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Aboli��o da escravatura cai no esquecimento de estudantes

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O dia 13 de maio de 1888 marcou a assinatura da Lei Áurea, que determinava o fim da escravidão no Brasil e foi assinada pela princesa Izabel. A referência histórica, entretanto, não é lembrada pelos estudantes, inclusive os da raça negra. Isso foi constatado, ontem, durante enquete realizada pela Gazeta de Alagoas no Centro de Estudos de Pesquisas Aplicadas (Cepa). Os estudantes não demonstraram atenção com o significado da abolição. Para os entrevistados, o dia 20 de novembro é a data mais significativa para reverenciar a luta do povo negro. Para o estudante Carlos Daniel da Conceição, 16, aluno da 7ª série, a data não seria lembrada se não fosse o contato com a reportagem. Segundo ele, o tema deveria sem mais trabalhado em sala de aula. Sua desinformação, porém, não o impede de revelar experiências racistas. ?Sei que o racismo existe. Comigo sinto isso, mesmo de brincadeira, nas piadas que são contadas. Acredito que a cor não deveria ser referência de qualidade?, defendeu Carlos. Ele já está na fase de conseguir trabalho. Há duas semanas o estudante deixou currículo em postos de trabalho, mas ainda não teve resposta. ?Não acredito que vá ter problemas para encontrar emprego por causa de minha cor?, considerou Carlos. Coincidência Já o estudante Emanoel Jorge Carvalho, 18, aluno do 1º ano do ensino médio da Escola Laura Dantas, confessou que só sabia da data da abolição porque coincide com o aniversário de sua irmã. ?Hoje, por exemplo, tive aula de História e acho que o professor ao invés de somente falar do assunto do dia poderia ter destinado dez minutos para falar do 13 de maio?, disse Emanoel. Em sua avaliação, o racismo ainda existe, mas não está presente em situações como as piadas, por exemplo. ?Acho que o racismo acontece quando em determinada situação a pessoa é diminuída por sua cor?, completou. A estudante Ivani Oliveira, 21, aluna do 1º ano do ensino médio do Instituto de Educação, mesmo com traços marcantes da cor negra, admitiu que o dia 13 passaria em branco. ?Não é a cor que determina o racismo, mas sim o dinheiro. Quem tem não é discriminado?, refletiu Ivani. Consciência Para o coordenador-geral do Fórum de Entidades Negras de Alagoas (Fenal), Jeferson Santos, a desinformação dos estudantes poderá ser alterada com a aplicação da Lei 10.639/2003. Segundo o texto, as escolas de ensino médio e fundamental da rede pública e privada têm que incluir o estudo das culturas afro-basileira e africana em seu currículo. ?Com isso conseguiremos desconstruir o racismo e criaremos a imagem do negro de forma positiva, também compondo o processo histórico brasileiro?, considerou Jeferson. A partir de hoje, na cidade de União dos Palmares, terá início a Fenal. No evento será debatida a ?Abolição ontem e hoje?, com a educadora baiana Ana Cristina, do Grupo Abayueh. |MR

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