetros de tubos enterrados, as estações de bombeamento e elevatória e a casa de forças, que viraram sucatas. Irresponsabilidade Com a alteração do projeto, o sistema de captação e bombeamento d’agua será instalado no município pernambucano de Petrolândia, através da barragem de Itaparica. Com o novo traçado, a água do Canal do Sertão irrigará antes terras de Tacaratu, Floresta, Ibimirim e Petrolândia, no sertão pernambucano, antes de beneficiar Alagoas. Embora a alegação do governo (Suruagy), em 1995, parecesse justa, a paralisação da obra foi mais um ato de irresponsabilidade administrativa, de acordo com os técnicos da Codevasf. Mesmo defendendo o novo traçado do projeto, esses técnicos, que por razões óbvias preferem não se identificar, acham que a ação do governador na época foi mais por pirraça (ciúmes). “Tanto é que a comissão criada pelo próprio governador (Suruagy) concluiu pela viabilidade da obra, mesmo assim ele manteve a paralisação e deixou que todo o material adquirido se perdesse”, sustentou um dos técnicos, alagoano de Delmiro Gouveia e hoje trabalhando na 3ª Superintendência Regional da Codevasf, em Pernambuco. Novo impasse Para agravar a situação, a Agência Nacional de Águas – ANA – exige a definição sobre quem vai pagar a conta de água retirada da barragem de Itaparica. A partir do decreto que criou os Comitês de Bacias, o uso da água dos rios, que são federais ou estaduais (os municípios não têm a posse dos recursos hídricos), terá de ser remunerado. Em palestra proferida em Maceió, no começo do mês, o presidente da ANA, Jerson Kellman, foi categórico – sem essa definição a obra não será reiniciada e o Canal do Serão ficará como uma idéia no papel. Outra questão levantada pelo presidente da ANA é quanto à disponibilidade de recursos financeiros. É tão ínfimo o volume disponibilizado no Orçamento da União que ele não soube quantificar. “Sinceramente, não sei quanto tem”, admitiu.

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