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Chuva n�o ameniza estragos causados pela seca no Sert�o

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CARLA SERQUEIRA Repórter Mesmo com a chuva que cai no sertão de Alagoas nos últimos dez dias, os 26 municípios da região que tiveram situação de emergência reconhecida pelo governo federal - há mais de dois meses - ainda convivem com a fome e sede provocadas pela seca. Dois técnicos da Defesa Civil Nacional iniciaram ontem uma vistoria nas cidades para testemunhar a miséria. Mas até agora, nenhum recurso foi enviado. A visita dos representantes do governo federal foi antecipada por causa da destruição provocada pela chuva no Litoral Sul do Estado. A cidade de Feliz Deserto, a mais atingida pelo temporal, decretou estado de calamidade pública e prevê necessitar, inicialmente, de R$ 10 milhões para se reerguer. Coruripe, o segundo município mais devastado e o primeiro em número de desabrigados e desalojados - mais de 4 mil - decretou situação de emergência e, no primeiro levantamento feito, estima precisar de R$ 7 milhões para oferecer uma nova vida aos seus moradores. Sem ajuda A presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) e também prefeita de Feliz Deserto, Rosiana Beltrão, rebateu os argumentos da Defesa Civil Nacional sobre a necessidade de renovação dos decretos nas cidades vítimas da seca. Apesar de não terem recebido nenhuma ajuda federal, os decretos irão vencer no próximo dia 11 de junho. ?Eles alegaram que já estava chovendo, mas expliquei que não deu tempo de plantar e colher e por isso o sofrimento não mudou. Não temos safra de nada?, explicou, afirmando que o sertão clama a meses por água potável. Segundo a AMA, para atender os 26 municípios, o governo estadual está investindo por mês R$ 200 mil para abastecer as cidades com água. ?Alguns municípios têm cisternas, mas a maioria depende de carros-pipa?, revelou Rosiana Beltrão. Recursos Federais Para o técnico da Defesa Civil Nacional, major Marco Aurélio, a chuva mascarou a situação de seca nos municípios visitados ontem - Palmeira dos Índios, Estrela de Alagoas, Dois Riachos e Santana do Ipanema. ?Como chove há dez dias, não pudemos constatar a seca em estado crítico?, disse o major, esclarecendo que o objetivo das vistorias não é quantificar o problema, mas conferir a necessidade de renovação dos decretos que estão para vencer. ?Não nos cabe liberar recursos e sim reconhecer a necessidade deles?. Sem garantia De acordo com a AMA, desde março deste ano os municípios esperam verbas na ordem de R$ 12 milhões para um trimestre. ?Estou indo para Brasília dia 17 e vou literalmente acampar no Planalto. Tem a questão política nisso tudo que define muita coisa?, afirmou Rosiana Beltrão, dizendo não ter data para voltar. O coordenador da Defesa Civil Municipal de Coruripe, George Guido, disse que a visita da Defesa Civil Nacional foi importante para orientar sobre o preenchimento dos formulários que serão enviados para o governo federal com todos os detalhes dos danos causados pela chuva. ?Se houver algum erro, o formulário é devolvido, atrasando mais ainda a busca por recurso federal?. No próximo dia 13, os técnicos da Defesa Civil Nacional deixam Alagoas e seguem com relatórios para Brasília. ?Vamos reforçar os pedidos de ajuda financeira, mas não posso garantir nada?, concluiu major Marco Aurélio.

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