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Buracos provocam corrida �s oficinas

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CARLA SERQUEIRA Repórter Não é mais novidade. Todas as vezes que chove em Maceió quem garante espaço na cidade são os buracos. Eles aparecem por toda parte, para desgoto dos motoristas, principalmente. Os pedetres também são ameaçados. As bocas-de-lobo - acesso para a tubulação de esgoto das ruas - têm suas tampas roubadas, transbordam e os desavisados podem sofrer um acidente se não olharem por onde anda. Pior: quando chove forte, muitas ruas alagam e a água acaba escondendo as falhas da rodovia. Mas há quem se sinta feliz com tantos problemas. São os donos de oficinas mecânicas e automóveis. A procura pelos estabelecimentos chega a subir 30% durante o inverno. O sócio de uma oficina, Geraldo Oliveira, 43, afirma: ?Os carros quebram de instante em instante. Quando foi que a nossa cidade deixou de ter buracos? Com sol ou chuva, os carros levam pancada?, criticou. As oficinas mecânicas de automóveis são as únicas que conseguem lucrar com os buracos de Maceió. Segundo Jorge Carvalho, de 40 anos e dono de uma oficina no bairro do Poço, a procura por reparos em veículos chega a crescer 30% no inverno. Ele afirma ainda que, em outras épocas, os carros quebravam mais por causa da chuva. ?Os motoristas aprenderam que é melhor não sair com o carro quando chove?. Os problemas mais comuns, segundo Jorge Carvalho, são danos na suspensão e batidas que ameaçam o piso do carro. ?Mas tem muita gente que se arrisca ainda. Não é difícil chegar alguém aqui com o motor encharcado de água?, afirmou, dizendo que um conserto no motor varia de R$ 1.500 a R$ 6 mil. . De acordo com o frentista do posto de combustível próximo ao local danificado da pista, Flávio Freire, um serviço realizado pela Companhia de Saneamento e Abastecimento d?Água de Alagoas (Casal) não foi concluído. ?Há quase um mês os trabalhadores estavam consertando a tubulação de esgoto. Mas não concluíram o serviço por causa da chuva, aí o asfalto cedeu?, afirmou. Na Rua Saldanha da Gama, no Farol, um buraco com 1,5 metro surgiu no meio da rua. Moradores afirmaram que o asfalto cedeu também por causa de um serviço malfeito na tubulação de esgoto. ?Quando não estoura aqui, estoura mais na frente?, disse um funcionário de uma loja que não quis se identificar. A Gazeta tentou conversar sobre os problemas nas tubulações de esgoto com o chefe de Operações da Casal, Walace Padilha, mas não foi encontrado. |CS ### Frota de táxis some nos dias de chuva forte em Maceió Maceió tem cerca de 3 mil táxis em circulação. Na época de chuva, o número de carros disponíveis para atender a população cai consideravalmente. Em uma das empresas de teletáxis da cidade, de uma frota com 130 veículos, nos dias chuvosos, apenas cerca de 15 taxistas se arriscam nas avenidas alagadas e saem para trabalhar. A maioria, segundo o Sindicato dos Taxistas de Alagoas (Sintaxi), prefere ficar em casa, para não levar prejuízo. ?No período de chuva, as pessoas pensam que taxista ganha dinheiro, mas em Maceió, ao menos, é o contrário. Lucra mais quem ficar com o seu carrinho guardado, livre das bocas- de-lobo e do lamaceiro?, afirmou o secretário do Sintaxi, Fernando Ferreira da Silva. O taxista Walter da Anunciação é um dos que preferem não ir trabalhar. ?Há dois anos caí num buraco e perdi um pneu. Quando começa a chover, vou para casa. Quando pára, volto para a rua, senão, só no outro dia?, disse, criticando a infra-estrutura da cidade. ?Maceió não é preparada para o volume de água que recebe no inverno. O sistema de drenagem não dá conta e por isso os buracos proliferam?, observou. Quando questionado sobre os pontos mais críticos para circular com carro em Maceió, Walter não conteve o riso. ?Pra ser sincero, a cidade inteira tem problema?. E listou as rodovias mais precárias. ?A Fernandes Lima - perto da Praça Centenário e do Makro - a Avenida Leste-Oeste, a Gustavo Paiva, a pista principal do Santo Eduardo; até na Ponta Verde o asfalto está esculhambado?. O taxista Fernando Ferreira explicou que os taxistas têm autonomia diante das empresas de rádio. ?São as empresas que contratam os taxistas. Eles pagam R$ 25 por semana para que elas [as empresas] ofereçam corridas. Em dia de chuva, é o taxista que resolve se vai ou não trabalhar?. De acordo com Fereira, um serviço realizado pela Casal não foi concluído. ?Há quase um mês os trabalhadores estavam consertando a tubulação de esgoto. Mas não concluíram o serviço por causa da chuva, aí o asfalto cedeu?, afirmou, contando que o trecho está perigoso porque muitos motoristas não conhecem o problema. ?Tem carro que passa em alta velocidade por aqui e para perder o controle do carro não é difícil?, disse Flávio Freire, que há mais de 5 anos trabalha na região. BURAQUEIRA A Avenida Amélia Rosa, na Jatiúca, se transformou numa verdadeira buraqueira. No trecho próximo a um posto de combustível, a situação está perigosa para os motoristas. A dona-de-casa Antônia Alves, de 58 anos, mora em frente ao trecho e se preocupa. ?Muitos carros não conhecem a área e passam em alta velocidade, em vias de sofrer um acidente?, contou. Antônia é moradora da Jatiúca há 30 anos e afirma que todas as vezes que chove, os buracos aparecem. Chuva forte O frentista Flávio Freire diz que todos os dias escuta as pancadas que os carros levam quando passam no trecho. ?O pior é quando está chovendo forte e não dá para ver os buracos porque fica tudo coberto pela água?, afirmou. O superintendente municipal de Obras e Urbanização de Maceió, Mosart Amaral, disse que no primeiro dia de sol uma megaoperação tapa-buraco vai ser realizada. ?Não tem jeito. Chove e os buracos aparecem. É inevitável?, reconheceu, dizendo que não adianta fazer nenhum serviço nas ruas enquanto a previsão do tempo anunciar chuva. ?É dinheiro jogado fora, porque a gente tampa o buraco, mas a água não dá tempo para o asfalto secar?, explicou. Segundo ele, a superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) também vai se envolver na operação. ?Estamos fazendo um levantamento dos lugares mais críticos. Não podemos realizar grandes obras enquanto chove?, justificou. CS

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