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Alagoana sofre mais em parto de risco

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REGINA CARVALHO Repórter Morte de bebês prematuros, berçários nos corredores de maternidades, parturientes de alto risco sendo ?barradas? na porta em conseqüência da superlotação e remanejadas para outros hospitais e a insuficiência de leitos em UTIs neonatais. Esse é o atual cenário para se dar à luz - em parto de risco - pelo serviço público de Alagoas, de quem não pode ter acesso a planos de saúde. A situação é crítica principalmente na única unidade do governo do Estado que oferece leitos neonatais, a Maternidade-Escola Santa Mônica, no Poço, que nas últimas semanas foi destaque negativo na mídia, pela suspensão - sem prazo determinado - do internamento de novas parturientes de alto risco. HU lotado A situação ficou ainda pior com o anúncio, pelo Hospital Universitário (HU), na última sexta-feira, de outra superlotação: 64 gestantes de alto risco estavam recebendo acompanhamento, mas a capacidade é para apenas 60. Além disso, 17 bebês estavam recebendo atendimento na UTI neonatal, onde deveriam estar somente 10. O único hospital do interior a ter leitos infantis para alto risco, o Santa Rita, em Palmeira dos Índios, também não tinha condições de receber bebês prematuros. Seus oito leitos estão ocupados. ?A solução é encaminhar o bebê ainda na barriga da mãe para outro hospital em Maceió?, admite o médico Emílio Silva, diretor do Hospital. Portas fechadas Diante do quadro desolador, o diretor do HU, Sebastião Praxedes, reconhece o problema e diz que se não forem disponibilizados mais leitos de UTI neonatal em Maceió e no interior, o hospital pode suspender o atendimento a pacientes de alto risco. Segundo a direção do HU, o hospital é procurado diariamente por pacientes do interior do Estado. ?Se essa pressão por leitos do interior continuar - já que ainda atendemos pacientes de baixo risco que estão sendo encaminhadas para outros hospitais - nos próximos dias, fecharemos as portas?, lamentou o diretor o HU, Sebastião Praxedes. ### A via-crúcis de Maria Cícera, 16 anos A via-crúcis de Maria Cícera Lourenço da Silva, de apenas 16 anos, começou na madrugada da última quarta-feira, dia 27. Grávida de nove meses e sentindo fortes dores no abdome, ela saiu de casa, localizada no bairro Village Campestre II, e procurou - em companhia da mãe, Francisca Mariano da Silva - a Casa Maternal Denilma Bulhões, no Benedito Bentes. No exame realizado por médicos da unidade ficou constatado que Cícera estava com pressão alta, o que exigiria atendimento especializado. Responsáveis pela unidade médica resolveram, então, encaminhá-la à Maternidade Escola Santa Mônica. Ainda na manhã da quarta-feira, por volta das 8h20, a adolescente e a mãe chegaram à maternidade, mas sequer foram atendidas por médicos. Permaneceram por alguns minutos em frente ao prédio. SUAVA FRIO Uma enfermeira do Santa Mônica saiu do prédio com uma autorização para encaminhar Maria ao Hospital da Mulher do Sanatório, onde antes funcionava a Paulo Netto, no centro de Maceió. Enquanto isso, a menor suava frio, sentada no banco de madeira, sob um sol escaldante. Ela quase não conseguia se comunicar com a mãe, em decorrência das dores que sentia. Francisca, aflita, pedia agilidade no atendimento e questionava: ?Para onde minha filha vai agora??. Na Santa Mônica, o encaminhamento veio rápido, mas Maria sequer passou pela chamada triagem na maternidade. Nem mesmo sua pressão arterial foi verificada. A pressão alta faz com que a gravidez da adolescente seja considerada de alto-risco, especialidade da maternidade indicada por médicos do Denilma Bulhões. Um veículo da Secretaria Municipal de Saúde conduziu Maria, a mãe e uma enfermeira até a antiga Paulo Netto. O percurso parecia mais demorado por causa do trânsito lento. Ao chegarem no hospital, Maria, a mãe e a enfermeira subiram a rampa em busca de ajuda. Maria Cícera não fez pré-natal e está em Maceió há menos de 20 dias. Ela reside no município de Viçosa, com o avô. Na Casa Maternal Denilma Bulhões, ficou constatado que Maria já estava em trabalho de parto, pois sentia muitas dores, tontura e cefaléia. O diretor-médico José Antônio avisou que a previsão até o término do parto de Maria Cícera seria de seis a oito horas e, ?pelo que tudo indicava?, seria normal. ?Nada impede que esse parto seja feito aqui. O fato de ela estar com pressão alta não significa perigo, porque o problema não é tão grave?, disse o diretor-médico. Cesariana Depois de esperar alguns minutos, a adolescente foi chamada para receber os primeiros cuidados no quarto 106, do Hospital da Mulher. Constatado que ela realmente estava em trabalho de parto, Maria Cícera foi levada para o Centro Obstétrico e em seguida à sala de cirurgia, por volta das 9 horas. Parecia mais calma, mas ainda não pronunciava uma só palavra. Também mais tranqüila, Francisca agradecia a Deus por ter encontrado uma maternidade onde sua filha pudesse fazer o parto. ?Agora meu neto, Tiago, chegou e tudo vai dar certo?, disse, confiante, a mãe de Maria, Francisca. Cuidados Francisca saiu do Hospital Sanatório feliz e tranqüila, avisando que voltaria para a visita das 14 horas. O parto, inicialmente anunciado como sendo normal, foi na verdade uma cesariana. Os médicos resolveram não arriscar, já que a pressão de Maria continuava alta. ?Minha filha continuava muito inchada, mesmo depois do parto. Soube que ela teve problema?, lamentou Francisca.

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