Cidades
Teto de escola sob amea�a de queda preocupa os alunos
FÁTIMA ASSUMPÇÃO Repórter O telhado do pátio principal da Escola Campos Teixeira, no bairro de Ponta da Terra em Maceió, ameaça desabar sobre a cabeça dos alunos. A principal linha de sustentação do telhado está sendo segurada por um pedaço de madeira, colocado pelos próprios funcionários da escola. É no pátio onde é realizada a maior parte das atividades extra-sala de aula e os alunos se reúnem nos intervalos. Mas esse não é o único problema da estrutura física da escola. Construído na década de 60, o prédio encontra-se totalmente deteriorado e apresenta problemas na rede elétrica, fossas estouradas e a pintura completamente desgastada. Nos corredores da escola, as águas dos banheiros e dos bebedouros se misturam às da fossa. ENSINO MÉDIO A escola tem 1.100 alunos matriculados, nos períodos noturno e diurno. A maioria está matriculada da 4ª a 8ª séries do Ensino Fundamental, já que só este ano começou a funcionar a primeira turma do Ensino Médio. ?Estamos começando implantar paulatinamente o Ensino Médio, até como forma de valorizar mais a escola?, diz a diretora-geral da unidade, Maria Laurenice Ferreira Gomes. ### Diretora mostra riscos mas secretaria não dá solução Desde que assumiu em 2001, a diretora Maria Laurenice Ferreira encaminha relatórios à Secretaria Executiva de Educação, mostrando os riscos que os alunos estão enfrentando com os problemas estruturais do prédio. ?A Secretaria de Educação conhece a realidade da escola, só que as intervenções feitas são mínimas?, afirmou Laurenice. O último ofício solicitando providências à Secretaria de Educação foi encaminhado na última segunda-feira, quando a escola foi fechada porque o mau-cheiro exalado pela fossa estourada não oferecia condições para alunos e professores permanecerem na sala de aula. Segundo a diretora da escola, pelo volume de problemas apresentados na estrutura da unidade de ensino, teria de haver ?uma reconstrução?. GUARDA-CHUVA NA AULA Os depoimentos dos alunos confirmam a precariedade do funcionamento da Escola Campos Teixeira, localizada na rua do mesmo nome. Erik Estácio, de 13 anos, disse que nos dias de chuva, os alunos da 7ª série são obrigados a assistir aulas de guarda-chuva. ?O telhado está cheio de goteiras e a gente usa até guarda- chuva para assistir aula?. Nos dias de sol, o problema é o calor e a falta de ventiladores nas salas de aula. De acordo com a professora da 4ª série, Rosane Lyra, a secretaria enviou ventiladores para a escola, mas não encaminhou técnicos para fazer a instalação. REDE ELÉTRICA A diretora da escola, Maria Laurenice, comentou que não adianta instalar ventiladores, sem resolver o problema da rede elétrica e do telhado da escola. ?Pelo menos três ventiladores já despencaram e por pouco um deles não caiu na cabeça de um aluno, que havia acabado de sair da sala de aula?. As deficiências parecem intermináveis. Maximillian Rezende, 17, aluno do 1º ano de Ensino Médio, disse que a quadra da escola é descoberta e o piso de cimento. A professora Rosane Lyra acrescenta que, nos dias de sol, alguns alunos chegam a passar mal. E nos dias de chuva, as aulas de Educação Física são suspensas. MATO TOMA CONTA A área onde deveriam funcionar os brinquedos para os alunos menores está tomada pelo mato. Rodrigo Santos Amorim, aluno da 8ª série, reclama que os buracos no telhado já estragaram todo o acervo da biblioteca da escola. Durante a noite, a situação é ainda pior. Em muitas salas de aula, além de ventiladores, falta até iluminação por causa dos problemas na rede elétrica. Os estudantes reclamam ainda da falta de professores de Sociologia e de Filosofia para turmas do Ensino Médio, desde o início do ano. Como não há funcionários suficientes na escola, os alunos são obrigados a fazer mutirões no fim de semana para limpar a escola e até ajudar na preparação da merenda. Só há uma funcionária que se divide entre a faxina da escola e a preparação da merenda. Um dos problemas mais sérios identificados pela diretora da escola foi a instalação do refeitório numa área onde antes funcionavam os banheiros. ?Há verdadeiramente um descaso com a escola?, lamenta Laurenice Ferreira. |FAB