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Pesquisadora �alerta: Pixaim n�o � um o�sis

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FERNANDO COELHO Pela semelhança com um deserto, as imagens emitidas pelo território arenoso do Pixaim facilmente despertam o desejo de atravessar fronteiras para alcançá-las. No entanto, o sítio não é um oásis em meio ao deserto. Na maioria das publicações enfatizando os encantos do local, o povoado sempre foi descrito como um paraíso, onde a vida é farta e as pessoas são felizes. E essa, de fato, não é a realidade da comunidade. ?Os problemas que a comunidade enfrenta não são vistos por quem os olha de longe; por quem não os conhece, como os empreendedores de turismo, os políticos e os administradores da APA. Esse desconhecimento está expondo os moradores a sérios riscos de artificialização de sua vida social?, aponta a antropóloga Madalena Zambi. Quilombo Para a antropóloga, ?o olhar empreendedor reduz as especificidades? que dão a identidade de Pixaim à condição de trunfo para o fortalecimento do turismo ecológico. Além disso, expõe os delírios daqueles envolvidos na promoção do turismo na região, que querem aumentar a atratividade do local a todo custo. ?Eu recebi um panfleto recentemente no qual se mostrava Pixaim como um antigo quilombo, quase desconhecido. Quero deixar claro que nenhuma ação foi empreendida para o reconhecimento de Pixaim com um quilombo, nenhuma prova foi apresentada. Isso leva a crer que essa forma de apresentação da comunidade nada mais é do que puro marketing?, estima. Madalena defende que, se o turismo ecológico for a única saída para reverter o quadro atual, que a intervenção seja criteriosa e com participação efetiva da comunidade. ?Bandeiras com o manto da sustentabilidade e a retórica do baixo impacto não filtram danos que, no caso de Pixaim, podem ser irreparáveis. As mudanças são inevitáveis, mas as que estão em curso merecem um exame mais critico, pois têm se colocado numa forma de embate desigual, onde a comunidade possui poucas chances a seu favor?. Foram as dificuldades e a falta de alternativa que fizeram as pessoas saírem de Pixaim, de volta a seus lugares de origem, por isso, a pesquisadora prega em seu discurso: ?É uma comunidade que tem o direito de permanecer no lugar que escolheu para viver. É o local a que eles pertencem. O mundo, cuja superfície em grande parte é coberta por areia, perderá com a ausência de Pixaim?.

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