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Sem-terra e �ndios bloqueiam rodovias e fazem at� ref�ns

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FÁTIMA ALMEIDA Repórter Rodovias alagoanas foram bloqueadas, ontem, em sete pontos estratégicos, por manifestações de trabalhadores rurais ligados ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), e índios da tribo wassu-cocal. As paralisações tiveram episódios ousados, como a apreensão de armas da polícia pelos manifestantes sem-terra, a tentativa de manter reféns em Atalaia e um ataque a um caminhão-baú da Nestlé, no Agreste (leia mais na página A14). Na BR-101, bloqueada pelos índios nas imediações do município de Joaquim Gomes, e pelos sem-terra nas imediações de Novo Lino, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) desviou o trânsito por União dos Palmares. Os motoristas que trafegavam pela BR-316, bloqueda pelos sem-terra nas imediações de Atalaia, não tiveram saída. Só restou uma longa espera ou desistir da viagem. Os índios da tribo wassu cocal bloquearam a rodovia desde as 5 horas da manhã de ontem, segundo o cacique Geová Silva, com disposição de só liberar o trecho depois de negociar com o governo do Estado, Funai e Banco do Nordeste a pauta de reivindicações. Até a noite de ontem, o bloqueio dos índios estava mantido. No final da tarde, o coordenador da executiva regional do MST, Edir Paulo, confirmou o desbloqueio das rodovias pelo MST. De acordo com Edir, além dos bloqueios, o movimento fez cinco ocupações de terra no fim de semana. Promessas esquecidas O não-cumprimento da pauta negociada com o presidente nacional do Incra, Rolf Hackbart, que veio a Maceió, no final do mês passado, negociar a desocupação da sede do Incra, após 33 dias de ocupação pelo MST, é o principal motivo alegado pela coordenação do movimento para as manifestações que bloqueram, ontem, seis trechos de estradas em território alagoano. Além das BRs 101 e 316, os sem-terra fecharam rodovias estaduais nos municípios de Arapiraca, Delmiro Gouveia, Maragogi e Paripueira. ?Já se passaram 18 dias, e dos 18 itens que ficaram acordados, apenas um foi cumprido até agora. Para se ter uma idéia, até as cestas básicas que seriam entregues no dia seguinte, antes de deixarmos Maceió, até hoje não foram entregues?, denuncia José Roberto Silva, da coordenação nacional do movimento. Segundo ele, a liberação de crédito de apoio à alimentação para o assentamento Primavera, em Maceió, foi o único item cumprido até ontem. José Roberto destacou que a substituição do superintendente do Incra em Alagoas, Gino César, continua na pauta. ?Nós aceitamos uma proposta de transição e demos uma trégua. Mas até agora a presidência do Incra não fez nada para promover a mudança da diretoria em Alagoas?, destacou ele. Alertas O dirigente do MST avisou que as manifestações vão continuar e, a qualquer momento, os trabalhadores podem retornar a Maceió e reocupar a sede do Incra. ?É só termos a certeza de que as promessas foram esquecidas!?, avisou ele. Entre os pontos negociados com Hackbart, houve o compromisso de viabilizar o repasse para o governo federal de 30 mil hectares de terras que pertencem ao extinto Banco dos Estado de Alagoas (Produban). Também entraram na pauta a assistência técnica para os 32 assentamentos do MST; 5.750 cestas básicas para 64 acampamentos; recursos e alimentação para as 60 famílias do assentamento Primavera, em Maceió. /// Manifestantes abrem via por meia hora No município de Atalaia, manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) bloqueram a BR-316 durante toda a manhã e parte da tarde de ontem. Segundo informação de lideranças do MST, mais de dois mil manifestantes participaram do bloqueio. Eles pedem o afastamento do superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Gino César Menezes, além de cestas básicas e lonas. ?Queremos que nossa pauta seja cumprida. Até agora não tivemos nossas reivindicações atendidas. Desde que saímos da Praça Sinimbu, esperamos o apoio das autoridades, mas até agora, nada?, disse Geraldo Alexandre Pereira, da coordenação do acampamento Ouricuri, localizado em Atalaia. A cada trinta minutos, o MST desbloqueava a rodovia. ?Essa é nossa única forma de reivindicação. Passamos 33 dias na praça e não houve avanço nas negociações. Paramos hoje a BR para ver se conseguimos sensibilizar as autoridades?, acrescentou o coordenador do acampamento. De acordo com Geraldo Alexandre, o Incra prometeu enviar mais de 5 mil cestas básicas, mas a promessa não foi cumprida. A advogada Cláudia Bastos ficou indignada com o bloqueio. ?Tinha que chegar cedo ao fórum de Anadia porque tinha uma audiência marcada?, declarou. O militar Claudionor Silva teve seu veículo retido pelo MST. Ele estava com a sobrinha, que precisava ir ao médico em Maceió. ?Eu respeito o movimento, mas preciso passar?, explicou. O congestionamento na rodovia só não foi maior porque os motoristas que conhecem a região resolveram seguir por um desvio próximo à BR-316. A prefeitura de Atalaia ?doou? 500 pães e 20 litros de refrigerantes para os manifestantes. Paripueira A AL-101, nas proximidades do município de Paripueira, também foi bloqueada pelo MST. Os manifestantes utilizaram para o bloqueio troncos de árvores e pneus, que foram queimados. Maria de Lourdes dos Santos, coordenadora do assentamento Florestan Fernandes, em Paripueira, disse que a manifestação foi realizada como forma de repúdio ao não-cumprimento da pauta de reivindicação do MST. ?Só passa aqui ambulância?, afirmou Maria de Lourdes. O espanhol Luis de Carrion, que atua como empresário em Alagoas, também ficou preso no bloqueio. ?Estava indo para Recife visitar um amigo, mas pelo jeito terei que fazer outro percurso para chegar até lá. Não sabia que isso estava acontecendo?, lamentou o empresário. RC

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