Cidades
Coronel admite defici�ncia no Corpo de Bombeiros
BLEINE OLIVEIRA Repórter Oficiais do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas (CBM-AL) têm a mesma visão externada pelo capitão BM Carlos Gustavo Holmes Buriti que, na semana passada, provocou celeuma nas hostes do governo ao tornar públicas as deficiências da corporação. Embora falte ao capitão competência (no sentido de não ser a autoridade indicada para fazê-lo), a manifestação de Buriti revela um quadro de risco para toda população. ?O risco existirá sempre. Mas se estivéssemos melhor preparados todas as ocorrências seriam minimizadas?, declara, textualmente, o comandante operacional do Corpo de Bombeiros, coronel BM Jadson José dos Santos. A afirmação do oficial assume proporções de gravidade, pois é ele o responsável por todas as operações do CB, ou seja, o coronel Jadson conhece, mais que ninguém, as deficiências da corporação. Tem que rezar Para que se tenha uma idéia do que significa o que ele diz, o coronel foi levado a imaginar um incêndio num dos prédios mais altos do Centro da cidade. Sugerimos o prédio do antigo Inamps, na Praça dos Palmares, e a pergunta foi: o que ocorreria se, ali, houvesse um incêndio de grandes proporções? ?É preciso rezar!?, exclamou o oficial, para em seguida completar: ?Num caso assim os riscos são maiores, pois as condições de operação estão abaixo do ideal?. O coronel Jadson explica que os bombeiros teriam que subir as escadas do edifício para socorrer vítimas ou apagar chamas nos últimos andares. E isso exigiria mais tempo e maior esforço. Sem um importante equipamento, a famosa escada Magirus, os valorosos bombeiros militares sairiam de uma tragédia assim - que Deus nos livre, ?como heróis duas vezes?, acrescenta o comandante de operações. Há mais de 10 anos sem manutenção, a única escada Magirus do CB/AL está fora de combate. Sua recuperação exigirá R$ 400 mil do governo do Estado que, segundo o coronel Jadson, ?dá sinais? de que vai providenciar a liberação do recurso. A compra de uma escada nova, maior e mais moderna do que a que dispõe o CB, é estimada em R$ 1,5 milhão. A daqui, que tem 30 metros de extensão, foi avaliada recentemente por técnicos do Rio de Janeiro em R$ 700 mil. Para cada uma de suas operações (de combate a incêndio, busca, resgate, salvamento e prestação de socorro), o CB dispõe de três guarnições. São equipes que funcionam em turno de 24 horas. O problema é um só. Na hipótese das três guarnições serem necessárias, faltará equipamento para todos os bombeiros. Essa é uma das verdades que está na nota tornada pública pelo capitão Carlos Buriti. ?Mas em nenhum Estado o CB está 100% equipado?, tenta minimizar o coronel Jadson Santos, entrando numa contradição. Ele próprio diz que ?só nos grandes estados, como Brasília, Rio de Janeiro ou São Paulo é difícil que ocorram problemas como os que vivemos aqui?. Mas não há palavras para explicar, admite o oficial, porque, ?durante um incêndio, um soldado deve revezar o capacete com um colega, e respirar fumaça, quando deveria ter seu próprio equipamento?. Continua na página E7 ### Concurso não vai resolver problema da falta de pessoal ?Até hoje a corporação não foi prestigiada como é necessário?, reclama o coronel Jadson José dos Santos. E um dos exemplos é o concurso para bombeiro temporário que o governo vai realizar em julho próximo. Ao contrário do que os oficiais do CB esperavam, o concurso não vai solucionar o problema da falta de pessoal há anos reclamada pelo oficialato. O quadro do CB é de 700 integrantes. Destes, apenas 500 estão na operação. Os demais estão em setores administrativos ou à disposição de órgãos como a Auditoria Militar, o Palácio Floriano Peixoto e a Assembléia Legislativa. Carência A carência da corporação é de 2.100 integrantes. ?Mas não esperávamos que a solução do problema fosse ocorrer dessa forma?, reclama o oficial, confirmando que o concurso para voluntário desagrada a todos os oficiais. Ele não soube dizer se o comandante geral, coronel Jadir Ferreira, foi chamado a opinar sobre o concurso. ?Mas acredito que tenha sido. Só que ele próprio já se manifestou contrário a essa forma de contratação?, ressalta. Nas ocorrências normais, o Corpo de Bombeiros de Alagoas tem desempenhado suas funções de forma satisfatória, mas a população precisa saber que, em situação de catástrofe, é difícil garantir bons resultados. Por isso, o comando tem dado graças a Deus por estar em vigor a Taxa de Incêndio, uma conquista da corporação. Inadimplência Reclamando que o índice de inadimplência ainda é muito alto, o comandante operacional faz um apelo à população. ?Precisamos que todos se conscientizem da importância desse pagamento?, afirma Jadson Santos, admitindo que é graças ao dinheiro arrecadado com a taxa, algo em torno de R$ 400 mil, que o CB tem conseguido manter razoavelmente as suas condições de trabalho. O coronel Jadson Santos dá sinais de satisfação ao tomar conhecimento, pelo comandante geral do CB em Alagoas, Jadir Ferreira, de que estão previstos investimentos de R$ 500 mil pelo governo do Estado na compra de equipamentos para a corporação. Há ainda a previsão de que Alagoas receberá R$ 1,2 milhão do governo federal, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) para o CB. BO