Cidades
Olavo quer corregedoria no caso Sesau
MARCOS RODRIGUES O chefe de gabinete da presidência da Assembléia Legislativa, Olavo Wanderley, defendeu ontem, em entrevista à GAZETA, a entrada da Corregedoria do Ministério Público nas investigações sobre a fraude na Secretaria da Saúde (Sesau). Há quatro meses, Olavo teve o seu nome envolvido, quando os promotores Sidrack Nascimento e Cyro Blatter obtiveram detalhes de seu ?suposto envolvimento? no esquema que desviou R$ 3,6 milhões das contas da Sesau. Agora, com a conclusão do inquérito, os promotores não constataram nada que justificasse o indiciamento de Olavo. O mesmo não aconteceu com o contador Eduardo Meneses, acusado de ser o chefe do esquema, que envolveu recursos da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. ?Depois desse tempo todo, eles nada encontraram contra mim. Além disso, acham que é só afirmar isso e está tudo certo. Não é assim. Tive minha vida destroçada e meu nome jogado na lama. Não vai ser um atestado de conduta ilibada que vai resolver o que me aconteceu?, desabafou Olavo. Processo Ontem, ao ser indagado se vai processar os promotores, ele disse que ainda não se decidiu sobre isso. A única certeza, no momento, é a defesa do acompanhamento da Corregedoria do MP no caso. ?Quero evitar que outros cidadãos como eu tenham suas vidas invadidas como tive a minha?, lembrou Olavo. Amizade Olavo não negou ser amigo do principal envolvido, Eduardo Meneses. Ele também não contesta o trabalho geral do MP. Mas quanto ao método usado, ele tem ressalvas. Para Olavo, as investigações deveriam correr em segredo de Justiça, até existirem provas contundentes de envolvimento de qualquer pessoa. Quando o seu nome foi envolvido no escândalo, até o governador Ronaldo Lessa (PDT), com quem Olavo estava sem falar, saiu em sua defesa. Depois de ligar para o ex-assessor e secretário particular, Lessa chegou a fazer um pronunciamento onde afirmou ?pôr a mão no fogo?, pelo antigo aliado. ### ?Fui tido como culpado sem ser ouvido? As investigações do Núcleo de Fazenda Pública do Ministério Público incluíram depoimentos de todos os envolvidos no desvio de recursos da Sesau. O único que não foi procurado para prestar esclarecimentos foi Olavo Wanderley. ?Fui considerado culpado antes de ser ouvido?, relembrou Olavo. Ontem ao relatar os procedimentos adotados pelo MP, Olavo considerou isso uma falha do processo de investigação. Ele lembrou que antes de seu nome ser citado na imprensa, outras matérias que tinham como fontes os promotores já revelavam o envolvimento de um alto funcionário ou assessor do governo com o esquema. Para Olavo, eram formas indiretas de prepararem a divulgação de seu nome. ?Soube que teria o meu sigilo bancário quebrado pelo MP através do presidente da ALE, deputado Celso Luiz, depois que ele falou com o promotor Cyro Blatter?, revelou Olavo. No dia seguinte, Olavo conta que procurou o promotor Cyro Blatter para saber o que levou o MP a investigá-lo. Segundo Olavo, o próprio promotor havia lhe assegurado que nada fora confirmado sobre sua participação. Mas não foi isso que aconteceu. ?No outro dia vi o meu nome estampado nos jornais?, acrescentou Olavo. Desde então, ele disse que só pensava no processo e em se defender. Para isso contratou o advogado Everaldo Patriota e uma empresa de Comunicação para monitorar todas informações divulgadas sobre o caso. Agora ele cobra do MP que forneça o documento com os detalhes que levaram o órgão a pedir a quebra de seu sigilo bancário. A única informação que lhe foi passada é que o seu nome entrou na lista dos investigados porque foi citado por servidores da Sesau. Ainda assim, Olavo está convencido que foi envolvido numa trama de vários interesses escusos. (MR)