Cidades
Defesa Civil prev� muita chuva em AL
REGINA CARVALHO Repórter Segundo alertas emitidos ontem pela Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), a previsão é de muita chuva até amanhã em Alagoas e nos estados da Bahia, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. A recomendação é para que os moradores de áreas afetadas evitem a permanência em zonas ribeirinhas, baixadas, encostas e morros. Em Maceió, a chuva não deu trégua durante a madrugada e manhã de ontem e deixou um rastro de destruição em pontos críticos como o Dique Estrada, a Vila Brejal e o bairro de Bebedouro. Barracos inundados, perda de objetos domésticos e o aparecimento de doenças fazem parte desse cenário já castigado pela pobreza. O nível da Lagoa Mundáu subiu e a água acabou invadindo barracos localizados próximos da margem. Com a chuva das duas últimas semanas os moradores da favela não puderam conter o aparecimento de insetos dentro dos barracos. Alguns deles relatam que estão convivendo diariamente com ratos e baratas. ?Encontro com freqüência ratos aqui no barraco. Tenho que cobrir tudo e até restos de alimentos por medo de fazer algum mal aos meus filhos?, declarou a desempregada Claudiane da Conceição. A desempregada disse ainda que não conseguiu dormir durante toda a noite de domingo, com medo de seu barraco desabar. ?Tenho muito medo, mas não tenho outra alternativa a não ser morar aqui. Só vim dormir mesmo quando já era de manhã?, disse Claudiane, que divide o barraco com dois filhos de dois e cinco anos e uma irmã adolescente. Claudiane mora há um ano no barraco do Dique estrada, que comprou por R$ 50. ?Juntei esse dinheiro vendendo feijão nas ruas, não vou abandoná-lo agora, mas sei do perigo que corro?, lamenta. Com a chuva, o barraco ficou alagado e a cozinha ilhada. O fogo à lenha teve que ser esquecido, porque fica num local sem acesso, coberto pela água. ?Não tenho dinheiro para comprar gás. Não sei como vai ser para dar comida aos meus filhos?, ressaltou Claudiane. Na Vila Brejal a situação também é complicada. Moradores colocaram pedaços de tijolos e de madeira próximos às casas, na tentativa de conter as águas. Edilson Xavier contou que vendeu a geladeira e a televisão para conseguir o dinheiro e fazer uma pequena reforma em sua casa. ?Tinha que arrumar porque senão ela iria cair com a chuva?, informou. No Flexal de Cima, os efeitos da chuva foram maiores. Em Bebedouro a força da chuva derrubou uma cerca de madeira que, por pouco, não provocou um problema ainda maior, caso atingisse casas próximas. ### Litoral Sul tem calamidade decretada O estado de calamidade pública decretado pela Prefeitura de Feliz Deserto e a situação de emergência anunciada pela Prefeitura de Coruripe depois da forte chuva que deixou em torno de 8 mil desabrigados no Litoral Sul de Alagoas foram homologados pelo governador em exercício, Luis Abílio de Sousa Neto, ontem, por meio de publicação no Diário Oficial. O decreto de número 005/2005, de 7 de maio, se refere ao município de Feliz Deserto que, após o dia 2 de maio, teve 90% da cidade alagada. A prefeita da cidade, Rosiana Beltrão, viaja hoje para Brasília. ?Minha intenção é adiantar a liberação de recursos. Não adianta só decretar estado de calamidade pública. Tem a questão política que é fundamental neste processo?, disse. O decreto de número 667/2005, também do dia 7 de maio, oficializa a situação de emergência do município de Coruripe, a segunda cidade mais devastada pela chuva. De acordo com o Diário Oficial, a homologação dos decretos, tanto de Coruripe como de Feliz Deserto, foi baseada na dificuldade financeira enfrentada pelos municípios, os péssimos indicadores sociais e o baixo nível de preparação e de eficiência da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil. Os decretos têm validade de 90 dias e dá subsídio para as prefeituras arrecadarem recursos do governo federal e empresas privadas e recuperar a infra-estrutura das cidades. Numa avaliação prévia dos estragos, a cidade de Feliz Deserto estima precisar de R$ 10 milhões para reconstruir as casas que foram destruídas por barreiras, ou desmanchadas pela enxurrada. Em Coruripe, o número de desalojados é maior. A prefeitura do município calcula, de início, necessitar de cerca de R$ 7 milhões para reparar os danos. Nas cidades, além de casas e prédios públicos, pontes e rodovias foram derrubadas.|CS ### Líderes mobilizados contra chuva Com o público alvo formado por lideranças comunitárias, o I Seminário de Orientação para Implantação de Núcleos da Defesa Civil começou ontem, em Maceió, e segue até sexta-feira, dia 20, tendo como palestrante Edna Gonçalves, técnica da Defesa Civil do Distrito Federal. Cerca de 60 líderes participam das capacitações. O coordenador municipal da Defesa Civil, Adriano Augusto, explicou a importância do seminário. ?Estão sendo passados conhecimentos sobre os perigos de cortar a vegetação nas encostas, jogar lixo em locais indevidos e como trabalhar o esgotamento sanitário nas barreiras?. Em cada núcleo, dois líderes vão coordenar os trabalhos nas comunidades. ?Quanto mais pessoas se envolverem, melhor?, disse Adriano Augusto, acrecentando que a Defesa Civil municipal vai está monitorando os trabalhos. ?Queremos que as pessoas que moram em encostas sejam informadas sobre como conviver com harmonia com a natureza. Sem lixo e sem eliminar a vegetação, os riscos de desabamento diminuem consideravelmente?, afirmou Augusto. Além das lideranças de Maceió, representantes de Pilar, Quebrangulo, Atalaia, entre outras cidades do interior estão sendo capacitadas. ?Este é um grande passo para evitar o saturamento de nossas encostas?, observou Adriano Augusto. Segundo ele, a ajuda da comunidade é essencial para evitar acidentes em épocas de chuva forte. ?Muitas vezes, os próprios moradores são os responsáveis pela poluição que entope os canais?, afirmou.