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Cidades

6 mil novos carros por ano

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FÁTIMA ALMEIDA Repórter Mais da metade da frota do Estado, que há dois anos já era superior a 260 mil veículos, circula no sistema viário da capital, que há muito tempo vem dando sinais de estrangulamento nos horários de pico, em determinados trechos, como a avenida Fernandes Lima, a área no entorno do Centro e da Avenida Afrânio Lages (Leste-Oeste), além de alguns trechos de acesso à parte baixa e à região das praias, como a ladeira da antiga rodoviária. A tendência é piorar, se intervenções de grande porte não forem adotadas. A última foi a construção do viaduto Ib Gatto Falcão, no Poço, há cerca de cinco anos. O crescimento da frota acontece em níveis infinitamente maiores do que essas intervenções. Para se ter uma idéia, no final de 1993 Maceió tinha uma frota de 83.230 veículos. Em 2003 já eram 150.348; um crescimento médio de 6.711 ao ano. Isso significa quase 600 novos veículos no trânsito a cada mês, sem contar com a frota do interior. A média total de crescimento no Estado tem proporções bem maiores. Em 1993 eram 122.045 veículos, passando a 265.784 em 2003. São cerca de 14 mil veículos a mais por ano, o que dá mais de 1.150 novos veículos por mês. A frota do interior circula com freqüência nas ruas da capital, aumentando o inchaço do trânsito, que em dados momentos torna-se insuportável. ACESSO MAIS FÁCIL A estabilidade econômica do País tem levado uma camada cada vez maior e socialmente diversificada da população a incluir a compra de um carro na lista de bens de consumo. Aparentemente mais até do que a casa própria. Isso pode levar a uma ?explosão? no crescimento do número de automóveis nas ruas, capaz de inviabilizar o tráfego em algumas vias. Um bloqueio na Fernandes Lima ou na Praça dos Martírios transforma em, poucos minutos, a vida dos motoristas e usuários em um ?inferno? durante horas. Situações relacionadas a problemas no trânsito para justificar atrasos a compromissos, antes um ?privilégio? dos grandes centros urbanos, tornam-se cada vez mais comuns na capital das Alagoas. Basta uma manifestação de estudantes; ou alguns momentos de chuva; ou uma pequena obra no acostamento; ou um acidente de pequena dimensão; ou um semáforo quebrado. POUCAS ALTERNATIVAS O crescimento da frota, portanto, não é o único fator que compromete a capacidade do sistema viário de Maceió. As poucas alternativas de saídas paralelas das vias principais e para escoamento do trânsito nas áreas de grande concentração urbana, constituem, também, um fator importante. Somem-se a eles, ainda outras situações como a sinalização (principalmente a quantidade de semáforos), estado de conservação das vias, obstruções na pista e até nas calçadas, deficiência no sistema de transporte coletivo (incluindo os corredores de transporte) e imprudência dos motoristas. O resultado, todos conhecem, principalmente quem se locomove diariamente no percurso inevitável para a escola ou o trabalho. Na avaliação da engenheira de trânsito Rosineide Honorato, a avenida Fernandes Lima não opera com toda sua capacidade, embora chegue a registrar um fluxo de 3.500 veículos por hora em momentos de pico, segundo contagem volumétrica feita pelo Detran. Há vazios provocados por fatores diversos, como as filas nos retornos, acidentes causados pela imprudência dos motoristas, paradas de ônibus, e obstáculos temporários, como veículos parados ou manifestações públicas. ### Planejamento urbano é vital ao trânsito Para a engenheira de trânsito Rosineide Honorato a Avenida Fernandes Lima poderia oferecer bem mais condições de tráfego. ?Há vários fatores na definição de capacidade viária, entre eles a largura da via, das faixas e da calçada, e as obstruções laterais formadas pelo mobiliário urbano, que aparentemente seriam inofensivas ao trânsito, mas desviam a atenção do motorista ou levam-no a desviar levemente o carro para o sentido contrário, provocando vazios que afetam a capacidade da via?, explica ela. Segundo Rosineide, um dos problemas do trânsito está na velocidade do próprio fluxo. Se houvesse possibilidade de uma velocidade operacional, mas sem obstáculos, grande parte dos problemas nas vias de Maceió não existiria. No entanto, os obstáculos existem e alguns são indispensáveis nos perímetros urbanos, até para viabilizar o próprio trânsito e a vida dos pedestres. ?Os semáforos, por exemplo, muitas vezes constituem um fator de estrangulamento, mas são importantíssimos para o controle e ordenação das correntes de fluxo?, esclarece ela. Rosineide destaca, entretanto, que não dá para fazer qualquer avaliação sobre os problemas do trânsito sem levar em consideração o planejamento urbano em itens como ocupação do solo, transporte e circulação (trânsito) das pessoas, e o fato de Maceió não ter ainda um Plano Diretor pesa na situação do sistema viário. ?O ideal seria que o assentamento no solo ocorresse junto com as condições de transporte e circulação. Um depende do outro. Esse planejamento integrado traria melhorias na capacidade de vias como a Fernandes Lima?, diz ela. O que vem acontecendo em Maceió é um processo avançado de ocupação urbana da periferia, sem planejamento da questão do transporte. ### Desafio é equalizar frota e capacidade de tráfego em vias Conciliar o crescimento da frota e a capacidade das vias de Maceió é um dos grandes desafios da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT). Se a cada mês mais de 500 veículos são acrescentados à frota, o mesmo não acontece com as ações do poder público, que leva anos para acrescentar uma nova via no sistema viário. ?São poucas vias para muitos veículos. A ferramenta mais viável é a sinalização, mas existem limites?, observa o assessor especial de Trânsito da SMTT, José Moura. Ele reforça a hipótese levantada pela engenheira Rosineide Honorato, de que a Fernandes Lima não é aproveitada em todo o seu potencial. ?Isso reduz a sua capacidade, que em alguns pontos fica em apenas um terço do que poderia dar, como nos trechos de retorno, que subdimensionam e afunilam o trânsito?, diz Moura. No final do ano passado, a prefeitura começou a colocar em prática o projeto de contorno de quadras na Fernandes Lima, visando eliminar os congestionamentos formados pelas filas do retorno. O primeiro, nas imediações da Casa da Indústria, está em pleno funcionamento, e, segundo avaliação da SMTT, cumprindo muito bem a sua finalidade. ?Melhorou tanto quanto o esperado, mas faltam os outros contornos para o resultado pleno?, diz José Moura. Segundo ele, a SMTT já está fazendo o levantamento de custos para a implantação dos outros contornos: no Cepa; na saída da Avenida Rotary e, provavelmente, na Gruta. Investimento Ele destaca que o investimento no trânsito tem que ser constante. ?Mas o município sozinho não pode com altos investimentos?. Na sua opinião, a quantidade de veículos existentes em Maceió já está acima da capacidade das vias, embora não seja tão grande em relação à população, quando comparado a outros centros. O problema está na falta de alternativas de vias. Além de não ser uma cidade plana, Maceió não tem ruas contínuas, paralelas às grandes artérias, e isso prejudica o fluxo do trânsito. ?As obras do Centro, entre o final do ano passado e o início deste ano, criaram transtornos imensos, tornando alguns trechos intransitáveis?, lembra Moura. FA

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