Cidades
Morador de grota aciona MP por obras
FELIPE FARIAS Repórter O movimento de moradores de grotas de Maceió recorreu ao Ministério Público para conseguir que sejam realizadas obras para a comunidade do Outro Preto, onde seis moradores morreram após deslizamento de uma barreira que destruiu pelo menos oito casas, em junho de 2004. Até agora, duas obras não foram executadas. Segundo líderes do movimento, isso pode levar à repetição de uma tragédia no local. ?Se essas obras não forem feitas, quando a chuva vier, a tragédia pode ser maior que a do ano passado?, reclama Robson Lima, presidente do Movimento para Humanização das Grotas. Segundo ele, as duas principais reivindicações referem-se ao alargamento de uma ponte sobre o córrego que atravessa a grota e a construção de casas para os moradores que ficaram desabrigados após o temporal de junho de 2004, que provocou a tragédia. ?Essas duas obras deveriam ter sido incluídas na relação de projetos de emergência que foram enviados para o governo federal e que serviu de base para o repasse de verbas?, acrescentou Lima. Depois dos danos causados pelo temporal daquele mês, a Prefeitura enviou para Brasília uma relação de 18 intervenções consideradas de emergência e para as quais foram garantidos R$ 12 milhões. Desse montante, R$ 8 milhões já foram aplicados e, há duas semanas, engenheiros analistas da Secretaria Nacional de Defesa Civil estiveram em Maceió avaliando o andamento das obras. Eles adiantaram que, como as intervenções estavam sendo executadas como previsto, dariam parecer favorável à liberação do restante dos recursos. Emergência Uma das obras cobradas pelos representantes da comunidade do Ouro Preto é a ampliação de uma ponte sobre o córrego que atravessa a grota. Segundo Lima, como é muito baixa, a estrutura acaba represando lixo e lama, o que faz o córrego transbordar quando chove, porque não há escoamento dos aguaceiros. Ele acrescenta que a inundação impede a utilização da própria ponte pelos moradores, porque ela acaba debaixo d?água. A outra reivindicação é a construção de casas populares para as famílias que ficaram desabrigadas com a enchente do ano passado. De início, segundo o representante da comunidade, houve resistência porque as novas casas não poderiam ser reconstruídas no mesmo lugar. Por recomendação da Defesa Civil, não pode haver aplicação de recursos público para construção ou reparo de habitações que estejam em áreas de risco. ?As casas foram mesmo construídas. Há 200 casas populares no conjunto Carminha. Mas ninguém quer ir para lá porque fica muito longe. A maioria trabalha como ambulante e o melhor lugar para vender é na praia. Se for morar no conjunto, vai pagar quase R$ 3 só de passagem de ônibus para ir e vir, o que vai fazer ficar muito caro vender. E lá na comunidade do Tabuleiro não existe comprador?, compara. A comunidade resolveu recorrer ao Ministério Público.