Cidades
Correnteza arrasta bares e casas no povoado de Mia�
CARLA SERQUEIRA Repórter A madrugada de ontem no povoado de Miaí de Baixo, em Coruripe, foi de desespero para os moradores. Um volume de chuva de 158 milímetros, algo equivalente a 47 bilhões de litros de água, inundou centenas de casas. Bares na orla tiveram paredes e muros arrancados pela correnteza de um rio que destruiu também uma ponte. As barracas de palha na areia foram lançadas a metros de distância pelos ventos fortes. Uma barreira caiu e matou uma criança de 10 anos. A população passou o dia inteiro de ontem mudando de casas. Quem mora perto das encostas deixou suas residências e foi para a casa de familiares. Até a tarde de ontem, o número de desabrigados era superior a 200. A chuva começou por volta das 20h. O nível da água de um rio que corta o povoado, conhecido como Barra do Miaí, começou subir na madrugada, quando a maior dos moradores estava dormindo. ?Acordei com a vizinha pedindo socorro. Eram 3h da manhã. Minha casa começou a encher de água. Perto das 5h recebi a notícia de que meu bar tinha sido levado pela correnteza?, contou José Ézio da Cruz, 33, que há 22 anos administrava o bar. ?Nasci e me criei aqui. Nunca vi uma coisa dessas?. Ao todo, cinco bares foram destruídos e ilhados. A ponte que dava acesso à area foi levada pela correnteza. Três postes caíram. O povoado ficou boa parte do dia sem água e energia. ?A água batia no peito. Foi um sufoco sair com a esposa e meus cinco filhos pequenos. Não sei como vou fazer agora. Todo o meu sustento saía do bar. Não tenho para onde ir. Estou nas mãos de Deus?, relatou Waldomiro José da Silva, 48, outro proprietário que perdeu dois congeladores, fogão, mesas e cadeiras. Ao todo, cinco bares foram atingidos na Praia de Miaí. Soterrada Próximo à AL-101 Sul, ainda no povoado de Miaí de Baixo, os quartos de uma casa foram totalmente destruídos por uma barreira. Em um deles dormia Valdenice e Valdelice Ramos da Silva. As duas eram irmãs e foram soterradas na madrugada de ontem. Valdenice, de 10 anos, não resistiu ao peso dos escombros e morreu no local. Valdelice, de 9, foi salva por moradores. Os pais das crianças, Valdemar Gouveia e Marlete Gomes, passaram a tarde acompanhando a liberação do corpo, que seguiu para o Instituto Médico Legal (IML) para depois ser velado em Coruripe. ?A sorte da outra menina foi uma pedra que rolou e a protegeu das paredes que caíam?, explicou Cícero Gontílio, de 45 anos, um dos voluntários que ajudaram na remoção das crianças. Na Escola Inácio de Carvalho, no Centro de Coruripe, 22 famílias da Rua da Rodagem ocuparam as salas de aulas. ?Desde ontem [quarta] que não durmo?, disse Nelsa Maria da conceição, 56, que divide uma casa de taipa com mais oito pessoas, entre elas duas gestantes e quatro crianças. ?Ontem dormi na casa de parentes. Deixei a minha casa com medo de morrer?, dasabafou Maria Lúcia dos Santos, de 43 anos. Socorro Federal Os municípios de Feliz Deserto e Coruripe decretaram estado de calamidade pública. Ao todo são mais de três mil desabrigados no Litoral Sul de Alagoas. O secretário Executivo da Defesa Civil, Antoney Freitas dos Santos, sobrevoou a região. ?A situação é muito grave, principalmente em Feliz Deserto, onde 80% da cidade está inundada?, contou. O governo federal vai enviar uma ajuda emergencial para Alagoas. Serão doadas mil cestas básicas e medicamentos para ajudar as famílias atingidas nos municípios de Penedo, Coruripe e Feliz Deserto.