Cidades
Arquitetos sugerem estruturas abertas para acesso a clube
FELIPE FARIAS Repórter Além de ser erguida de modo irregular, contrariando as leis que regulam a ocupação de terrenos de marinha (à beira-mar), a construção que imita uma cabine de iate no estacionamento que deverá ser demolido no Alagoas Iate Clube (o Alagoinha, na Ponta Verde) destoa da paisagem. A demolição foi determinada pela Justiça Federal após uma ação proposta pela Advocacia Geral da União, sob o argumento de que o estacionamento se encontra em área de uso comum do público, o que é proibido por lei federal. Um prazo chegou a ser estabelecido e, depois, adiado. Mas, segundo o comodoro Paulo Costa, o clube entrou com ação para impedir a demolição do estacionamento. Alegando ter sido orientado pelo advogado a não se pronunciar sobre o caso, ele se limitou a dizer que a demolição está suspensa. A pedido da Gazeta, dois arquitetos de Maceió realizaram um estudo, tomando por base fotos atuais da estrutura, que mostra como ficaria a nova paisagem da região, depois de uma eventual demolição do estacionamento do Alagoinha. Pier culturaL O arquiteto Eduardo Fon defende uma exploração mais consciente daquela região, ?principalmente por causa do potencial que a praia representa para a cidade?. Segundo ele, uma proposta seria a construção de um pier para uso público, com equipamentos como restaurante e um centro cultural. Na concepção do arquiteto, essa estrutura teria menos impacto negativo sobre a paisagem e, por outro lado, ao ter atrativos que remetem à cultura e à história, traria reflexo positivo mais direto sobre o turismo, atividade considerada vocação natural da cidade. ?Entendo que esse seria um uso bem mais proveitoso para aquela região que o de hoje, um uso comercial, fechado, sendo explorado de modo tão restrito. Sobretudo por estar numa das áreas mais bonitas da orla?, explica. O também arquiteto Tiago Angeli realizou, há cerca de um ano e meio, um estudo sobre a fachada do Alagoinha, como o clube é conhecido na cidade, em que já previa a retirada da estrutura. Só que, nesse caso, a remoção seria integral, de todo o clube, em cujo lugar ficaria o pier. ### Iate de concreto destoa da paisagem O arquiteto Tiago Angeli, que realizou um estudo prevendo como ficaria a paisagem da região sem o Alagoinha, não poupa críticas à estrutura que remete à cabine de um iate, situada na entrada do clube, e que deverá ser removida com a demolição do estacionamento: ?Ela chega a chocar, porque é pesada e destoa da proposta da orla. É algo que foge até da realidade?, diz. Para ele, principalmente por se tratar da orla, as estruturas na região deveriam ser mais leves, se inserindo de modo mais harmonioso na paisagem. Ele dá como exemplo o pier construído a pouco mais de cem metros do clube, na Avenida Sílvio Vianna, como parte da reforma promovida pela Prefeitura naquele trecho da orla. E sugere o uso de elementos mais presentes na paisagem local. No computador A pedido da Gazeta, os arquitetos realizaram um estudo para mostrar como ficaria a paisagem sem o Alagoinha. Eles se basearam em fotos atuais do clube que mostram o estacionamento e outras estruturas próximas, que deverão ser removidas, e, a partir delas, fizeram uma ?limpeza? da imagem, no computador. Eles também se utilizaram de uma foto área feita pela Prefeitura, mostrando o quanto o clube avança sobre o banco de corais. Curiosamente, a contestação judicial sobre a construção não se refere a essa parte do clube, mas apenas ao trecho do estacionamento, por estar em área onde é proibida construção que comprometa a integridade de uso público - a faixa de areia.|FF