Cidades
Pais fazem protesto contra a falta de carteiras escolares
BLEINE OLIVEIRA Repórter A frustração dos alunos e a revolta dos pais marcaram, ontem, o que seria o primeiro dia de aula na Escola de Ensino Fundamental e Médio Eunice Campos, no Conjunto Benedito Bentes I, da rede estadual. Com gritos e palavras de ordem contra a Secretaria Estadual de Educação (SEE), eles fecharam a rua com entulho e queimaram pneus, e hoje pretendem ir ao Ministério Público denunciar a situação. Os pais reclamam que faltam carteiras escolares, em número suficiente para os 2.125 alunos matriculados. Reformada e ampliada, a Eunice Campos funciona em três turnos. ?Mas nossos filhos estão estudando sem condições, com risco de adquirir sérios problemas de coluna?, reclama Maria José de Oliveira, que integra o Conselho Escolar daquela unidade de rede estadual. As novas salas, informa ela, dispõem apenas de cadeiras, o que obriga os alunos a se encurvarem para escrever as lições. Repetição Ontem seria o primeiro dia de aula, mas a maioria dos alunos teve de voltar para casa. ?Me sinto frustrado, a gente se arruma pra chegar aqui e não ter aula porque não tem carteira para escrever e nem cadeira para sentar?, disse Marcos Moisés, 14 anos, da 5ª série. De farda e cadernos novos, ele chegou ansioso, mas confiante de que os problemas do ano letivo passado não se repeteriam. Em 2004, os alunos da Escola Eunice Campos enfrentaram o mesmo problema. ?O número de carteira e cadeiras sempre foi menor que o necessário. Agora a gente não vai suportar vê os meninos se envergando pra estudar?, disse Maria das Graças Nascimento Leite, dona-de-casa que tem três filhos estudando na Eunice Campos. A diretora Iraneide de Araújo Costa, ameaçada de responder a inquérito administrativo se não abrisse a escola, disse que a manifestação foi iniciativa dos pais que já se cansaram de recorrer a ela para cobrar a solução do problema. Segundo Iraneide, os pais e os professores fizeram um documento exigindo providências, e isso foi comunicado à Secretaria. Vandalismo O coordenador de Educação da SEE, professor Neilton Nunes, disse que o fato é do conhecimento da Secretaria, mas acusou a comunidade estudantil de ser responsável pela falta de carteiras. A deficiência, disse ele, é de 700 conjuntos (carteira e cadeira), quantidade destruída durante o ano letivo passado. ?Entendemos a destruição como vandalismo e vamos instaurar processo para apurar o que ocorreu?, afirmou Neilton. Segundo ele, a SEE abriu licitação para adquirir 35 mil novos conjuntos, mas a previsão é de que esses móveis só cheguem em 20 dias. A conselheira Maria José disse que as carteiras quebraram durante a transferência de uma sala para outra, no exercício passado. Os pais querem ainda bancos e bebedouros no pátio da escola.