Cidades
Alagoas est� sem atendimento para beb�s de alto risco
| REGINA CARVALHO Repórter Alagoas está sem hospitais públicos especializados no atendimento a bebês e gestantes de alto risco. A maior referência do Estado, a Maternidade Santa Mônica, não atende pacientes desde a tarde de ontem. Em decorrência da superlotação, a direção da maternidade suspendeu, por tempo indeterminado, o atendimento a pacientes de alto risco. ?Ficaremos sem atender até conseguir recompor a capacidade de internamento?, declarou Laura Dantas, diretora-geral do hospital. Com a falta de leitos para atender pacientes, três bebês prematuros estão ocupando a ante-sala da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal da Maternidade Santa Mônica. A solução paliativa encontrada pela direção esbarra na falta de estrutura do local, e pode agravar ainda mais a situação já delicada dos bebês. Atualmente, 13 bebês estão na UTI Neonatal e mais 48 na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI), totalizando 61 pacientes. A capacidade oferecida, segundo a direção, é de somente 41 pacientes. O diretor-médico da Maternidade Santa Mônica, obstetra José Carlos Silver, reconhece o problema. ?Realmente, temos um excedente de 20 internados?, declarou. O presidente do Sindicato dos Enfermeiros de Alagoas, Wellington Monteiro, revelou números que, de acordo com ele, são estipulados pelo Ministério da Saúde. Segundo ele, a UTI tem capacidade de receber até oito bebês, e a UCI, 24. Interior A direção da maternidade informou que o grande número de mães e bebês vindos do interior do Estado acaba comprometendo ainda mais o atendimento. ?As cidades maiores deveriam contar com maternidade para tratar de mães e bebês de alto risco?, acrescentou José Carlos. O parto de Neirivane de Farias foi realizado no município de Girau do Ponciano, no dia 18 deste mês. Dois dias depois, o bebê teve de ser transferido para a Maternidade Santa Mônica, em Maceió, porque tem um problema digestivo grave e precisa receber tratamento especializado. Superlotação O bebê não tem previsão de receber alta médica. Enquanto isso, Neirivane continua ao lado da filha, dividindo o leito com outras mães ?acompanhantes?. Esse é um dos principais problemas, segundo a direção, que acabam provocando a superlotação na maternidade. ?Enquanto a minha filha estiver aqui, vou continuar do lado dela. Só saio daqui quando ela ficar boa?, disse Neirivane. ?Temos 94 mães acompanhantes internadas (que estão bem de saúde), mas a nossa capacidade é para 90. A única solução foi colocá-las dividindo os leitos. O estatuto prevê que elas continuem ao lado dos filhos. Não podemos resolver isso?, declarou o diretor-médico José Carlos Silver. ### No HU, leitos neonatais estão lotados A Maternidade Santa Mônica e o Hospital Universitário (HU) são os únicos em Alagoas especializados no atendimento a gestantes e bebês de alto risco. No HU, a situação não é diferente da Santa Mônica. A UTI neonatal tem capacidade para receber até dez bebês, mas estava ontem com 17. A direção do Hospital Universitário reconhece que não conta com estrutura adequada para atender à demanda. ?Isso é um problema, não conseguimos diminuir o número de bebês atendidos. Cada vez mais nascem crianças prematuras. Recebi há pouco tempo uma ligação de Penedo, informando que outro bebê estaria vindo para Maceió. Mas como, se aqui e na Santa Mônica está superlotado??, lamentou Délia Hermann, coordenadora da UTI Neonatal do HU. A falta de leitos na Santa Mônica provoca a superlotação e, em conseqüência, a sobrecarga de trabalho. ?Temos atualmente 45 neonatologistas, mas seriam necessários mais 20 profissionais para fazerem o trabalho?, destacou a coordenadora da UTI Neonatal, Sirlene Patriota. A direção da maternidade informou ainda que cada auxiliar de enfermagem atende a três bebês, quando o ideal seriam, no máximo, dois. José Carlos informou que as condições precárias na transferência de bebês e mães que vêm do interior do Estado para realizar tratamento em Maceió acabam provocando a morte de crianças. ?Essa transferência é feita sem condições clínicas, por isso eles (bebês) acabam morrendo?, informou o diretor-médico. O bebê de Maria Aparecida da Conceição, que ainda não foi registrado, passou três meses internado na Maternidade Santa Mônica e recebeu alta médica ontem. ?Ela nasceu de sete meses e tive que vir para cá?, disse Maria, que mora no município de Girau do Ponciano. Natural de Murici, Davina Leite Soares teve o filho prematuro com sete meses e por isso precisou de cuidados especiais. ?Já tive alta, mas vou continuar aqui até que meu filho fique bom?, declarou Davina. Morte Na última sexta-feira, um bebê prematuro de 30 semanas faleceu na Maternidade Santa Mônica. Segundo a direção, a situação do bebê já era bastante delicada quando chegou à maternidade. O diretor-médico José Carlos conta que o hospital atende a um público-alvo (gestantes e bebês de alto risco), e por isso é necessário realizar triagem. ?Muita gente procura a maternidade. Então precisamos realizar uma triagem, através de uma avaliação médica, e daí encaminhar para outros hospitais. Se não houver critérios, a Santa Mônica acabará sendo um Pronto-Socorro?, explicou. Cobrança O presidente do Sindicato dos Enfermeiros cobrou do Ministério Público Estadual uma posição sobre o trabalho dos enfermeiros na UTI Neonatal da Maternidade Santa Mônica. ?Em fevereiro nós formalizamos uma denúncia no MP, mas até agora não houve nenhuma mudança. Eles [os enfermeiros] continuam dobrando os plantões e com fadiga, devido ao excesso de trabalho?, disse. Wellington Monteiro disse que o MP está sendo maleável demais com os gestores públicos. ?É preciso uma atitude mais enérgica?, disse. |RC