Cidades
Juiz denuncia execu��o de adolescentes infratores
EDNELSON FEITOSA O juiz da Vara da Infância e Juventude de Maceió, Sóstenes Alex Costa de Andrade, denunciou à GAZETA uma onda de violência contra jovens, com execução sumária de adolescentes infratores na capital. Segundo o magistrado, nos últimos dois anos, 49 adolescentes que estavam sob a proteção do Estado foram executados a tiros ? em plena via pública ou os corpos foram encontrados em canaviais. O juiz afirma que o setor de segurança pública não adotou qualquer providência para inibir a matança. Na maioria dos casos, sequer houve apuração pela polícia, fato que levou o juiz a solicitar informações à Secretaria de Defesa Social, para saber como estão os poucos inquéritos que teriam sido abertos. O juiz Sóstenes revelou que os adolescentes assassinados estavam em regime de liberdade assistida no centro para menores infratores mantido pelo governo ? a Unidade de Internação Masculina, ex-Centro de Ressocialização Masculina (CRM) ? onde prestavam serviços à comunidade. Lá, eles tentavam se redimir dos crimes que cometeram e se reintegrar à comunidade, quando foram ?cruelmente exterminados? ? palavras do juiz ? ao voltarem para as ruas. Para Sóstenes Alex, a sociedade precisa se posicionar a respeito, já que outros 45 garotos estão hoje na mesma situação, ou seja, sujeitos à execução sumária. Os 49 adolescentes executados ? jovens sob a responsabilidade do Estado, insiste o magistrado ? precisavam de proteção e não receberam, segundo o magistrado. ?O governo precisa dar uma resposta, no mínimo esclarecendo os crimes e apontando os responsáveis à sociedade?. ?Nossos filhos não podem mais sair às ruas, freqüentar locais públicos, porque são vítimas de violência. Hoje não podem nem pegar ônibus com segurança. O que dizer de adolescentes infratores, pessoas fragilizadas, desprotegidas e que não têm respaldo da família??, indaga o magistrado. O juiz Sóstenes ressalta que os jovens executados ?eram adolescentes que já tinham recebido, como pena, medidas socioeducativas?. O secretário Estadual de Cidadania e Direitos Humanos, José Roberto Mendes, admitiu que os menores infratores estão de fato sujeitos a morrer ou a voltar à marginalidade. ?As mortes vão continuar se não mudar a lógica da assistência prestada hoje. Sem a mudança, estaremos reafirmando uma farsa, que é dizer que o governo tem políticas para a infância e a juventude?, afirmou Mendes.