Cidades
Internet impulsiona novas profiss�es
| FELIPE FARIAS Repórter O mercado de trabalho baseado nas possibilidades de prestação de serviço e de divulgação, presentes na Internet, apresenta uma situação contraditória: de tão vasto, não tem limites para absorção de mão-de-obra. Essa vantagem faz com que nem os próprios profissionais nele inseridos apresentem interesse em qualquer sinal de regulamentação. Só que essa situação, por sua vez, leva à desvalorização da mão-de-obra. ?Eu trabalhei em web por dois a três anos. Mas o mercado por aqui anda meio ?prostituído?: o cliente não quer pagar o que o trabalho vale e o próprio pessoal se sujeita a fazer por qualquer valor?, resume Luciano Mendes, administrador de rede e ex-webdesigner, o profissional que desenvolve uma parte das páginas dinâmicas que aparecem quando se navega pela rede mundial de computadores, em determinado endereço eletrônico. Insatisfeito, Luciano conta que deixou a atividade e hoje trabalha num cybercafé, onde é o responsável pela estrutura de vinte máquinas e dois servidores que fazem o estabelecimento funcionar. O coordenador do curso de Ciências da Computação de uma faculdade de Maceió, Valdick Salles, diz que o fim de distorções como essas só viria com o reconhecimento da profissão, o que, entretanto, ainda considera uma realidade bem distante: ?Já existe até um projeto em tramitação no Congresso, mas está parado porque não há pressão para que seja aprovado. Não há pressão nem dos próprios profissionais. É que o mercado de trabalho é tão amplo que quem sai da faculdade já está empregado. Da parte das empresas, porém, o desinteresse pela regulamentação se baseia numa questão mais dramática: se você for exigir que uma empresa com determinada quantidade de computadores, por exemplo, seja obrigada a ter um profissional da área de informática, vai ser um caos. Vai parar muita coisa?, sentencia. Essa falta de regulamentação é uma das responsáveis até pela confusão que se costuma fazer ao definir as atividades que podem ser desempenhadas no comando de um computador: ?Esse mercado é tão dinâmico que até definições como webdesigner e webmaster começam a entrar em desuso, substituídas por outras, mais precisas?, explica Henrique Silva Mendonça, analista de sistemas e webmaster, o profissional que faz da programação à arte final de um site. Segundo ele, mesmo tratamento passou a ter o termo nerd, que designa os aficionados por determinadas atividades intelectuais. ### Mercado traz especializações e novas tendência na web ?O termo nerd está mais para definir o ?hacker?, aquele que passa até dez horas seguidas navegando, garimpando e pesquisando - mas, não necessariamente com boas intenções - do que para o profissional que trabalha na web, embora a rede mundial seja realmente um prato cheio para o nerd, também?, explica Salles. Segundo Henrique, o crescente nível de especialização no desenvolvimento de ambientes de rede hoje já começa a incorporar atividades que não se imagina tão ligadas à informática, como redator e profissional de marketing, numa estrutura que se assemelha à de uma agência de publicidade. ?O que vai determinar o tipo de trabalho a ser feito no desenvolvimento de um site é a pretensão do cliente para ele?, explica. Se a idéia estiver mais para a divulgação, pura e simples, do serviço, produto ou marca, é feito um tipo de trabalho. Nesse caso, o que o cliente pretende é estar presente na rede mundial - e só. ?Por outro lado, ele pode querer fazer seu negócio, mesmo, pela Internet, efetuar transações, agregar mais esse valor ao serviço que ele presta?. Nesse caso, o trabalho da equipe que desenvolve os sites passa a ser o de ?transportar? o negócio do cliente do mundo real para o virtual. E dá como exemplo uma empresa cliente para a qual desenvolveu um sistema de compra de estoque pela rede mundial. ?Quando algum insumo está em falta, o sistema acusa e automaticamente avisa a fornecedores em potencial. Eles fazem suas propostas e o próprio sistema as avalia e faz a escolha com base em vários critérios, que podem ser o preço ou a agilidade no fornecimento. Tudo eletronicamente. E essa tecnologia não chega a ser nem tão recente?, explica. CURSOS Em Maceió, há três cursos de nível superior na área de tecnologia da Informação, distribuídos em quatro instituições. Juntos, não teriam mais do que 300 alunos em graduação, dos quais nem a metade entraria efetivamente no mercado de trabalho, ao fim de um ano. Do outro lado dessa escassa oferta de mão-de-obra há uma grande demanda por profissionais, representada por empresas, de variados portes e múltiplos segmentos, que aspiram estar presentes numa rede que, em tese, está em qualquer lugar do mundo. Na prática, segundo o coordenador Valdick Salles, o contingente de profissionais habilitados não passaria de uma centena, atualmente. O desenvolvimento de um ambiente de rede, como são definidos os sites da Internet, pode variar de R$ 1,2 mil a R$ 1,5 mil e consumir pelo menos duas semanas de trabalho com as diferentes telas que se sucedem no monitor, quando o navegante ?clica? nos variados botões. |FF