Cidades
Ambulat�rio garante atendimento em casa
FÁTIMA ALMEIDA No mês passado a Portaria nº 245/GM ? 2005 instituiu um incentivo financeiro para a im-plantação de Centros de Aten-ção Psicossocial (Caps), um serviço ambulatorial de aten-ção diária, previsto na Lei 10.216 e Portaria nº 336/GM ?2002, que tem como sistemática de trabalho o atendimento individual e em grupo, oficinas terapêuticas, visitas domiciliares, atendimento à família e ati-vidades comunitárias visando à integração do doente mental. Os valores do incentivo para implantação dos Caps va-riam entre 20 mil a 50 mil reais e deverão ser repassados pelo governo federal aos estados e municípios, mediante solicita-ção, com apresentação de pro-jeto terapêutico. A medida também já apre-senta efeitos positivos. De acor-do com o coordenador do pro-grama de Saúde Mental da Se-cretaria Executiva de Saúde, Berto Gonçalo, Alagoas tem, atualmente, oito Caps implan-tados (três em Maceió e cinco no interior: Anadia, Coruripe, Palmeira dos Índios, Arapiraca e Pilar). Mais quatro estão em fase de implantação (União dos Palmares, Murici, São José da Laje e Capela), e quatro estão encaminhados (Matriz do Ca-maragibe, Penedo, Teotônio Vilela e Marechal Deodoro). A previsão é de que cheguem a 22 nos próximos meses. Precisa de mais, na avalia-ção do presidente do Conselho Regional de Psicologia, Louren-ço Leirias. Mas ele reconhece: Alagoas está bem posicionada no processo de transição esta-belecido pela política nacional de saúde, que vem construindo, gradativamente, um novo pa-radigma na forma de ver e sen-tir a questão do tratamento de transtornos mentais. ?O Portu-gal Ramalho ainda não é o mo-delo ideal, mas simboliza um grande avanço; é uma referên-cia até mesmo para o Brasil?, destaca ele. Reforma psiquiátrica De acordo com o coorde-nador do Programa de Saúde Mental da Sesau, a reforma psi-quiátrica começou há cerca de dez anos, mas ainda está em fase de transição. Camisa-de- força e eletrochoque ainda não foram totalmente abolidos, mas embora alguns profissionais defendam a sua permanência como forma de contenção de crises agudas, só devem acon-tecer em casos extremos, em que há indicação médica. ?Antigamente, o uso era in-discriminado. O paciente em crise, ao invés de ganhar mais atenção, era tratado com ele-trochoque. Felizmente estamos caminhando para o estágio de resgate da cidadania?, diz Berto Gonçalo. De fato, a situação atual em muito se distancia do quadro de outrora. ?Os hospitais psiquiátricos eram depósitos humanos. Os pacientes eram trancafiados pelos familiares, às vezes até a morte. No Portugal Ramalho existia um depósito de caixões, tão grande era o índice de mortalidade?, relata Rosimeire Rodrigues. Ela lembra que os pacien-tes em crise aguda eram isola-dos em quartos fortes, onde mal passava a luz. As refeições eram feitas na própria enfermaria e o tratamento era só à base de medicamentos. ?Isso aqui era o inferno e trabalhar neste hospital era como se fosse um castigo, aplicado aos piores funcionários do Estado?, diz ela. Provavelmente os hospitais psiquiátricos nunca cheguem ao estágio de paraíso, mas desse tempo de inferno, felizmente, só restam lembranças que se expressam em exposições de peças e relatos de situações vividas. Hoje, até mesmo o Centro Psiquiátrico Judiciário do Estado (o antigo Manicômio Judiciário), onde ficam os portadores de transtornos mentais que cometeram delitos em momentos de crise, tem vivido esse processo de transição, buscando a humanização do tratamento e procurando adaptar-se à reforma psiquiátrica. Manicômio Visitando o manicômio, é fácil entender por que muitos apenas lutam para cumprir pena no local. O prédio tem ca-pacidade para 160 pessoas, mas há 128 pacientes internos. Os quartos são individuais e não são chamados de celas, e sim, de apartamentos. ?Aqui não é um presídio, é um centro psi-quiátrico, e quem vem para cá não é condenado, é paciente psiquiátrico em tratamento, que cumpre medida judicial de segurança?, explica o diretor- geral José James dos Santos.