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Templo budista tibetano no Farol atrai alagoanos

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REGINA CARVALHO Depois de uma concentrada leitura de texto, segue a meditação por 15 minutos. O silêncio e, em seguida, o relaxamento tomam conta do ambiente. Esse é o clima de um centro budista tibetano, localizado no bairro do Farol, em Maceió. Fundado em 2001 e com aproximadamente 30 praticantes, é uma filial da Chagdud Gonpa, com sede no Rio Grande do Sul, fundada em 95 por um mestre tibetano que veio morar no Brasil. A prática de meditação tem crescido no mundo ocidental e promove, segundo os budistas, a aquietação mental, sendo a primeira técnica para meditações mais avançadas. Com braços apoiados nos joelhos e olhar fixo para baixo, todos ficam atentos à respiração e deixam a mente relaxar. O sino toca para começar e encerrar a meditação, que os budistas também chamam de prática. O administrador de empresas Marcos Guimarães, católico não praticante, conheceu o budismo durante uma viagem a Salvador (BA), há cinco anos. Interessou-se e passou a organizar eventos. A vinda, por três vezes, do mestre tibetano Chagdud Rinpoche a Maceió concretizou a fundação do centro de budismo tibetano. Sem restrições de padrão social ou faixa etária, o centro recebe profissionais de diversas áreas e muitos estudantes; a maioria já conhecia outras religiões antes do budismo. ?Não temos um padrão definido aqui. Pessoas das mais diversas classes sociais, idades e profissões freqüentam o Centro?, resumiu Marcos Guimarães. Gênio budista Marcos Guimarães lembrou que o físico Albert Einstein, criador da teoria da Relatividade, tinha idéias budistas, quando comprovou a Lei de Causa e Efeito. O budismo também não considera a mulher um ser inferior. Apesar de reconhecer as diferenças físicas e biológicas entre homem e mulher, a religião prega que ambos são iguais perante a sociedade. A religião oriental tem como princípio básico não fazer mal aos outros. Conceito seguido e ressaltado pelos adeptos do budismo. A filosofia budista também define cinco comportamentos morais: não maltratar os seres vivos ? pois eles são reencarnações do espírito ?, não roubar, ter uma conduta sexual respeitosa, não mentir, não caluniar ou difamar, evitar qualquer tipo de drogas ou estimulantes. Carma De acordo com os praticantes do budismo, seguindo estes preceitos básicos, o ser humano conseguirá evoluir e melhorará o carma de uma vida seguinte. Fenômenos físicos, mentais e a percepção sobre esses fenômenos também são estudados pelo budismo. ### Budistas falam da experiência e filosofia Os pais de Marcos Guimarães são católicos e nunca freqüentaram o centro de budismo tibetano, mas a esposa do administrador de empresas também é budista. ?Fui criado dentro da religião católica, mas nunca fui praticante. Estudei muito sobre outras religiões. Daí descobri que as idéias do budismo faziam mais sentido que as de outras religiões?, resumiu, assim, o administrador do centro de budismo tibetano, Marcos Guimarães. Para a estudante de psicologia Sarah Esequiel, que freqüenta o centro desde o início de sua fundação, o budismo faz mais sentido na sua vida. ?Conheci o budismo aos poucos. A espiritualidade sempre fez parte da minha vida. Estudei em colégios católicos e pesquisei sobre religiões indianas?, afirmou. Experiência Estudante de jornalismo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), José Cícero foi pela primeira vez ao centro na semana passada. A convite de uma amiga e por curiosidade, ele disse que gostou da experiência e promete voltar. ?Pena que estou muito cansado, mas consegui relaxar. Foi uma experiência muito boa?, relatou o universitário. Arnóbio Camilo, servidor público estadual, conheceu o budismo há três anos. O primeiro contato com a religião aconteceu há vinte anos. ?Li o livro ?O Buda histórico ? As quatro nobres verdades? e me interessei pelo assunto. É preciso muita dedicação de quem pratica o budismo?, disse. Linhagens Marcos Guimarães afirmou que tem conhecimento de que existem em Maceió outros grupos que praticam diversas linhas do budismo, mas o único centro tibetano é o do bairro do Farol. O budismo possui, pelo menos, trinta correntes, mas isso, segundo Marcos Guimarães, é mais um componente cultural, pois a filosofia é a mesma. Segundo ele, movidas pelo mistério e pela magia do budismo, as pessoas querem saber mais sobre a religião. Marcos informou que mais de 600 pessoas já passaram pelo centro, desde que ele foi fundado. Dividido em prática e teoria, o praticante do budismo tem que se aprofundar no estudo da religião. No budismo, um dos ensinamentos diz que ?ninguém além de você mesmo pode ser responsável pela libertação da angústia e do sofrimento?. (RC)

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