Cidades
Crian�as deixam escola para fazer malabarismo em sinais
MARCOS RODRIGUES Repórter Os sinais de trânsito da capital não contam apenas com crianças vendendo feijão ou limpando pára-brisa de veículos. A nova ?onda? são as exibições dos malabaris mirins com bastões improvisados a partir de cabos de vassoura enrolados com borracha. Ninguém sabe ao certo quantos são os artistas do improviso, mas todos reconhecem que eles estão se multiplicando. A presença das crianças nos sinais já preocupa as autoridades, tanto que a coordenadora do Projeto Acolher, Aparecida Araújo, já denunciou que existem até crianças mendigando e se exibindo com fardas escolares. A arte circense foi ensinada por um artista de circo, que teve por objetivo criar uma alternativa de passar o tempo para as crianças nos sinais. Por ser envolvente, a idéia ganhou espaço e hoje está disseminada nas principais avenidas da cidade. No cruzamento da Avenida Leste-Oeste com a Avenida Gustavo Paiva um grupo de oito garotos se revesa em rápidas exibições. Um deles, José Alisson Ferreira da Silva, 16, confirmou ser estudante da segunda série do ensino fundamental e que fica no sinal para ajudar em casa. ?Estou aqui para ganhar dinheiro para comprar roupa. Se o que ganho passar de R$ 10, dou a metade para minha mãe e guardo o restante?, disse o adolescente. A exemplo dos demais, ele ainda tem o referencial da família, mas admite que a renda da casa não lhe permite comprar o que deseja. ?Pelo menos aqui estou trabalhando?, acredita Alisson, que mora numa das favelas do Jacintinho. O adolescente Tiago Felipe de Melo, 17, está fora da escola. Segundo ele, o motivo é a falta de vagas. Ontem foi o aniversário dele. Chegou ao sinal pela manhã e sonhava com a possibilidade de ganhar R$ 20,00. ?Uma mulher uma vez deu isso para um garoto por aqui. Já pensou se ela passa de novo??, indagava Tiago. Motoristas Mas a presença das crianças e de adolescentes nos sinais não é bem-vista pela maioria dos motoristas. ?Ficam aí com esse negócio capaz de bater no carro e ainda vêm pedir dinheiro. A gente dá uma vez, mas agora eles estão em todo sinal?, queixou-se um senhor, pouco antes de ?arrancar? com o seu veículo. A secretária municipal de Assistência Social, Ivone Torres, disse ontem que tem conhecimento do problema e defendeu uma política de atenção às famílias. ?Estamos identificando os menores e descobrindo os motivos que os levaram para os sinais?, disse Ivone. Ela acredita que o Projeto Acolher dará resultados, se contar com recursos do BNDES e do Unicef. A idéia consiste em criar condições para as famílias produzirem renda e se manterem.