Cidades
Doen�as respirat�rias aumentam 40%
FÁTIMA ALMEIDA Repórter Chuva, alagamentos, mudanças de temperatura. O clima está propício para o aumento da carga viral que ameaça as pessoas de todas as idades com as chamadas doenças de veiculação hídrica. No Hospital Dr. Élvio Auto, os sintomas já se refletem no aumento da procura, registrado nas últimas semanas. As doenças diarréicas e respiratórias estão no topo das estatísticas. De acordo com o diretor da unidade, médico Marcelo Constant, nessa época do ano o número de internamentos costuma aumentar em até 40%. Segundo ele, a diarréia e os quadros gripais são as duas modalidades de manifestação mais imediata com a chegada do período chuvoso. ?Independente do volume de chuva, as doenças respiratórias são uma reação quase imediata à mudança de clima. Por isso que o governo sempre propõe essa época para a vacinação dos idosos contra gripe?, destaca. No caso das diarréias, o médico explica que pode ser uma conseqüência da intensidade da chuva e de inundações que contaminam poços e o lençol freático e, conseqüentemente, a água consumida em algumas comunidades. ?Já aumentou muito o número de casos de diarréia nesses dias de chuva. Às vezes a pessoa confia que está consumindo água tratada, por ser encanada, mas um vazamento pode contaminá-la?, explica ele. O recomendável nesta época, segundo Constant, é tratar com hipoclorito, mesmo a água filtrada, para destruir bactérias e vírus. Outras manifestações de doenças de veiculação hídrica ou de contaminação por contato com águas contaminadas demoram alguns dias para aparecer. Uma delas é a dengue, cujo índice aumenta nesse período em que chuva e sol se intercalam. A febre tifóide e a cólera também são citadas pelo médico, entre os riscos da época, embora destaque que há mais de dois anos não se registram casos de cólera em Alagoas. Com um prazo maior de encubação entra no quadro de risco, também, a hepatite, que leva cerca de 40 dias para se manifestar; e a leptospirose, provocada pelo contato com a urina do rato. Como ainda convivemos com muitos ratos na área urbana, a água da chuva pode arrastar e concentrar uma grande quantidade dessa substância, colocando-a em contato com as pessoas. Apesar do crescimento na procura, segundo o médico Marcelo Constant, o hospital está operando dentro da sua capacidade. Ele informou que o hospital tem 126 leitos, mas alguns estão temporariamente desativados em função de problemas, entre eles, o desabamento do teto, na semana passada, que levou ao isolamento de uma área com mais de 20 leitos. ?Estamos operando com 88 leitos e temos vagas. Só há risco de superlotação se houver catástrofe e epidemias?, diz ele.