Cidades
�gua de Col�nia Leopoldina d� surto de diarr�ia
DORGIVAL JUNIOR O descaso com o abastecimento de água na cidade de Colônia Leopoldina, além de causar sérios problemas aos moradores com as constantes interrupções no fornecimento, se tornou também um problema de saúde pública no município. Semana passada, mais de 40 casos de diarréia foram registrados no hospital local. A água fornecida pela Casal, segundo as autoridades públicas e os moradores, chega às torneiras imprópria para o consumo humano. A suspeita de cólera foi descartada após a análise da água e exames realizados nos pacientes. De acordo com a secretária de Saúde de Colônia, Maria Irenice de Oliveira, análises da água coletada pela Vigilância Sanitária Municipal constataram a presença de coliformes fecais. Um relatório da própria Casal ? assinado pelo escritório regional da empresa, que é responsável pelo gerenciamento do sistema nos municípios da Zona da Mata ? constatou a falta de cloro na água fornecida aos moradores da cidade. ?O caso é muito sério. As pessoas estão adoecendo. O nosso hospital vem registrando vários casos de diarréia e de doenças de pele. Todas as evidências recaem sobre a água fornecida à população?, alertou a secretária de Saúde. Segundo ela, a secretaria faz campanhas para combater os casos de diarréia no município, incentivando o uso de hipoclorito. ?A água é a provável responsável pelos casos de diarréia que ocorreram em Colônia. A água é potável, mas tendo bactérias causa danos à saúde?, disse o diretor-médico do hospital do município, Carlos Souza. De acordo com o secretário de Administração de Colônia Leopoldina, Fábio Bezerra, o município é que vem mantendo ?na medida do possível? o sistema de abastecimento de água da Casal em funcionamento. ?Sem a nossa intervenção, fazendo reparos na rede, o abastecimento de água já teria entrado em um colapso total?, afirmou, lembrando que o prazo do contrato da Casal com o município de Colônia Leopoldina já expirou. ### Esgoto invade reservatório Os moradores de Colônia Leopoldina denunciaram que o reservatório destinado à captação da água fornecida à cidade está servindo de lavatório para animais. ?Cavalos são banhados dentro do reservatório usado para captação de água. Há pessoas que também despejam o esgoto na área, contaminando a água. É uma total falta de respeito com a população, que sofre também com a falta de água?, disse o padre Cristóvão Almeida, responsável pela paróquia de Colônia. Sem poder ingerir a água que chega às torneiras de suas casas, os moradores da cidade são obrigados a consumir água mineral para não adoecer. ?A água que chega, quando chega, só serve para lavar roupa ou tomar banho. Cozinhar e beber, só com água mineral?, declarou a aposentada Solange Maria da Silva, que é obrigada a acordar no meio da madrugada para coletar a água usada nos afazeres domésticos. ?A gente vive uma situação difícil. E no inverno a situação complica ainda mais. A água, quando chega, é barrenta e impossível de ser usada. Este é um problema antigo, que nunca foi resolvido. A Casal não nos dá qualquer tipo de esclarecimento sobre o que está acontecendo?, disse o funcionário público Amauri Pereira, acrescentando que o escritório da Casal passa a maior parte do tempo fechado, sem que os consumidores tenham um local onde possam fazer suas reclamações. Os moradores, revoltados com o descaso da empresa, denunciaram que, apesar de o abastecimento de água ser precário na cidade, as contas chegam mensalmente as suas casas. ?A gente quase não tem água na torneira, mas a conta chega todo fim de mês?, disse uma dona-de- casa. A GAZETA esteve no escritório da Casal na cidade de Colônia. O prédio estava fechado com cadeado. O engenheiro químico do escritório regional da Zona da Mata, na cidade de Rio Largo, Júlio Balbino, disse que o problema da falta de água em Colônia é provocado por uma substituição de tubulação da rede pela Prefeitura Municipal, apesar de o sistema pertencer à Casal. Quanto à má qualidade da água servida à população, ele informou que o problema pode ter ocorrido por uma única falha na operação do sistema. ?Mas esta não é uma situação rotineira?, disse. (DJ)