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Decreto de emerg�ncia n�o muda favela

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BLEINE OLIVEIRA Repórter Poucos dos moradores das favelas Sururu de Capote, Torre e Papódromo tomaram conhecimento de que, por decreto, o governo do Estado declarou estado de emergência naquela área da Lagoa Mundaú, conhecida como Dique Estrada. Mesmo porque, alegam eles, nada mudou na realidade de miséria e exclusão em que vivem. A dona-de-casa Joseane Ferreira disse que ouviu na TV ?alguma coisa sobre isso?, mas deixa claro que para ela nada significa, pois ?nenhum prego foi colocado na porta de um barraco? para mostrar a presença do governo. Já Cícera dos Santos, funcionária da Prefeitura de Maceió que tem duas filhas morando na favela Sururu de Capote, diz que ?nunca ouviu falar em decreto nenhum?. O que sabe é que as filhas enfrentam muitas dificuldades para sobreviver com os maridos e filhos. Os motivos A rotina dos moradores, com ou sem estado de emergência, é a mesma desde o surgimento da favela, há mais de duas décadas. O decreto, republicado na edição do Diário Oficial do último dia 4, aponta diversos motivos para a medida, inclusive um relatório de Vistoria Técnica elaborado pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil. Entre as razões, apontadas no decreto, estão a que considera que os barracos estão localizados em área sujeita a inundações, que estão próximos a via rodoviária de grande movimentação de veículos, que estão construídos sob torres de transmissão de energia, que as instalações elétricas são irregulares (gambiarras), que não existe saneamento básico e, por último, que há previsões de fortes chuvas para o período de maio a agosto. Os moradores das três favelas dizem que nenhuma dessas razões representa qualquer novidade, nem para eles nem para o governo. ?Quem é que não sabe que aqui se vive no inferno??, indaga Cícera Santos. Funcionária da Superintendência Municipal de Controle do Convívio Urbano, onde trabalha como fiscal de mercados, ela está lutando para conseguir alguns metros de lona para cobrir os dois pequenos barracos onde vivem suas filhas, netas e genros, na favela Sururu de Capote. Ausência do governo Os problemas na área que o governo decretou estado de emergência são inúmeros, e todos se referem à infra-estrutura urbana. ?Aqui falta tudo?, declara a servidora Cícera, que diz não ter condições de ajudar as filhas, recebe salário mínimo, insuficiente até para sua própria sobrevivência. Ao assinar o decreto, o governador Ronaldo Lessa estabeleceu prazo de um ano para realizar obras na área, podendo prorrogar a vigência do decreto em função do convênio com o Ministério das Cidades, pelo qual pode receber recursos do Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social - PSH. Responsável pelas ações em relação ao estado de emergência, o secretário Germano Regueira não foi localizado.

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