Cidades
Defesa Civil aponta falhas em relat�rios
FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter Feliz Deserto - Pouco adianta os prefeitos das cidades atingidas pela chuva decretarem estado de emergência ou calamidade, para tentar garantir verbas federais, seja qual for o volume - a prefeita de Feliz Deserto, Rosiana Beltrão, por exemplo, já adiantou que precisa de R$ 10 milhões para recuperar a cidade - se não houver um relatório completo dos fatos. O alerta é dos peritos da Defesa Civil Nacional, que inspecionaram ontem parte da área atingida no Litoral Sul. ?Não adianta afirmar apenas que 92% do município foi afetado pela chuva, tem que haver um detalhamento do que realmente ocorreu?, explicou o major Marco Aurélio Alves de Melo, gerente do Departamento de Respostas a Desastres da Secretaria Nacional de Defesa Civil. A equipe da Defesa Civil visitou os municípios de Coruripe, Feliz Deserto e Penedo para fazer uma avaliação in loco dos prejuízos causados pela chuva. Ainda de acordo com o major, o objetivo da visita é orientar os prefeitos desses municípios sobre o correto preenchimento do Relatório de Avaliação de Danos (Avadan), documento essencial para que a Secretaria Nacional de Defesa Social reconheça os decretos de Situação de Emergência ou Estado de Calamidade. Falhas No primeiro município visitado, Coruripe, os técnicos já identificaram algumas falhas no relatório preparado pela Coordenação Municipal de Defesa Civil, o que poderia dificultar o reconhecimento do decreto de Situação de Emergência, assinado pelo prefeito Max Beltrão. O major Marco Aurélio reconhece que o formulário do Avadan, por ser um documento técnico, apresenta algumas dificuldades no preenchimento. Ele disse que além de quantificar os danos causados nos municípios, o Avadan é documento importante ?para que o governo federal possa mapear, de fato, as áreas de ocorrências em desastres no País?. Ele também fez críticas à falta de estruturação das coordenadorias municipais de Defesa Civil. ?Em tese, essas coordenadorias são criadas, mas não são estruturadas?. Segundo o militar, essas coordenadorias deveriam trabalhar na prevenção e preparação de respostas a desastres. ?Na verdade, só existe uma cultura voltada para as respostas?. Os técnicos informaram, ainda, que a Coordenação Estadual foi alertada sobre a ocorrência de chuva forte em Alagoas. ?Temos meteorologistas 24 horas de plantão, que emitem alerta quando a ocorrência de chuva prevista é maior do que a média histórica da localidade?. Os técnicos estaduais confirmaram que receberam o alerta e informaram à Coordenação Regional da Defesa Civil, em Penedo. ### Coruripe e Feliz Deserto pedem verbas O alerta sobre a chegada da chuva não foi recebido pelo prefeito de Coruripe, Max Beltrão. De acordo com ele, não houve qualquer tipo de aviso das defesas civis Nacional, Estadual ou Regional, em Penedo. ?Não recebemos nenhum comunicado sobre essa tromba d?água que ocorreu no município?. O prefeito de Coruripe informou que a chuva deixou 2.060 pessoas desabrigadas no município, além de 2.500 desalojadas. Elas estão espalhadas em 18 abrigos. Como a maioria dos abrigos fica em escolas públicas, as aulas foram suspensas no município. O prefeito disse, ainda, que, por enquanto, recebeu 250 cestas básicas do Estado. E ainda doações de pelo menos 1.400 cestas básicas de grupos empresariais da região. Com recursos próprios da prefeitura, foram distribuídas 600 cestas básicas, além de 1.500 lençóis e 1.500 colchões. Só que para construção de cerca de 800 casas que foram destruídas ou estão condenadas, Max Beltrão afirmou que terá que contar com ajuda do governo federal. CALAMIDADE PÚBLICA Em Feliz Deserto, os técnicos da Defesa Civil Nacional constataram que a situação do município é realmente de calamidade pública. Eles visitaram um acampamento de barracas de lona montado pela prefeitura, na parte central da cidade, onde estão abrigadas 55 famílias. De acordo com a prefeita Rosiana Beltrão - presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), cerca de 260 pessoas estão desabrigadas nos municípios. Os desabrigados estão distribuídos entre uma escola abandonada, o mercado público da cidade e mais duas escolas públicas, que estão com as aulas suspensas. VERBAS Até a segunda-feira, havia quatro escolas públicas ocupadas com desabrigados. A prefeita de Feliz Deserto calcula que serão necessários pelo menos R$ 8 milhões para recuperar os danos causados pelas chuvas. Para evitar que a cidade volte a enfrentar uma nova tragédia, a prefeita espera também que o governo federal libere R$ 2 milhões para drenagem do Rio Canduípe. Segundo Rosiana, até agora o Ministério da Integração Nacional garantiu apenas a liberação de R$ 650 mil para o desassoreamento do rio. Rosiana cobrou também uma posição do Instituto Nacional de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que não permitiu a retirada de uma vegetação nativa da região, a taboa, cujo acúmulo teria sido um dos responsáveis pelo transbordamento das águas do rio. O major Marco Aurélio, da Defesa Civil Nacional, não quis adiantar nada sobre a liberação de recursos do governo federal. Disse, no entanto, que é visível a falta de condições do município para resolver o volume de problemas causados à população pela chuva. |FA