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Chuva paralisa economia no Litoral Sul

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FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter Feliz Deserto - Apesar de o tempo ter melhorado e o Rio Canduípe estar com o nível mais baixo, algumas áreas ao longo da rodovia AL-101, no Litoral Sul, ainda continuam alagadas. Em alguns trechos, a água ainda encobre os coqueirais da região, prejudicando uma das principais atividades do município: a produção de coco. Na cidade de Feliz Deserto a hora é de tentar recuperar o que sobrou depois da inundação. Muitas casas ainda estão tomadas pela lama e muitas pessoas perderam tudo o que tinham: móveis, roupas e documentos. Várias ruas estão com o calçamento destruído e o comércio local está completamente paralisado. Alguns comerciantes perderam todas as mercadorias e por isso há escassez de alimento na cidade. ?Eu tive que comer charque, porque não há outro tipo de comida na cidade. Tem criador de frango que perdeu tudo, porque as aves foram levadas pela enchente?, comentou a prefeita Rosiana Beltrão. A Vigilância Sanitária recomendou que as pessoas evitem consumir os alimentos danificados pela inundação. ?Só que na falta de comida, tem gente que não vai deixar de comer o biscoito porque ele está molhado?, afirmou Rosiana. ACAMPAMENTO No acampamento de lona montado na praça da cidade, a situação também é precária. A área ainda está encharcada e tomada pela lama. Crianças e idosos, como dona Maria da Conceição dos Santos, 74 anos, são os que mais sofrem com a situação. Segundo a filha de Maria da Conceição, Neusa Muniz dos Santos, tanto a casa dela como a da mãe foram tomadas pela água e estão condenadas. ?As casas não caíram, mas não oferecem condições de a gente voltar para lá?, afirma Neusa. medicamentos Muitas famílias estão abrigadas em casas de parentes e vizinhos. A prefeita Rosiana Beltrão disse que o governo do Estado encaminhou 150 cestas básicas ao município e kits de medicamentos. ?Vieram soro e outros medicamentos, principalmente para doenças como diarréia, só que precisamos também de injetáveis para tratamento de febre e gripe?. Para Rosiana, o que aconteceu no município foi uma fatalidade. E mesmo que houvesse uma coordenação municipal de Defesa Civil estruturada não haveria como prever uma situação como a que ocorreu. ?Choveu mais de 200 milímetros nos últimos quatro a cinco dias?. ### Casas ameaçadas de desabar são demolidas em Maceió Técnicos da Defesa Civil de Maceió demoliram ontem uma casa que ameaçava desabar no Morro da Borracheira, no bairro do Mutange. Essa foi a primeira casa demolida pela Defesa Civil Municipal depois do início do período de chuva, na semana passada. PAREDE CAÍDA Na madrugada da última quarta-feira a parede do banheiro da casa caiu, atingindo parte da cozinha de uma outra residência, localizada embaixo, que ficou parcialmente destruída. ?Eu estava dormindo com meu esposo, quando ouvi um barulho estranho e percebi que estava cheio de areia. Foi rápido e quando vi a parede da cozinha tinha desabado?, detalhou a dona-de-casa Maria Marlene da Silva. Desde o acontecido, Maria está dormindo na casa de uma vizinha. ?Moro aqui há dois anos e comprei essa casa por R$ 2 mil. Fiquei muito assustada com o que aconteceu?, ressaltou. Ansiedade O segurança Rodrigo Ferreira dos Santos, 21 anos, observava com ansiedade a demolição da sua casa, onde morava com a esposa e um filho. ?Não sei para onde vou agora com a minha família?, questionava, preocupado. Quinze técnicos da Defesa Civil fizeram o trabalho de demolição, que foi lento e exigiu cuidados especiais, pois parte da parede poderia ainda atingir outras casas próximas. ?Como se trata de uma casa de alvenaria é mais difícil de derrubar?, informou o coordenador da operação, Adriano Augusto Araújo. Ainda hoje a Defesa Civil vai demolir duas casas na Grota do Rafael, no Jacintinho. ?Por enquanto apenas essas casas deverão ser derrubadas no local. Essas demolições aconteceriam hoje [ontem], mas foram adiadas?, disse o coordenador da Defesa Civil. Ele acrescentou que obteve informações de que a chuva deve continuar nos próximos dias. ?Devido à chuva que ainda vai cair tivemos de adiar o trabalho de demolição previsto para a Grota do Rafael?, concluiu Adriano Araújo. RC ### Desabrigados reclamam de abandono Oito famílias retiradas de áreas de risco de Maceió denunciam a falta de assistência do poder público no galpão localizado do lado da Secretaria Municipal de Educação (Semed), no bairro do Bom Parto, para onde elas foram transferidas. A desempregada Maria Aparecida Teles da Silva, que morava na grota Moacir Andrade, no Benedito Bentes, está dividindo um pequeno espaço com mais quatro filhos. O menor tem apenas um ano e dois meses e está com diarréia. ?Minha casa caiu. Eu perdi tudo, não tenho nem mesmo o registro de nascimento dos meus filhos?, lamentou a desempregada. Maria Aparecida e mais outras quatro famílias do Moacir Andrade estão há três meses no galpão improvisado pela prefeitura de Maceió. ?Até agora não disseram para onde vão levar a gente?, acrescentou. LEITE Os desabrigados denunciam que não recebem nem mesmo leite da prefeitura para alimentar os bebês. ?A sorte é que eu ainda estou amamentando, mesmo assim meu filho não está bem. Sei que ele está desnutrido. Não lembro de quando foi a última vez que recebemos leite ou carne para o almoço?, reclamou Maria Aparecida. Estão também no galpão da Semed famílias do bairro do Reginaldo, da grota do Ouro Preto e do bairro São Jorge. Maria Nazaré dos Santos, que sofre com problemas de gastrite, disse que o almoço de ontem seria apenas arroz e feijão. ?As cestas básicas que deram já estão acabando. Só quem sabe é Deus quando a gente vai sair daqui?, disse. reivindicações A principal reivindicação dos desabrigados é a assistência médica. Ontem, a grávida de três meses Graciela da Silva Gama, 21 anos, retirada do Reginaldo porque a sua casa ameaçava desabar, sentia fortes dores. Ela o sogro e um garoto que adotou foram levados para o galpão na noite da última segunda-feira. Graciela chegou a ter febre alta durante a noite e precisava ser atendida por um médico. ?Precisamos que um médico venha aqui, porque tem muita gente que está apresentando algum tipo de doença e precisa de assitência?, reclamou Maria Nazaré. |RC

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