Cidades
Pixaim, a comunidade das areias vivas
FERNANDO COELHO Foi sobre as dunas móveis do município de Piaçabuçu, distante 184km de Maceió, que a comunidade de Pixaim assentou seu lugar no mundo. Ali, misturados à areia, entre o mar e o Rio São Francisco, eles aprenderam um modo de vida singular, sinônimo de fartura no passado e hoje ameaçado de extinção pela falta de trabalho e assistência social. No povoado, o vento sopra tudo e modela a sobrevivência de aproximadamente 120 pessoas. Elas moram distribuídas em trinta casas de taipa cobertas por palha de coqueiro. Apesar de o movimento das dunas obrigar os habitantes a construírem novas edificações a cada quatro ou cinco anos, os moradores de Pixaim não são nômades, como mitificado em outras tentativas de contar sua história. A ordenação das casas varia no tempo e no espaço, mas ocorre sempre dentro dos limites da comunidade. A origem do nome está ligada ao tipo de cabelo dos habitantes. Gente que utiliza os rastros como linguagem e vê nesses delicados sinais uma forma de detectar a presença humana e de animais. Fincada em uma região transformada em Área de Preservação Ambiental e pintada pela mídia turística como verdadeiro ?oásis em meio ao deserto?, a realidade cotidiana de Pixaim beira a miséria. Lá, a alegria é uma lembrança, dolorosamente substituída pelo sentimento de desamparo, abandono e desassistência.