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Prefeitura quer limpar o visual da orla

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FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter A Prefeitura de Maceió quer iniciar ainda este semestre mais uma fase do projeto de reubarnização da orla marítima de Maceió, no trecho entre o depósito de combustíveis da Atlantic e os Sete Coqueiros, na Pajuçara. O projeto é considerado essencial para revitalizar a área de maior atrativo turístico da cidade, mas que acabou sendo alvo de uma ocupação desordenada nos últimos anos. O projeto prevê o disciplinamento da ocupação da área por barracas de bares, restaurantes e ambulantes, para garantir a visão do que há de mais bonito na orla: a praia, hoje em muitos pontos encoberta pelas construções e pelas próprias barracas da orla. Até mesmo o poder público vem dando mau exemplo em relação à ocupação de áreas na orla. O governo do Estado teve a obra de construção do Memorial Teotônio Vilela embargada pela Secretaria Municipal de Controle Convívio Urbano (Smccu). Além de tapar toda a visão da praia, 12 coqueiros foram arrancados para a construção da obra. RESISTÊNCIA Só que, para a execução do projeto de reurbanização, a prefeitura terá que derrubar algumas barreiras, já que encontra resistência, em alguns pontos, de setores comerciais da orla, a exemplo de donos de bares, restaurantes e das tapioqueiras. O presidente da Associação dos Donos de Barracas da Orla Marítima de Maceió, Sandro Xavier, diz que os barraqueiros são a favor da reubarnização da orla, mas não concordam com a padronização das barracas. ?Nós não somos contra o projeto, mas não aceitamos que haja mudança na estrutura e no tamanho da área ocupada hoje por cada barraca?. Sandro argumenta que cada um dos bares e restaurantes da orla tem características próprias, que não se adaptariam à proposta de padronização do projeto. Derrubada Sandro ressaltou que na administração da prefeita Kátia, quando foi dado o início ao processo de reurbanização da orla - entre o Alagoinha e os Sete Coqueiros - foram derrubadas sete barracas, número maior que o previsto no projeto, que era quatro. Mas ainda há previsão de derrubada de mais uma barraca e transformação de três em mix, que abrigariam boxes para vendas de tapioca, acarajé, coco e sorvete. BAnca de revistas Sandro Xavier acrescentou que esta semana a associação entregou um documento com sugestões para mudanças no projeto de reubarnização da orla à Secretaria Municipal de Planejamento. Relocação Além da proposta de que a estrutura das barracas seja mantida, a associação dos barraqueiros se diz contrária à relocação das bancas de revistas para o lado contrário à praia, em toda sua extensão. E que as barracas de venda de sorvete sejam colocadas nos mixes que abrigaram diversos tipos de pequenos comércios, que o projeto prevê implantar. ?Nossa proposta é que as bancas de revistas sejam mantidas do lado da praia e que as barracas de sorvete sejam padronizadas, no estilo das que vendem guaraná?. A Associação dos Donos de Bares e Restaurantes da Orla também propôs ao prefeito Cícero Almeida a criação de um fundo de aval, para que, por meio de empréstimos, os barraqueiros possam fazer melhorias físicas em seus estabelecimentos. Sugestões O diretor de Planejamento da Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento, César Marques, disse que a prefeitura vai analisar as sugestões apresentadas pelos barraqueiros da orla em relação ao projeto de reubarnização. Segundo ele, o projeto é participativo e não está ainda fechado. ?Não queremos prejudicar ninguém. Mas não adianta apenas urbanizar a área se não houver uma organização do comércio turístico que existe lá?. ### Vendedores temem perder espaço com o reordenamento A principal proposta do projeto para a orla marítima de Maceió é reordenar os espaços físicos e disciplinar as atividades e serviços. O projeto prevê remanejamentos de ciclofaixas, estacionamentos, padronização das barracas de bares e restaurantes e instalação de mix que reunirão as tapioqueiras, vendedores de coco, acarajé e serão compostos de depósito para guarda de material e banheiros. Entre as novidades está a criação de uma área com equipamentos adaptados para os portadores de necessidades especiais, inclusive para prática de esportes paraolimpícos. O espaço da Praça Multieventos vai ganhar um parque infantil. Segundo a SMCCU, haverá dois tipos de mix. Um deles será composto de seis boxes com depósito e banheiros. Já os mixes alagoanos, que ficarão entre as quadras esportivas, terão oito boxes, dois banheiros e um área para a fiscalização da prefeitura. Por enquanto, a estrutura da Feirinha de Artesanato de Pajuçara será mantida. Mas os técnicos da Secretaria do Planejamento vão estudar uma forma para que a estrutura não impeça a visão do mar. INVESTIMENTOS Para execução do projeto entre o depósito do Atlantic e o Alagoinha, deverão ser investidos cerca de R$ 700 mil. Segundo César, a prefeitura está viabilizando a vinda de recursos federais para execução do projeto. A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) também tem participado das discussões sobre a execução do projeto. Por meio de um termo de cessão da área, a SPU passou a responsabilidade pelo controle da ocupação da área da orla ao município. Tapioqueiras As 25 tapioqueiras que trabalham na orla marítima de Maceió são as mais apreensivas com o projeto de reurbanização. O presidente da Associação dos Ambulantes e Prestamistas da Orla Marítima de Maceió, José Roberto de Oliveira, diz que o projeto está sendo imposto pela prefeitura. E que até agora não há, por parte da prefeitura, uma definição de quando começará a ser executado. Pelo projeto, as tapioqueiras, vendedores de coco e de acarajé vão dividir um mix. Segundo José Roberto, o problema é que muitos desses ambulantes serão prejudicados, porque alguns mixes ficarão em locais de difícil acesso para os consumidores. Temor Além disso, existe um temor de que os mixes não sejam suficientes para abrigar todas as 25 tapioqueiras cadastradas na associação, e os espaços sejam ocupadas por pessoas estranhas, ou que não estejam cadastradas pela associação. José Roberto reclama também que hoje as tapioqueiras já são obrigadas a pagar uma taxa mensal a prefeitura de R$ 65 e os vendedores de acarajé e de coco, R$ 26. ? Trata-se de um IPTU mensal das tapioqueiras?. Com a mudança para os mixes, o presidente da associação acredita a taxa deve ficar mais alta. Pelo projeto, os demais ambulantes da orla deverão permanecer como estão. Hoje, a associação da categoria tem 650 ambulantes cadastrados pela Secretaria Municipal de Controle e Convívio Urbano, todos identificados por meio de crachá. FA

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