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PAR vira im�vel de luxo no Agreste

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MAIKEL MARQUES Repórter Sucursal Arapiraca - As restrições contratuais impostas aos moradores das 416 casas construídas em Arapiraca por meio do Programa de Arrendamento Residencial (PAR) ficaram apenas no papel. Embora saibam que não poderiam alterar a estrutura física dos imóveis - espalhados em quatro conjuntos na periferia da cidade - centenas de arrendatários investiram ?altas somas? na modificação dos imóveis transformados em ?casas de luxo? que abrigam desde escola infantil até estabelecimentos comerciais. A Caixa Econômica Federal (CEF), entidade financiadora dos imóveis, move centenas de ações de reintegração de posse contra os arrendatários que quebraram cláusula contratual segundo a qual os imóveis não podem sofrer qualquer modificação em sua estrutura física até 2015, quando chega ao fim o prazo de 15 anos estipulado pela Caixa para que os inquilinos adquiram a propriedade definitiva dos imóveis caso estejam em dia com o pagamento das mensalidades. ?O contrato de arrendamento é rígido. Os arrendatários não podem modificar a estrutura das casas sob pena de serem despejados?, adverte Kleber Tenório, sócio-proprietário da Dinâmica Imóveis, empresa contratada pela Caixa para administrar as 416 casas espalhadas pelos conjuntos construídos na cidade: Ceci Cunha II, Ceci Cunha III, Dom Constantino Luers e Campo Verde. Inaugurados em 2000 com a promessa de servir à população de baixa renda, os imóveis do PAR em Arapiraca são moradias de ?gente abastada?. Mansões ?Tem muito figurão do serviço público que mora nas casas do PAR em Arapiraca. Veja aí a mansão do vizinho. Ficou melhor do que muita casa em bairro nobre?, critica um dos arrendatários do Conjunto Dom Constantino e que pediu para não ter o nome identificado. A reportagem da Gazeta de Alagoas percorreu os quatro conjuntos e constatou que mais de 95% dos imóveis sofreram modificações em suas fachadas. Empresa responsável pela administração dos conjuntos, a Dinâmica Imóveis assumiu o ?pepino? um ano depois da inauguração das 416 casas. A maioria dos imóveis já havia sofrido pequenas modificações. ?Depois da construção do muro, fica muito difícil saber o que o arrendatário fez nos demais cômodos do imóvel?, alerta o administrador Kleber Tenório, que preparou e encaminhou à Caixa informações sobre os imóveis que sofreram modificações ou viraram residência de luxo. Com base no princípio da quebra de cláusula contratual, a Caixa move ações de reintegração de posse na Justiça Federal. ?Não há data de julgamento das ações. Se houver ganho de causa em favor da Caixa, muita gente vai deixar os imóveis?, alerta o administrador. Nos cinco anos de existência do conjunto, 100 arrendatários já foram despejados dos imóveis por quebra de cláusulas contratuais. São pessoas que promoveram reformas ou então comercializaram as chaves dos imóveis. A mensalidade do PAR em Arapiraca é de R$ 130. O índice de inadimplência gira em torno dos 5%. Cento e cinqüenta pessoas aguardam a oportunidade de ingressar no programa caso alguém seja despejado dos imóveis. Ao contrário dos imóveis do PAR em Maceió, não há cobrança de taxa de condomínio. O serviço de limpeza e coleta de lixo é de responsabilidade da prefeitura.

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