Cidades
Litoral Sul mostra cen�rio de destrui��o
CARLA SERQUEIRA Repórter Quem andou pelas ruas de Miaí de Baixo, um povoado de Coruripe, a 139km de Maceió, depois da madrugada de chuva e vento forte, ficou impressionado com o que restou do lugar. Cerca de cinco bares tiveram paredes e muros arrastados pela correnteza de um rio. Postes foram arrancados do chão. Mesas e cadeiras foram quebradas; barracas de palha arremessadas a metros de distância; e uma ponte simplesmente desapareceu. Nas ruas, as pessoas passaram o dia carregando malas, colchões, eletrodomésticos. Parecia um grande mutirão em busca de abrigo. Familiares abriram as portas para parentes sem casa. Vizinhos se perguntavam o que iriam fazer, onde iriam morar. Funcionários da prefeitura saíram com pranchetas nas mãos contabilizando o estrago. Nas anotações, a morte de uma criança de 10 anos foi registrada. A menina dormia quando uma barreira caiu sobre o teto do seu quarto. Um fogão foi lançado sobre ela e o peso dos escombros tirou a sua vida. Uma outra criança também foi soterrada. Os vizinhos conseguiram resgatá-la. As crianças foram levadas para a cidade de Coruripe, e ficaram colchões das escolas que serviram de abrigo. ?Foi uma noite de terror. Ninguém dormiu em Miaí?, contou um morador que usava a sua moto para fazer a travessia de pessoas gratuitamente, num trecho do povoado inundado por um mangue. Ameaça no céu Uma nuvem pesada e escura permanecia sobre o litoral sul de Alagoas durante a tarde de ontem. Parecia um aviso da natureza. Apesar dos estragos da noite passada, muitos moradores não quiseram abandonar seus poucos pertences e resistiam ao apelo do Corpo de Bombeiros. ?A nossa maior preocupação é com as comunidades ribeirinhas. O sertanejo não tem medo de chuva. Tem medo é da seca?, observou o major Sales, comandante do 6º Batalhão do Corpo de Bombeiros. Na rodovia AL-101 Sul, uma tubulação que passava por baixo da pista invadiu o asfalto. Duas crateras bloquearam a passagem de veículos. Até ontem à noite, ninguém conseguia passar. Ao todo, cerca de três mil moradores perderam suas casas. Boa parte da cidade de Feliz Deserto desapareceu sob a água da chuva. A prefeitura e a biblioteca do município tiveram seus prédios totalmente alagados. Só em Coruripe foram 47 bilhões de litros de água derramados, segundo o meteorologista Luís Carlos Mion. A Defesa Civil sobrevoava a região para ter uma noção completa do estrago.