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Macei� passa aperto em banheiro p�blico

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CARLA SERQUEIRA Repórter Em momentos de aperto, uma visão de banheiros públicos vira objeto de desejo para transeuntes que estão longe de casa. Muitas vezes, a saída tem que vir rápido, ou a via pública acaba virando vaso sanitário. Em Maceió, não é difícil presenciar este tipo de cena. Dos oito banheiros públicos construídos na cidade, apenas um funciona, mas só em horário comercial. Foi nos primeiros dias de 1928 que Maceió inaugurou seus primeiros vasos sanitários abertos ao público. No Coreto do Jaraguá (próximo à Secretaria Estadual de Saúde), damas e cavalheiros do início do século XX podiam suspirar sossegados, caso sentissem vontade de urinar enquanto passeavam entre os trapiches ou armazéns. Até banho era possível tomar no local. Hoje, a sensação é de náusea para quem se atreve a se aproximar do antigo monumento. Apesar de terem suas portas constantemente fechadas, os dois banheiros públicos continuam servindo de local para a eliminação de dejetos humanos. A parte externa do coreto virou um verdadeiro sanitário a céu aberto. Azar dos turistas que desde o dia primeiro deste mês visitam Maceió. Quatro catarinenses, de Florianópolis, resolveram, antes de almoçar, conhecer de perto o Coreto de Jaraguá, onde poemas escritos nos muros complementam o convite. ?Amigos nos recomendaram a cidade. Estamos adorando, mas em termos de infra-estrutura, Maceió é uma tristeza. Tá sentindo o mal cheiro??, perguntou Maria José Cabral, lamentando o estado do lugar. ?Na orla chegamos a ver um senhor acocorado. E não era xixi, não?, contou a outra turista, Suely Cabral. Na Praia da Pajuçara quatro banheiros públicos foram instalados na Praça Multieventos. ?Não interessa uma obra pronta sem manutenção. Isso aqui virou uma imundície e motivo de vergonha para nós, maceioenses?, revelou o estivador Joaquim Genésio da Silva, 49 anos, que defende a cobrança de uma taxa simbólica para fazer uso de banheiros bem conservados. ?Numa necessidade a gente paga qualquer coisa?, frisou. Dos dois banheiros construídos na Praça Montepio, apenas um funciona. Para evitar a ação de vândalos, um funcionário da prefeitura cuida da manutenção e inspeciona quem pode ou não utilizá-lo. ### Prefeitura promete banheiros no Centro e orla da capital Para o urbanista Pedro Cabral, a necessidade de banheiros públicos para os moradores e visitantes de Maceió é uma questão de bom senso. ?Este tipo de mobiliário urbano é extremamente necessário para qualquer cidade. Ao invés de gastar verba pública com auto-promoção, os administradores deveriam priorizar o conforto da população?, disse. Segundo ele, a necessidade da instalação de banheiros nas capitais é ainda maior, por ser um ponto de referência para moradores do interior. ?Muita gente vem de cidades menores fazer compras, consultas médicas e precisa ter um apoio logístico. Ainda mais em Maceió, onde o sol é escaldante?, afirmou, frisando também a importância de chuveiros públicos. O superintendente Municipal de Controle e Convívio Urbano, Edinaldo Marques, garantiu que dentro dos projetos de revitalização do Centro e da Orla de Maceió está incluída a construção de banheiros públicos. ?Serão cerca de 5 ?mixes? entre o Atlantique e o Alagoinha, cada um com dois banheiros (masculino e feminino)?, afirmou, dizendo que a prefeitura está estudando a possibilidade de cobrar um taxa mínima para garantir a conservação. Enquanto a requalificação do Centro não fica pronta, proprietários dos churrasquinhos da Praça dos Palmares pagam, toda semana, R$ 10 à dona de um hotel, para que as mulheres possam usar o banheiro. ?Já perdi clientes porque não temos banheiros aqui. O pessoal vem para tomar cerveja e, com frequência, precisa urinar?, explicou José Maurício dos Santos, de 27 anos, um dos vendedores de churrasquinho. ?Os homens têm que se virar. O jeito é usar o muro ou os postes?, contou. Para os camelôs, a situação é ainda pior. ?Tem que ter amizade, senão...?, disse João Batista Cavalcante, que há 23 anos trabalha no Centro de Maceió. ?Quando preciso, vou no bingo ou à loja de um conhecido?. Nas escolas públicas, os banheiros também não recebem manutenção devida. ?Estudo aqui há três anos, nunca vi papel higiênico?, afirmou uma aluna do Centro de Estudos e Pesquisas Aplicadas (Cepa), que pediu para não ser identificada. A diretora da unidade, Margarete da Silva, justificou. ?Se gasta muito papel higiênico. Para compra de material de limpeza e papelaria só recebo R$ 5 mil por ano?. Muita gente, nas praias de Maceió, apela para as barracas da orla. ?A procura é grande. Não é todo mundo que a gente deixa. Já vi turista indignado perguntando ?como é que uma praia dessa não tem banheiros públicos??? Enquanto Isso... Uma cidade da Coréia do Sul chamada Suwon tem como cartão-postal banheiros públicos, inaugurados, geralmente, com apresentações de concertos musicais. Além de boas condições, eles oferecem também revistas e jornais do dia. Na China, os antigos banheiros serão trocados por outros, autolimpantes, até 2008. Com uma moeda depositada, a porta se abre. Ao fechá-la, um sistema inicia a limpeza automaticamente.

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