Cidades
Sururu farto garante renda na Semana Santa
FÁTIMA ALMEIDA O sururu está sobrando na Lagoa Mundaú. Isso significa uma Semana Santa com abundância do molusco, que tanto serve de sobrevivência para a grande maioria dos ribeirinhos da Mundaú, como de famílias inteiras que despinicam (tiram o sururu da casca), lavam, cozinham a produção, vendem e comem. Os pescadores voltaram a ficar animados e os barcos estão voltando cheios a cada manhã. Basta desembarcar, lavar, e o comprador já está esperando, com bacias, latas e até carroças. Como no passado, o sururu volta a formar um verdadeiro ?tapete? na lagoa. Nos tabuleiros, a procura aumenta com a chegada da Semana Santa, mas os vendedores reclamam: no ano passado, a escassez elevou o preço do produto; o quilo chegou a ser vendido a R$ 10. Este ano, com a fartura de oferta, não consegue passar de R$ 5. Marisqueiras ?A gente compra a lata a R$ 1,50 e paga R$ 2 para despinicar. A lata despinicada dá mais ou menos um quilo e meio de sururu. Nosso ganho fica em torno de R$ 3 por lata?, diz a marisqueira Claudijane dos Santos, enquanto separa em saquinhos uma encomenda de 56 quilos do molusco. Na casa dela, todo mundo está trabalhando: a mãe, os filhos, os irmãos... Fartura De acordo com o presidente da Federação dos Pescadores de Alagoas, Benedito Roque, o Bida, a fartura vai garantir uma boa Páscoa para uma porção de gente que encontra ocupação no ciclo do sururu. Até chegar à mesa, ele passa pelo catador, o atravessador, o despinicador e o vendedor. ?Numa família de cinco pessoas que trabalham cozinhando o sururu, certamente todos têm ocupação num período desse?, garante seu Bida. Segundo ele, há muito tempo não se via tanta fartura, percebida também em relação a outros pescados, como o camurim e a tainha. ### Combate à poluição aumenta produção O presidente da Federação dos Pescadores de Alagoas, Benedito Roque, o Bida, atribui o fenômeno ao trabalho de combate à pesca predatória e à redução de lançamento de agentes poluidores nas lagoas, principalmente por parte da indústria. Além disso, segundo ele, ?a boca da barra está aberta o suficiente para dar mais força à criação?. ?No ano passado não tinha para ninguém. O sururu vendido aqui na Semana Santa veio de Sergipe. Agora, ninguém dá conta. Estamos vendendo para Alagoas e fornecendo para outros estados?, comemora ele. Para Bida, este ano a produção do sururu ? tirado da lama da Lagoa Mundaú ? alcançou uma de suas maiores produções. Pesca predatória A pesca predatória vem sendo constantemente denunciada pela Federação de Pescadores em Alagoas. O presidente da federação diz que se esse trabalho não for realizado com rigor, há risco de, em breve, desaparecerem várias espécies de peixes que vivem nas lagoas Mundaú e Manguaba, as mais importantes do Estado. A pesca predatória, segundo Bida, é praticada por milhares de pescadores que vivem na região. O problema começa com a falta de controle sobre os próprios pescadores. Para se ter uma idéia do problema, estão cadastrados nas colônias de pesca em todo o Estado 10 mil pescadores. Mas, na prática, estima-se que existam outros 20 mil sem cadastro. Diretamente ou indiretamente, cerca de 82 mil pessoas em Alagoas dependem do setor. Bida explica que a pesca predatória é aquela feita principalmente com o uso da manjubeira, uma rede de náilon finíssima que arrasta tudo o que está pela frente, inclusive peixes e crustáceos ainda em fase de crescimento. ?Algumas dessas malhas têm apenas de 8 a 12 mm de espessura, quando deveriam ter no mínimo 25mm?, diz o presidente.