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Menina soterrada esperava chegada dos pais em barraco

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FELIPE FARIAS Repórter O caseiro Jânio Marques da Silva, dono do barraco que desabou na Travessa Pio III, na Grota do Rafael, disse que havia pelo menos quatro crianças no imóvel na hora do desabamento, no final da manhã de ontem. ?Elas tinham chegado da creche mais cedo porque teve uma festinha, em comemoração ao Dia das Mães. A Laura esperava pelos pais, só estava fazendo uma visita?, contou o caseiro, que, durante o soterramento, trabalhava no bairro de Riacho Doce. A filha dele, Geovana Santos Marques, também de quatro anos, estava na mesma cama com Laura, no quarto atingido pelo deslizamento. A filha de Jânio só escapou porque, segundo os vizinhos, ficou com a cabeça protegida sob o catre da cama, que se quebrou e pendeu para o colchão, sob a força da lama, mas serviu de barreira, impedindo que os entulhos atingissem a cabeça da criança. Mas Laura, que estava deitada com a cabeça para o meio do colchão, acabou totalmente coberta pelo barro que desceu da encosta. ?A gente estava almoçando. Quando percebeu foi aquela gritaria do povo dizendo que a barreira tinha caído em cima de duas meninas?, relatou o garçom Salviano da Silva, um dos moradores da comunidade que participaram do mutirão de socorro às meninas. Os escombros estavam justamente em cima da cama em que estavam as crianças. ?Quando a gente cavou, viu logo a primeira criança, que deu para tirar. Mas, só depois disseram que havia outra menina?, contou. Escombros O que mais dificultou o salvamento, segundo o morador, foi o fato de o barro estar misturado aos blocos de pedra da parede da própria casa. Foi o que fez os vizinhos gastarem pelo menos dez minutos para alcançar o corpo de Laura. ?Acho que ela ficou abafada, sem conseguir respirar?. Jânio e a família se mudaram para a casa de parentes, na própria Grota do Rafael. ?Agora é tentar construir outra casa?, se resignou. Salviano chamou a atenção para o esgoto que continuava a escorrer sobre a barreira. ?Foi a infiltração que levou a barreira a ceder, já que não chovia na hora do acidente?, lamentou. ### Defesa Civil define abrigos, mas retirada só em último caso A Defesa Civil de Maceió informou que as famílias das três casas que desabaram ontem foram abrigadas na residência de parentes. Três locais já foram destinados para receber flagelados, mas, segundo o coordenador, Adriano Araújo, a remoção só será realizada em último caso. O órgão continua de prontidão, com os integrantes pernoitando na sede da Secretaria de Controle do Convívio Urbano (SMCCU). O estado de alerta será mantido até que a meteorologia informe que a ameaça de novas chuvas está afastada. A única operação de hoje que estava definida era a demolição da casa do Morro da Borracheira, no bairro do Mutange, que ameaça desabar sobre outras casas, já que ficou com a estrutura comprometida pelo deslizamento da barreira. DEMOLIÇÃO No imóvel de baixo, os estragos se resumiram à queda de uma parede, que não chegou a comprometer o restante da casa. Por isso, a família que residia no imóvel condenado foi abrigada em outras casas da área. Esta foi uma das ocorrências registradas ontem, em Maceió. Além da mais grave, em que morreu a menina Laura Lima, de 4 anos, outro desabamento deixou uma família desabrigada na mesma Grota do Rafael. A dona de casa Cícera dos Santos disse que os indícios do acidente começaram a ser percebidos por volta de 4h30 da manhã, por meio de estalos na madeira. Ela conta que pediu socorro aos vizinhos e conseguiu retirar os cinco filhos da casa. Logo em seguida, o barraco cedeu pela encosta abaixo. Sobrevivente Esta foi a segunda vez que Cícera sobreviveu a um deslizamento na mesma localidade. O acidente anterior ocorreu há cerca de doze anos e, a exemplo do ontem, também comprometeu as casas situadas nos trechos inferiores. Até o fim da manhã, quando o coordenador da Defesa Civil do município esteve no local, a fiação da casa desabada permanecia exposta. Desde a última quinta-feira, foram registrados desabamentos na região do Mercado da Produção, onde o teto de uma casa caiu, e, na Favela do Bolão, onde um muro ameaçava uma casa, a estrutura foi demolida pelas equipes da Defesa Civil, que foi avisada de uma ameaça de deslizamento e desabamento no Conjunto Selma Bandeira, no Tabuleiro do Martins. Do tamanho da cidade Segundo o coordenador da Defesa Civil do município, a previsão, até o início da tarde, era de aproximação de um sistema climático definido como célula. ?Na hora em que nos informaram, a célula estava em alto-mar, a uma distância de 39 quilômetros e se deslocando a uma velocidade de 17 quilômetros por hora?, relata o coordenador. A extensão da célula correspondia a de toda a cidade de Maceió e, pela velocidade de deslocamento, sua chegada era prevista ainda para a noite de ontem. Mas havia a perspectiva de que o sistema pudesse se dissipar antes de atingir o continente. Segundo Araújo, tudo dependia das condições climáticas observadas ao longo do percurso do sistema. Segundo o coordenador, três locais já foram destinados a servir de abrigo para as pessoas que perderem as casas: a área externa da Secretaria Municipal de Educação, um acampamento montado na Chã Nova e o ginásio do antigo Colégio Crispiniano Portal. ?Mas, até quando pudermos, vamos orientar os desabrigados a procurar a casa de parentes ou até voltar para interiores. Colocá-los nos abrigos só em último caso?. |FF

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