Cidades
Viagra pode evitar transplante em crian�as
| CARLA SERQUEIRA Repórter O Viagra, medicamento usado para o tratamento da impotência sexual masculina, está salvando a vida de crianças com hipertensão pulmonar. A experiência é americana, mas já foi implantada no Brasil. No Nordeste, a cardiopediatra alagoana Márcia Souto Maior compõe o grupo que está testando, no Ceará, a eficiência do novo método. A hipertensão pulmonar, segundo a médica, decorre também da cardiopatia, que é um defeito no coração. ?Esse defeito pode ser causado na criança por vários fatores, entre eles remédios que a mãe tomou na gravidez ou doenças genéticas como diabetes?, explicou. Márcia Souto Maior afirma que a incidência da cardiopatia em crianças não aumentou. ?O diagnóstico é que melhorou?, disse, acrescentando que 8 mil crianças nascem com cardiopatia por ano, só no Ceará, onde a médica atua. As crianças que tinham cardiopatia só podiam realizar cirurgias quando atingiam o peso ideal para suportar a intervenção cirúrgica. ?Isso quando o defeito é reversível, senão, só o transplante?, contou Márcia, lembrando da dificuldade de conseguir doadores. ?Se é complicado conseguir um coração adulto, imagine infantil?. O problema se torna crítico quando a criança tem a cardiopatia evoluída para a Síndrome de Eisenrenger. ?É quando o sangue que o coração bombeia fica represado no pulmão, diminuindo ainda mais a força do órgão?, disse a médica. ?Quando a criança adquire a síndrome, o risco de morte súbita é muito maior. É aí que entra o Viagra?, contou Márcia. ?O que se quer é evitar o transplante?. Segundo ela, o Viagra relaxa as veias do pulmão, facilitando a circulação do sangue no órgão. ?Nos Estados Unidos, os homens que utilizavam o Viagra começaram a ser retirados das filas de transplantes?. Mas a médica observa: ?Todos os estudos ainda estão sendo feitos. Ainda é um método experimental?. Há cerca de 6 anos, o Viagra começou a ser utilizado para a hipertensão pulmonar nos EUA e na Europa. No Brasil, os primeiros experimentos foram realizados em São Paulo há 4 anos. ?Estamos tratando cinco crianças com o Viagra?. O tratamento ainda é caro. Custa, por mês, em torno de R$ 4 mil. ?Mas ainda é o mais viável para a realidade brasileira?. Márcia Souto Maior é formada pela Escola de Ciências Médicas de Alagoas (Ecmal). ?O grande problema é que criança não vota. Alagoas tem que mudar esta mentalidade e investir na pediatria para que a criança cresça saudável e se torne um adulto produtivo?, criticou.