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Pol�tico recebe bomba dentro de caixa

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MARCOS RODRIGUES REGINA CARVALHO Repórteres A cúpula da Secretaria de Defesa Social recebeu, ontem, um caso inusitado: uma bomba caseira dentro de uma caixa-baú que foi enviada para o vereador Venceslau Maia Monteiro (PMDB), da cidade de Jaramataia. O artefato foi enviado na semana passada para um conhecido do vereador, que só entregou a encomenda na última terça-feira. ?Encontrei um conhecido na cidade que me comunicou que haviam deixado uma encomenda para mim. Como não sou de receber presentes, desconfiei, principalmente porque na caixa não tinha o endereço de quem enviou?, relatou Venceslau. A ?encomenda? veio numa caixa de madeira utilizada para acondicionar uísque. Externamente, ela não apresentava nenhuma alteração. Ainda assim, como o próprio vereador desconfiava que pudesse se tratar de uma bomba, a caixa só foi aberta num terreno, com o apoio de um militar. Inimigos O caso foi apresentado ao secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, e ao diretor-geral de Polícia Civil, Roberto Lisboa. Diante dos dois e para a imprensa, o vereador Venceslau Maia disse que não tem inimigos na região. ?Tenho adversários políticos, mas não inimigos?, confirmou, acrescentando que nunca recebeu ameaças. Antes de conversar com a imprensa, o vereador, acompanhado de familiares e assessores, teve uma conversa reservada com o diretor da Polícia Civil, Roberto Lisboa. A ele foram repassados detalhes dos prováveis interessados em atentar contra a vida do vereador. O vereador foi orientado a não dar maiores detalhes sobre os suspeitos e, principalmente, a identidade da pessoa que lhe entregou a caixa com explosivos. O objetivo é não atrapalhar as investigações, que já foram iniciadas pela polícia na cidade. Venceslau é genro do ex-prefeito de Batalha, José Miguel Dantas Rodrigues, o Zé Miguel, morto numa emboscada. A ligação com o sogro, entretanto, não chegou a ser relacionada com a ameaça de bomba. Não estão descartados, para a linha de investigação, como foram os comícios e o processo de disputa eleitoral em Jaramataia. Entre os investigados estarão aliados e até adversários do grupo político de Venceslau. Por isso, a polícia prefere trabalhar em silêncio, a fim de não favorecer o desaparecimento de pistas que ajudem a esclarecer o caso. Segurança A ida do vereador à sede da SDS foi especificamente para oficilizar a denúncia de atentado, que conseguiu evitar. Além disso, Venceslau aceitou a segurança oficial, que será feita por policiais, oferecida pelo secretário Robervaldo Davino. O objetivo é dar tranqülidade ao vereador, que comentou ter alterado sua rotina depois que percebeu que querem eliminá-lo. Especial O secretário Robervaldo Davino confirmou a realização de uma investigação especial. Para o secretário, será a única maneira de elucidar o caso. ?É um caso que não pode ficar sem resposta, principalmente por causa da exclusividade. Acredito que seja a primeira vez que alguém recebe uma bomba em Alagoas?, disse Davino, supreso com os detalhes do caso. Indagado sobre a existência de especialistas na estrutura da secretaria, para a analisar o artefato, ele confirmou a existência de técnicos com esta formação. Davino orientou o vereador a prestar queixa sobre o achado, a fim de que seja instaurado o procedimento investigatório. O secretário evitou falar em prazos para a conclusão dos trabalhos, por reconhecer que não será uma tarefa fácil encontrar o responsável pela bomba. /// Potência era de 50% de uma dinamite A bomba enviada ao vereador Venceslau Maia tinha uma potência aproximada de 50% do efeito destrutivo de uma banana de dinamite, e foi fabricada artesanalmente. Segundo o capitão Pedro Jorge Moura, do Batalhão de Radiopatrulha, informações sobre a fabricação desse tipo de bomba estão disponíveis na Internet. ?Infelizmente, não é difícil encontrar informações de como se fazer bombas caseiras?, disse o militar, que se especializou no assunto durante curso no Rio de Janeiro. Pedro Jorge Moura disse que, para não haver maiores problemas na detonação de bomba como a enviada ao vereador, a pessoa deve estar a uma distância superior a 200 metros. ?Sem dúvida, quem enviou essa bomba não queria apenas assustar?, destacou o capitão, reconhecendo o poder letal do explosivo. Novidade A Polícia Militar informou que essa é a primeira vez que recebe um artefato pronto para detonação. ?Antes, eram somente ameaças que nunca se concretizaram?, declarou Pedro Jorge, surpreso com a ousadia. A bomba enviada, de fabricação caseira, tinha por volta de meio quilo de pólvora que estava dentro de um cilindro (extintor). Desconfiança De acordo com informações da polícia, por volta das 10 horas da última terça-feira, Venceslau Maia recebeu uma caixa grande, de madeira (de uísque Chivas Regal, 12 anos). Estranhando o fato de não haver remetente na encomenda, que estava embrulhada para presente, o vereador ainda ficou um dia com o pacote. Na quarta-feira, dia 20, o vereador resolveu ligar para a Secretaria de Defesa Social, comunicando o fato e pedindo orientações. Diante da suspeita de bomba, o especialista Pedro Jorge foi ao Agreste, onde constatou que o artefato estava pronto para detonação. E o pacote foi trazido para Maceió, ao quartel-geral da Polícia Militar, no Centro. Segundo o subcomandante da PM, coronel Kleberon Melo Costa, o caso será investigado pela Polícia Civil. Diante do secretário Robervaldo Davino e do diretor-geral de Polícia, Roberto Lisboa, o capitão Moura fez uma demonstração de como a bomba seria detonada. No lugar do explosivo, ele usou um copo descartável. Pólvora Segundo as explicações, um gatilho, feito artesanalmente com uma borracha de alta pressão, iria provocar um disparo num cilindro de extintor, recheado com meio quilo de pólvora e envolto num barbante para potencializar a combustão. O mecanismo seria acionado com a abertura da tampa da caixa. Com o auxílio de um fio de náilon, o gatilho seria disparado. Na simulação, o barulho provocado lembrou um disparo de revólver. O diretor-geral do Centro de Perícias Forenses, Aílton Vilanova, também acompanhou a demonstração. Em sua a avaliação, o trabalho de investigação não deve ficar restrito à Polícia Civil. ?A experiência do capitão será muito importante para a apuração deste caso. Não podemos desprezar o seu trabalho?, observou Vilanova, defendendo uma parceria entre as polícias Civil e Militar.|MR/RC

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