Cidades
Queda de barreira faz 2 v�timas fatais
FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter Duas crianças morreram soterradas, depois da queda de uma barreira sobre uma casa, no início da noite de quarta-feira, no povoado de Pontal do Coruripe. Com a morte de Fernando Camilo do Nascimento, de 2 anos, e Vanessa do Nascimento dos Santos, de 1 ano e dois meses, o número de vítimas em Coruripe subiu para três, já que outra criança de 10 anos havia morrido na manhã do mesmo dia. Segundo o prefeito Max Beltrão, mais de duas mil pessoas estão desabrigadas no município. ?Suspendemos as aulas nas escolas públicas, para alojar as vítimas da chuva que ficaram sem teto?, informou o prefeito. Beltrão iria entrar ainda ontem com pedido de decretação de estado de Calamidade Pública no município. Casas destruídas A prefeitura informou ainda a destruição de mais de 100 casas; pelo menos mais 700 estão condenadas e devem ser reconstruídas. Segundo o prefeito, a maioria dos desabrigados teve suas casas totalmente perdidas, outros foram obrigados a deixar a área, em conseqüência da queda de barreiras, em áreas de risco da região. No local onde as duas crianças morreram soterradas na noite de quarta-feira, as famílias já tinham sido notificadas pela Defesa Civil Municipal para abandonarem suas casas porque havia risco de deslizamento de barreira. ?Só que eles resistiram em deixar seus imóveis?. As duas crianças mortas moravam numa casa na Vila Santa Rosa, em Pontal do Coruripe, local cercado por barreiras. Mais seis pessoas estavam na casa que desabou, entre elas mais duas crianças, que conseguiram ser resgatadas com vida, com a ajuda de vizinhos e de policiais militares. Segundo a mãe das crianças, Maria Sandra dos Santos, a barreira desabou por volta das 18h30. ?Chovia muito e sai para pedir socorro aos vizinhos quando a casa desabou sobre meus filhos?. Filhos sobreviventes O filho mais velho de Sandra, José Edson dos Santos, 10, foi levado para o hospital de Coruripe com ferimentos leves e outra filha, de 9 anos, sofreu ferimento na cabeça. Sem local para ficar com os filhos sobreviventes, Sandra está abrigada na Escola Pública de Pontal do Coruripe, onde estão mais de 600 pessoas. José Tenório dos Santos, tio das crianças mortas, que também mora na Vila Santa Rosa, disse que pelo menos sete casas desabaram no local e outras continuam ameaçadas. ?Agora é esperar que a prefeitura construa casas para a gente morar num local mais seguro?. O desempregado Antônio de Sousa, que há 60 anos mora no Pontal, disse que a queda de barreiras só passou a ocorrer depois que começaram a ser construídas barragens na região. O clima é de apreensão para as famílias que moram próximas a encostas. Elisabete Barros de Lima decidiu se abrigar na escola pública de Pontal do Coruripe, depois que teve a casa invadida pelo barro da encosta. ?O sonho de toda uma vida foi por água abaixo?, lamentava-se Elisabete, que há quatro anos conseguiu construir uma casa de taipa no povoado Maruim. Ela disse que nunca tinha visto um volume de água como esse atingir o município e causar tanto estrago. ### Apoio do governo é lento, diz prefeito O prefeito de Coruripe, Max Beltrão, reclamou da demora da chegada das equipes da Coordenação Estadual da Defesa Civil ao município. ?Desde ontem [quarta-feira] informei sobre a situação do município e só hoje [ontem] a equipe da Defesa Civil chegou?, disse. Em contato com o governador Ronaldo Lessa, Beltrão disse que recebeu a promessa de que serão enviados alimentos e medicação para os desabrigados. Com recursos próprios do município e ajuda de algumas usinas da região, o prefeito vem garantindo a alimentação das famílias desalojadas, distribuídas nos colégios públicos locais. Segundo Max, Coruripe jamais tinha recebido um volume de água tão grande quanto o que inundou o município. ?De acordo com informações da Usina Coruripe, choveu num só dia 500 milímetros, o que corresponde a seis meses de chuva torrencial?. A chuva causou danos em vários povoados, como Pontal do Coruripe, Miaí, Lagoa do Pau, Poxim e nas terras da Cooperativa Pindorama e provocou inundações e danos a casas no Centro de Coruripe. Defesa Civil Uma equipe da Coordenadoria Técnica de Defesa Civil da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) iniciou ontem o levantamento para realização da Avaliação de Danos (Avadan), documento indispensável para que o município possa decretar Situação de Emergência ou Estado de Calamidade, obedecendo a uma classificação estabelecida pelo Sistema Nacional de Defesa Civil. O ex-comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Antônio Almeida, que faz parte da coordenadoria da AMA, disse que paralelamente à Avadan será feito o Plano de Trabalho. O plano servirá para quantificar os valores dos danos causados pela chuva, para que o município possa receber ajuda federal, depois de ter reconhecido o pedido de Situação de Emergência ou o Estado de Calamidade. DESVIO Técnicos do Departamento Estadual de Rodagem (DER) construíram um desvio no trecho da AL-101 Sul, próximo ao povoado de Miaí. O rompimento de uma tubulação de água abriu uma cratera de mais de dois metros de profundidade na pista, interrompendo o tráfego na rodovia AL-101. Só que pouco depois de aberto o desvio, um caminhão tipo baú atolou e o tráfego na rodovia voltou a ser interrompido por algumas horas. Para chegar a Feliz Deserto, que até ontem continuava completamente alagada devido ao transbordamento do Rio Conduípe, os motoristas tinham que seguir pela BR-101, pegando a estrada para Penedo. O grande volume de água também provocou a destruição de casas e bares na Praia de Miaí. De acordo com alguns moradores, nunca a chuva tinha provocado tantos estragos ao lugarejo. Alguns atribuíam o problema a uma barragem construída pela Usina Coruripe, na cabeceira do rio. |FA