Cidades
Sem-terra atacam carro e acham armas
REGINA CARVALHO Repórter Manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) radicalizaram, ontem, durante bloqueio na BR 316, próximo ao município de Atalaia. Quando viram três armas e munição que estavam dentro de um veículo da marca Toyota, do tipo Corolla, placa MUB 7733, de cor preta, manifestantes ameaçaram manter como refém Marivalda da Rocha Azevedo, esposa do prefeito de Dois Riachos, Jailton Matias Azevedo. O irmão do prefeito, Eliel Matias de Azevedo, que é secretário de Finanças de Dois Riachos e estava dirigindo o veículo no momento da abordagem do MST, pediu que não mantivessem Marivalda como refém. Os manifestantes acataram o pedido mas, não satisfeitos, quebraram o pára-brisas e arranharam todo o carro com foices e machados. ?Eles me pediram dinheiro, e quando viram as armas dentro do carro, começaram a quebrar ele todo. Ficaram muito agressivos?, informou o secretário de Finanças. Além da esposa e do irmão do prefeito de Dois Riachos, estavam também dentro do veículo dois seguranças (policiais militares) e um amigo de Jailton Matias, de nome não revelado. ?Os manifestantes chegaram a agredir os militares que estavam dentro do carro?, denunciou Eliel Matias, que mostrou ferimentos na mão provocados por manifestantes durante a abordagem. Armas As armas (duas pistolas e um revólver 38) e a munição pertencem aos dois seguranças do prefeito e foram levadas pelos manifestantes no momento da abordagem ao veículo. Integrantes do MST alegam que Eliel tentou ?furar? o bloqueio e os seguranças chegaram a sacar as armas. ?Isso tudo é mentira. Estávamos parados quando eles chegaram. Eu disse até que concordava com a manifestação, mas que precisava passar porque estávamos atrasados para chegar em Maceió, mas eles não quiseram saber?, acrescentou Eliel Matias. /// MST saqueia carga da Nestlé no Agreste MAIKEL MARQUES FÁBIA ASSUMPÇÃO Trabalhadores sem-terra ligados ao MST saquearam, ontem à tarde, na AL 115, em Arapiraca, um caminhão da distribuidora Verdes Mares que transportava quatro toneladas de gêneros alimentícios da marca Nestlé. Avaliada em R$ 21 mil, a carga foi levada para o Sítio Sementeira e depois distribuída para as 180 famílias acampadas no local. ?Estamos famintos. Se o governo não liberar cestas básicas com urgência, poderemos promover novos saques?, avisa o líder identificado como Genilson Ferreira. O saque ao caminhão da Verdes Mares ocorreu às 14h30 de ontem, quando os sem-terra se preparavam para encerrar a manifestação pacífica à margem da rodovia AL 115, que liga Arapiraca a Palmeira dos Índios. Das 10h ao meio-dia, os manifestantes distribuíram panfletos que divulgavam a luta do MST em todo o País. tem comida! ?Tudo parecia tranqüilo até que um deles gritou: ?Tem comida! Tem comida!?. Ainda tentei escapar, mas eles cercaram o caminhão e me fizeram dirigir até o depósito do acampamento?, conta o motorista Ricardo Barros. ?Saquearam a carga em menos de 15 minutos?, completou o ajudante Eliel Lima. Ontem, eles prestaram queixa do saque na Delegacia Regional de Arapiraca. ocupações Cerca de 250 trabalhadores rurais ligados ao Movimento dos Sem-Terra (MST) ocuparam, na madrugada do último sábado, a Fazenda Balança, no povoado do mesmo nome, em Traipu. As famílias estavam acampadas há dois anos no povoado Mandacaru. Segundo um dos coordenadores estaduais do MST, José Roberto de Souza, os sem-terra decidiram ocupar a fazenda porque cansaram de esperar uma posição da superintendência do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) sobre a desapropriação da área. De acordo com o coordenador do MST, a fazenda, de mil hectares, está penhorada para pagamento de uma dívida de R$ 2 milhões com o Banco do Nordeste. Na semana passada, representantes do MST estiveram reunidos com técnicos do Incra em Maceió para discutir sobre a desapropriação da área. A fazenda pertence a Antônio Monteiro, que decidiu retirar todos os pertences da sede da fazenda e algumas cabeças de gado, assim que tomou conhecimento da invasão da propriedade pelos sem-terra. A invasão ocorreu de forma pacífica e não há nenhum conflito na região, garante o coordenador do MST. /// Vítima se assusta com vandalismo em carro Ainda assustada, Marivalda permanecia à margem da BR 316. ?Fiquei com muito medo. Quem não ficaria??, destacou. Quando viu o estrago feito em seu veículo, comprado há menos de duas semanas, o prefeito de Dois Riachos disse que ia ?tomar todas providências cabíveis? no caso. ?Vou falar com o governador e com o secretário de segurança?, disse. Ainda revoltado, Jailton Matias criticou o governador Ronaldo Lessa (PDT). ?Infelizmente, o governador tem sido conivente com esse tipo de movimento?, disse o prefeito. Cinqüenta e quatro homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foram acionados para conter o movimento, entretanto mantiveram-se afastados, a uma distância aproximada de 250 metros da manifestação. Enquanto isso, o advogado do MST, Daniel Nunes, resolveu negociar e recolher as armas que estavam em poder dos manifestantes. ?Para não haver conflito, peguei as armas para entregar à PM?, disse o advogado. Ao perceberem a chegada da polícia, manifestantes mostravam-se dispostos a um confronto e chamavam de ?repressão? a presença dos PMs no local. ?Não somos bandidos?, gritavam. |RC