Cidades
Opera��o corta energia de inadimplentes em AL
REGINA CARVALHO A Companhia Energética de Alagoas (Ceal) iniciou ontem uma megaoperação de corte de energia elétrica em estabelecimentos comerciais e residenciais cujos proprietários estão inadimplentes na capital e interior. De acordo com Miguel Orsoleto Filho, superintendente de Gestão Comercial da Ceal, a previsão é de efetuar, durante esse período, cerca de três mil cortes em Maceió. ?Entre os meses de janeiro e fevereiro houve uma queda de receita de 9 R$ milhões no Estado, devido à inadimplência e já acumulamos um débito de aproximadamente R$ 120 milhões?, destacou o superintendente. Alguns consumidores de Maceió foram surpreendidos ontem pela presença dos eletricistas da Ceal. O coordenador de Cortes da Companhia, Paulo Fábio Tenório, informou que alguns consumidores ficam revoltados e acabam agredindo eletricistas. ?Uma vez, uma senhora derrubou da escada um eletricista nosso que estava cortando a energia da casa dela?, destacou. Na manhã de ontem, o proprietário de uma lanchonete, no Farol, ameaçou atirar em funcionários, caso eles cortassem a energia do estabelecimento. A Polícia Militar chegou a ser acionada pela Ceal, mas não foi até o local porque o proprietário do estabelecimento comercial compareceu ao departamento que gerencia corte de energia da companhia e pediu desculpas. ?Eu disse isso, mas não imaginei que eles fossem levar a sério. Sou evangélico e não tenho coragem de matar. Na hora fiquei com raiva, mas não falei aquilo de verdade. Eles só estão cumprindo o dever?, disse ele, sem se identificar. O débito do proprietário com a Ceal é de mais de R$ 400, referente ao mês de dezembro do ano passado. A megaoperação está prevista para durar duas semanas e conta com o apoio da Polícia Militar, que está sendo acionada para alguns casos. Além da capital, eletricistas da Ceal estão realizando cortes de energia elétrica nas principais cidades do interior. A parte considerada nobre da cidade também recebeu a ?visita? dos eletricistas da Ceal. Na Ponta Verde, por exemplo, vários apartamentos tiveram a energia cortada, a exemplo do edifício Pioneiro, na Rua Dr. Odilon Vasconcelos. No mesmo local, três consumidores tiveram de ficar sem energia por não ter comprovado o pagamento das contas. A Ceal conta com 53 viaturas que efetuarão o corte de energia elétrica em Maceió e mais 50 no interior do Estado. Cada eletricista recebe em torno de 40 casos de inadimplência por dia para efetuar o corte. ### Corte atinge 800 usuários no interior de Alagoas no primeiro dia da operação FERNANDO VINÍCIUS A Companhia Energética de Alagoas (Ceal) iniciou ontem a operação que cortou o fornecimento de energia de imóveis cujos usuários estão em débito com a empresa. Batizada de Programa Emergencial de Recuperação de Receita, a empresa colocou dez equipes nas ruas de Arapiraca, sede da Regional Oeste, para cumprir a determinação de suspender o serviço aos inadimplentes. Cerca de 800 cortes de energia foram realizados ontem, incluindo os municípios de Palmeira dos Índios, Penedo, Santana do Ipanema e Delmiro Gouveia. A operação deve durar duas semanas e tem o objetivo de recuperar recursos provocados pela falta de pagamento das contas de energia. Responsável por 55 municípios entre as cidades de Piaçabuçu e Delmiro Gouveia, a Regional Oeste da Ceal acionou os distritos de sua área de atuação para dar início ao programa que está sendo colocado em prática para todo o Estado. Segundo o gerente comercial, Valter Leandro, ?a Ceal está com problema seríssimo de fluxo de caixa, o que impede investimentos na melhoria dos serviços?. Ele conta que a companhia precisa construir uma subestação para atender a região entre as cidades de Canapi, Inhapi e Mata Grande, mas não há recursos para realizar o projeto. O único trabalho específico para a melhora da distribuição de energia elétrica está sendo feito em São Sebastião, onde uma subestação está em fase de construção, ainda sem previsão para a conclusão das obras. Valter Leandro ressaltou que ?a Ceal não gera energia elétrica?, atuando como concessionária de distribuição que compra energia à Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf). ?Nós temos que pagar à Chesf e também investirmos nas redes de distribuição?, declarou Valter Leandro. ### Consumidores acumulam débitos de R$ 47 milhões Somente nas regiões do Baixo São Francisco, Agreste e Sertão alagoanos, o total de dívidas com a Ceal é de R$ 47 milhões, sendo que mais de R$ 20 milhões não serão pagos por causa de liminares que impedem o corte no fornecimento de energia para prefeituras, empresas privadas de grande porte e órgãos estatais. Dados da Ceal referentes a janeiro deste ano indicam que a 5ª SR da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São do Francisco e do Parnaíba (Codevasf), com sede em Penedo, tem um débito de R$ 9 milhões e 657 mil. O superintendente da 5ª SR, Antônio Nélson Oliveira de Azevedo, explicou que a dívida é restrita ao uso de eletricidade nos distritos irrigados da Codevasf para cultivo de arroz. ?Havia um acordo envolvendo Chesf, Codevasf e Ceal que garantia o consumo nos distritos por meio do abatimento das contas no pagamento da compra de energia da Ceal à Chesf?, explicou Antônio Nélson Oliveira. A Chesf encerrou o acordo, deixando de fazer o acerto de contas com a concessionária alagoana, motivo da dívida. A Codevasf entrou com ação na Justiça para que o acerto seja renegociado e mantido, alegando cumprimento de medida reparatória da Chesf por causa dos impactos causados ao meio ambiente da região pela construção das hidrelétricas no leito do Rio São Francisco. O débito da Usina Paisa, localizada em Penedo e pertencente ao grupo Toledo, seria de R$ 3 milhões e 838 mil. Diretores do grupo empresarial informaram que o valor divulgado não está de acordo com o acerto de contas feito na Justiça. A direção do grupo alega perdas decorrentes de planos de governo que congelaram preços de produtos enquanto aumentava o valor de serviços públicos, como fornecimento de energia elétrica. A mesma justificativa é usada pela direção da Usina Seresta, em Teotônio Vilela, que teria um débito de R$ 5 milhões e 800 mil. O setor jurídico da Indústria de Laticínios Palmeira dos Índios (Ilpisa), que fabrica os produtos da marca Valedourado, informou que o valor da dívida é bem menor do que os mais R$ 5 milhões divulgados pela Ceal e que as tentativas de acordo feitas pela indústria não obtiveram resposta por parte da companhia. Quanto à dívida da Prefeitura de Piranhas, que segundo a Ceal é de R$ 555 mil, a reportagem da GAZETA não conseguiu localizar o prefeito Inácio Loiola para se pronunciar sobre o assunto. Segundo informações da gerência comercial da Ceal, Piranhas é uma das poucas cidades que não aceitaram o convênio para parcelamento de dívidas firmado entre as prefeituras e a Companhia Energética de Alagoas e intermediado pela Associação de Municípios Alagoanos (AMA). Para o consumidor comum, não há liminares. Quem tem até três contas atrasadas deve pagar o débito integralmente. Dívidas de até cinco meses podem ser negociadas, pagando primeiro as três contas mais antigas.