Cidades
Alagoana sem acesso a exame de mama
CARLA SERQUEIRA Repórter Alagoas é o segundo Estado do País com o menor índice de mulheres que fazem exames de mamografia. Um dos principais motivos para este quadro é a falta de equipamentos e de profissionais especializados nos hospitais. De acordo com especialistas, a mamografia é o exame mais eficaz na identificação de câncer de mama e todas as mulheres com mais de 40 anos devem realizá-lo pelo menos uma vez por ano. A pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Saúde 2003, divulgada nessa quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que 34,4% das mulheres brasileiras com mais de 40 anos nunca se submeteram a exames clínicos de mama. E é em Alagoas onde está uma das menores proporções de mulheres atendidas. Apenas 37,8% das alagoanas realizam exames preventivos. Na primeira posição e com uma diferença irrisória está o Maranhão com 37,4%. Equipamento encaixotado Para o mastologista da Santa Casa de Misericórdia de Maceió, Eglício Viana, a pesquisa não causou surpresa. ?O fato é que as pacientes não têm acesso aos exames. A maior parte das mulheres é do Interior, onde não há mamógrafos; e quando tem, não há pessoal habilitado para operá-los?, revelou, denunciando ter máquinas paradas ou subutilizadas em pelo menos quatro municípios: Coruripe, Penedo, Santana do Ipanema e Murici. Os mamógrafos, segundo ele, foram enviados pelo Ministério da Saúde. A diretora do Hospital de Murici, Eurides Oliveira, afirmou que há mais de um ano um mamógrafo está encaixotado e guardado em uma sala da unidade. ?Aqui no hospital não temos espaço. Estamos aguardando que o Centro de Diagnósticos fique pronto?, justificou. A construção do Centro de Diagnósticos ficou pronta há três meses, segundo o secretário de Saúde de Murici, José Medeiros. ?Está faltando apenas a compra de alguns equipamentos para que o Centro comece a atender. O entrave agora é burocrático?, afirmou, explicando que alguns equipamentos ainda precisam ser comprados. ?Estamos aguardando o processo de licitação?. Enquanto isso, o atendimento na Santa Casa de Misericórdia fica congestionado. Todos os dias, cerca de 100 exames de mamografia são realizados no hospital que possui duas máquinas funcionando, tanto para atendimentos particulares, como para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). ### Exame de toque ajuda, mas mamografia é determinante Todas as mulheres com idade acima de 40 anos devem realizar exames clínicos para a prevenção do câncer de mama. Com o avanço da idade, as células também envelhecem e a possibilidade de adquirir um tumor na mama cresce consideravelmente. O exame do toque, que pode ser feito em casa pela própria paciente é recomendado em qualquer idade. As jovens devem apalpar os seios para identificar caroços. Mas o mastologista Eglício Viana garante que o procedimento ajuda, mas não é suficiente para identificar o câncer de mama, que geralmente não dói e muitas vezes não é identificado com as mãos. ?Às vezes nem com a radiografia?, diz ele, explicando a importância de realizar a mamografia. ?O importante é identificar o câncer na primeira fase, onde ele está escondido?, afirmou, dizendo que, dependendo da paciente, o câncer pode causar morte fulminante. ?Quando o tumor atinge o tamanho que a paciente consegue apalpá-lo, está na fase mais avançada da doença?. Quanto mais velha é a paciente, mais fácil se torna identificar o câncer de mama. ?Na mulher idosa, a mama vira gordura, e o raio X trabalha com contraste. O nódulo é branco e a gordura, preta, então fica fácil?, diz ele, afirmando que já na idade entre 40 e 45 anos, as mulheres vão substituindo o tecido mamário por gordura, o que pode fazer um tumor passar despercebido pelo médico ou causar dúvidas se o que se vê é gordura ou um tumor que começa a se formar. Para ilustrar a incidência do câncer de mama, Eglício comparou com o câncer da próstata. ?Cerca de 90% dos homens que atingem os 80 anos, adquirem o câncer?, explica.|CS