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Fam�lias se recusam a deixar �reas de risco no Reginaldo

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BLEINE OLIVEIRA Repórter Todos os anos, quando chega o período de chuva, é o mesmo drama para as milhares de famílias que vivem em áreas de risco por toda Maceió, vítimas do déficit de habitação do País. Nesta época, elas se vêem obrigadas pelo poder público a deixar os barracos miseráveis onde vivem para se refugiar em ginásios ou galpões alugados. Favelão Ontem, fiscais da Secretaria Municipal de Controle e Convívio Urbano (SMCCU) foram ao Vale do Reginaldo demolir barracos cujos moradores concordaram em deixar a área. Mas a Prefeitura de Maceió terá que se esforçar muito para ?limpar? totalmente aquela área. A maioria das famílias avisa que não sai pois está cansada da promessa de que terá moradia própria. São 60 barracos amontoados embaixo da ponte do Reginaldo (acesso à Estação Rodoviária), onde o que mais se vê é fome e doenças. ### Drama de quem vive embaixo da ponte Aos 16 anos, Juliana de Lima Silva tem um filho de oito meses e espera o segundo para daqui a quatro meses. Ela e o marido vieram de Quebrangulo para Maceió há dois anos , ?vê se as coisas melhoram?, mas tudo o que conseguiram até agora foi montar um barraco de tábua embaixo da ponte do Vale Reginaldo. Ontem, ela assistiu à demolição do barraco abaixo do seu com o olhar assustado de quem sabe que, mais dia menos dia, chegará sua vez. Juliana sabe que a determinação da Prefeitura de Maceió é desocupar totalmente aquela área para evitar o registro de mortes se a chuva se intensificar, como está previsto. ?É um trabalho lento, mas vamos conseguir?, disse o coordenador municipal de Defesa Civil, Adriano Augusto, confirmando as dificuldades que a SMCCU está enfrentando para convencer as famílias a deixarem o local. Segundo o coordenador, para estimular a saída a Prefeitura decidiu pagar o aluguel dos moradores até garantir a construção de novas moradias para eles, em local seguro. Conselho Mas o presidente da Associação Comunitária do local, Antonio de Lima, conhecido como Fuscão, disse que muitos ficaram frustrados pois não receberam o dinheiro prometido pela secretária de Assistência Social, Ivone Torres. ?O pessoal arranjou casa, mas na hora do pagamento o dinheiro não apareceu?, reclama Fuscão. O líder comunitário acompanhou o trabalho da equipe de demolição da SMCCU, tentando tranqüilizar os moradores dos barracos. ?Não estou aconselhando ninguém que saia, mas peço que pensem nos riscos?, diz. Expulsão Com dois filhos e grávida do terceiro, Maria Cristina Gomes da Silva, 22 anos, é uma das que resistem a deixar o barraco. Há dois anos ela deixou o local e foi para um abrigo da prefeitura. ?Depois, além de não arranjarem a casa prometida, eles expulsaram a gente do colégio Lion, usando a polícia. Por isso não saio se não for para uma casa?, afirma. Vindas do interior em busca de melhores condições de vida na capital, as famílias são obrigadas a viver em condições subumanas. No Vale do Reginaldo, como em toda área de risco, os pobres têm como principais companhias a fome e as doenças. |BL

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