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Ocupa��o do MST fecha lojas perto da Sinimbu

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FELIPE FARIAS Desde que chegaram a Maceió, há 27 dias, os trabalhadores rurais ligados ao MST ocuparam a Superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e provocaram a suspensão dos trabalhos na Justiça Eleitoral e num Juizado vizinho, que continua fechado. Mas, além desse reflexo, o acampamento e a interdição de todo o trecho da Rua do Imperador, que passa em frente, provocaram outra conseqüência ? menos visível, porque não atinge o governo nem o MST, e sim casos individuais ? mas não menos dramática ou legítima. Desde que o acampamento se consolidou, fecharam pelo menos quatro lojas do mesmo lado da praça em que a rua está bloqueada, e outros estabelecimentos se viram ameaçados pelo estigma da ocupação que vai além dos limites do bairro. ?As pessoas nem sequer descem do ônibus nesse ponto porque têm medo. Sem esse público, não dá para vender?, resigna-se a empresária Luzinete Portela, que mantém a banca de revistas situada do lado oposto ao do prédio do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Segundo ela, pelo mesmo motivo, muitas outras pessoas têm evitado ir ao comércio. O drama da empresária é o retrato de um problema que tem tirado o sono de lojistas daquela região da cidade e um endereço em particular ? seja na Rua do Livramento 148 ou na Praça Visconde de Sinimbu. Explica-se: o problema está onde o Incra estiver. Testemunha do problema, o síndico do Edifício Walmap, Fernando Napoleão, se diz até defensor da reforma agrária. ?O que questionamos são os métodos dos movimentos?. ?Este órgão deveria ser transferido para o antigo Planalsucar [Campus Delza Gitaí da Ufal, em Rio Largo] para que manifestações dessa natureza ficassem bem longe, sem prejudicar a vida na cidade?, reivindica o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Maceió, Wilson Barreto. ?A sede do Incra deveria ser no interior. Não é lá que estão os assentamentos?? ? endossa o empresário Júnior Góes. Dono de uma pizzaria na esquina da Rua Imperador com a Rua da Praia, bem em frente ao acampamento da Sinimbu, ele diz ter extinto o turno da noite ? demitindo funcionários ? desde que a superintendência do Incra está no casarão vizinho. Além da falta de segurança no Centro, ele alega outro fator decisivo. ?Nosso produto é alimentação. E não dá para vender comida num ambiente como este?, argumenta, apontando a sujeira da praça, a partir da calçada da Rua da Praia ? porque a porta que dá para a Sinimbu está fechada há quase 27 dias. ### ?Incra deve ir para campus em Rio Largo? O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Maceió, Wilson Barreto, defende a transferência do Incra para o atual campus Delza Gitaí, da Ufal, em Rio Largo. O local que abriga o Centro de Ciências Agrárias (Ceca) é, na sua opinião, ideal para receber a superintendência do órgão, pela distância do Centro. ?Sempre que houvesse uma manifestação assim, ela não iria interferir na vida da cidade?, argumenta. A saída do instituto do Edifício Walmap, em pleno calçadão, foi uma das principais reivindicações da entidade durante cerca de dez anos. Na Praça Sinimbu, porém, segundo os críticos, parece ainda pior, porque há mais espaço para a montagem das barracas. ?Eles transformaram a praça num verdadeiro camping?, compara Barreto, acrescentando que a entidade tem orientado os associados a acionar o governo federal por causa das perdas provocadas pelas invasões que afugentam clientes. ?O pessoal reclama contra o Estado, que não pode fazer nada porque o Incra é um órgão federal. O Estado vai botar polícia? Todas as vezes que isso aconteceu, acabou em tragédia?, diz. Ainda assim, Barreto se diz contrário a que se atenda a reivindicação dos sem-terra: o afastamento do superintendente Gino César Menezes. ?Se atender, o governo fica desmoralizado. E vão se suceder outras invasões por qualquer motivo?. (FF) ### ?São mais de 20 invasões? O síndico do Edifício Walmap, Fernando Napoleão, conhece de perto os reflexos negativos provocados pela proximidade do Incra, tendo perdido a conta de quantas vezes o prédio foi invadido, virando acampamento por dias a fio, inclusive com reféns. ?Foram pelo menos umas vinte invasões, sendo três violentas, com reféns e depredação. Na de 2000, promovida pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), entidade ligada à Igreja que também promove ocupações, eu mesmo fui obrigado a ficar aqui até três horas da madrugada com o Quixabeira [José Quixabeira Neto, então superintendente]?, relata. Funcionário do Incra, Napoleão se diz defensor da reforma agrária e reconhece a legitimidade dos movimentos rurais. ?O que nós questionamos são os métodos que eles usam algumas vezes?, diz, ao lado de uma das mais freqüentes ?vítimas? dessas ações: a fachada em vidro do saguão de entrada, estilhaçada três vezes ? ?duas a pedradas e outra, por um tiro disparado acidentalmente?, lembra. Numa delas, a troca custou R$ 18 mil ao condomínio. Segundo ele, a dificuldade maior é para os profissionais liberais que têm escritório ou consultório no edifício, um condomínio misto ocupado do segundo ao quarto andar por particulares e do quinto andar à cobertura, patrimônio da União. A própria distribuição já os colocava em desvantagem porque, para alcançar os andares onde funcionam órgãos públicos, os invasores primeiro tinham de passar pelos andares que são propriedade privada e que, em tese, nada têm a ver com o problema. A transferência do Incra para a Praça Sinimbu não resolveu de todo o problema: para lá foi a superintendência, o principal ?alvo? das invasões dos movimentos rurais. Entretanto, setores como Procuradoria Jurídica e Finanças permaneceram no edifício. Numa das atividades desencadeadas desde que chegaram a Maceió desta vez, os sem-terra do MST voltaram a invadi-lo, trazendo a lembrança de atividades semelhantes que levavam à interdição de praticamente todo o prédio. ?Depois de uma das invasões, os condôminos ingressaram na Justiça pedindo ressarcimento. Mas a Procuradoria do Incra, tanto aqui quanto em Brasília, disse que a ação não tinha sustentação jurídica e que a única saída seria ratear os prejuízos. Nenhum deles jamais foi ressarcido?. (FF)

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