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Em Alagoas, 150 mil t�m mais 40 reais

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FÁTIMA ALMEIDA Repórter O novo salário mínimo de R$ 300 começa a vigorar a partir de hoje - Dia do Trabalhador - em todo o País. Pelos cálculos do economista Cícero Péricles de Carvalho, o aumento do mínimo significa, de imediato, uma elevação na renda de mais de 500 mil famílias alagoanas. São 150 mil trabalhadores com carteira assinada, funcionários ou trabalhadores do setor privado, e um número ainda maior de informais que recebe o mínimo, entre eles, cerca de 60 mil empregados domésticos. Longe de trazer melhoria significativa de qualidade de vida para o trabalhador, a vigência do novo salário significa, por um lado (de quem recebe), pelo menos a reposição das perdas inflacionárias com um pouco de ganho real; por outro lado, principalmente para as prefeituras e micro e pequenos empresários, a hora é de apreensão e cuidado redobrado no ajuste de contas, para não estourar o orçamento. Com a vigência do novo valor, o salário mínimo diário passa a ser de R$ 10,00. Por hora de trabalho, cada trabalhador deve ganhar, no mínimo, R$ 1,36. Na prática, cada trabalhador que ganha o salário mínimo poderá contar, a partir do final deste mês, com R$ 40 a mais no seu orçamento. ?É tão pouco que não dá nem para fazer planos?, diz a comerciária Maria José dos Santos. Na sua avaliação, esse acréscimo quase não é sentido pelo trabalhador, que sofre descontos no salário e paga transporte, aluguel, alimentação, roupa para trabalhar e despesas com a formação educacional dos filhos, mesmo estudando em escola pública. Do salário que ganha trabalhando numa loja de fantasias, no Centro de Maceió, Maria José assegura o próprio sustento e o da filha. ?Quando a gente recebe o aumento do salário mínimo, já está tudo diluído no supermercado, na padaria, no preço do gás, no reajuste das passagens e da energia. Na realidade, quem vive do salário mínimo já vem no sufoco?, reflete ela. ### Comerciantes e patrões já falam de reflexos nos preços Para quem vai pagar, o valor tem um significado diferente. ?O aumento é justo, não é grande coisa para o trabalhador, mas para o empregador, causa impacto na folha e acaba sendo repassado para o consumidor. Isso é ruim, mas é inevitável?, destaca a empresária Genedalva Ventura, patroa de Maria José. Em sua pequena loja, ela mantém dez funcionários. ?O problema não é só o aumento de R$ 40 no salário mínimo, mas também os encargos sociais e uma série de aumentos que vem com ele?, destaca Genedalva. De fato, o impacto sempre existe e é sentido por todos, inclusive pelo próprio trabalhador, em suas relações de consumo. Na ponta do lápis, a dona-de-casa Eloá Lourenço sente os aumento de preços, mas acha que o problema não está relacionado apenas ao reajuste do salário mínimo. ?O salário só aumenta uma vez no ano, mas os preços estão sempre variando, às vezes até para baixo, como é o caso de frutas de temporada?. Por enquanto, o mercado de consumo parece permanecer em calmaria, mas os aumentos são esperados em todos os setores. Para manter os custos com o aumento do mínimo, uma verdadeira cadeia de outros reajustes é deflagrada no ciclo de produção, desde a matéria-prima, até a fabricação. REFLEXOS ?Certamente vai haver reflexo para o produto final a partir deste mês, mas por enquanto não houve mudança. Pelo contrário, como a concorrência tem aumentado, o preço caiu um pouco para sustentar as vendas?, garante o comerciante José dos Santos Neto, que trabalha com laticínios no Mercado da Produção, em Maceió. Na área de carnes, o frango, que já foi referência para cálculos da inflação em outras épocas, mantém-se nos valores anteriores ao anúncio do salário mínimo. ?O preço do quilo está em R$ 3,30. É o mesmo que eu vendia há dois meses?, garante o comerciante Djalma Gonçalves. |FA ### Pelo cálculo do Dieese, novo salário seria de R$ 1.477,49 As afirmativas do comércio são confirmadas em pesquisas realizadas pelo Procon-AL. ?Temos a variação de preços do primeiro trimestre e não percebemos nenhuma mudança. A variação da cesta básica em abril, depois que foi anunciado o novo salário mínimo, não apresenta nenhum impacto?, explica o agente fiscal Murilo Moura, do setor de fiscalização de preços do Procon. Parâmetro Segundo ele, as pesquisas de abril servirão de parâmetro para observar o comportamento dos preços durante o mês de maio, quando entra em vigor o novo salário. A partir daí, e com a divulgação de pesquisas mais consolidadas, é que se verá realmente o impacto do novo mínimo. Não é apenas nas relações de trabalho e consumo que o aumento do salário mínimo causa efeitos e polêmicas. O reajuste foi de aproximadamente 15%, maior que a inflação acumulada nos últimos 12 meses, que ficou em 11,13%, segundo o Indice Geral de Preços (IGP-M), da Fundação Getúlio Vargas. Piso menor Ainda assim, o novo piso é quase cinco vezes menor do que o indicado pelo Departamento Intersindical de Economia Estatística e Serviços (Dieese) como o necessário para atender às necessidades básicas do trabalhador com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. Pelo cálculo do Dieese, o salário mínimo ideal seria de R$ 1.477,49. FOLHA DE PAGAMENTO Por isso mesmo, a história do salário mínimo é recheada de polêmica. Se de um lado os trabalhadores, representados por suas entidades sindicais, reivindicam um aumento maior, do outro os empregadores, principalmente prefeitos e microempresários, estão apreensivos quanto ao impacto gerado nas suas folhas de pagamento.

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